Itau e a história da poupança | Ricardo Gallo

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quinta-feira, 26 de abril de 2012 Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica, utilidade | 13:02

Itau e a história da poupança

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Mais um excelente relatório da turma do Ilan no Itau. Explica a história da poupança e seus problemas.

MACRO VISÃO – Caderneta de Poupança no Brasil: Breve Histórico – Itaú

De uma hora para outra, o debate no mercado sobre a política monetária não é mais apenas sobre como o Banco Central lida com a inflação. Com a Selic em 9% e ainda apontando para baixo, o debate passou a incluir a caderneta de poupança.

A poupança é um investimento bem simples. Paga uma taxa fixa de 0,5% ao mês – mais TR – a todo investidor, em qualquer banco, seja qual for o valor da aplicação (a idéia de se tributar saldos acima de R$ 50 mil surgiu em 2009, mas não vingou).

A taxa de 0,5% ao mês equivale a 6,2% ao ano, livre de impostos. Com a Selic apenas um pouco mais baixa do que o nível atual, a poupança passa a competir com fundos de investimento, possivelmente reduzindo a demanda por títulos públicos.

Na prática, portanto, a poupança define um piso para a Selic. Mesmo no nível atual, um fundo atrelado à Selic, dependendo da taxa de administração, já pode pagar menos do que a caderneta.

As ideias que têm surgido na imprensa para lidar com essa questão vão desde não fazer nada (já que a Selic pode não cruzar a barreira crítica ainda) até atrelar o rendimento da poupança à Selic, eliminando a TR. Fala-se, ainda, em uma solução provisória: reduzir a alocação da poupança ao crédito imobiliário, permitindo que os bancos comprem títulos públicos com recursos da poupança.

Há 150 anos, a poupança é sinônimo no Brasil de pé-de-meia simples e seguro. Por isso qualquer reforma é vista como tabu, especialmente se tocar no rendimento mensal de 0,5%. Em 2009, a proposta de tributação era justamente uma forma de lidar com essa questão, preservando a taxa de 0,5%.

Do Começo

Foi Dom Pedro II quem criou a Caixa Econômica da Côrte, em 1861, para “receber, a juro de 6%, as pequenas economias das classes menos abastadas”, com a garantia do governo. Os recursos eram usados para pequenos empréstimos. Em 1872, os “escravos de ganho” receberam permissão para abrir contas (em nome de seus donos). Em 1915, foi a vez das mulheres casadas – desde que o marido não se opusesse.

As regras sobre remuneração às vezes mudaram, mas a taxa de 6% continuou a ser a referência. Outras instituições de poupança foram criadas e, em 1915, o governo centralizou a fixação do rendimento. Houve tempo em que fixava taxas diferentes entre regiões do país.

Correção Monetária e Financiamento Imobiliário

Somente na década de 60 a poupança adquiriu papel importante no financiamento imobiliário. A correção monetária chegou em 1964. A partir daí, o poupador passou a receber a correção mais um juro “real” de 0,5% ao mês. E os bancos passaram a destinar 65% dos depósitos ao crédito habitacional.

No final da década de 80, por causa da inflação alta, a correção monetária passou de mensal a diária. As contas passaram a ter “aniversário” (todo mês, não todo ano). Todo dia, o Banco Central publicava um fator de correção para os próximos trinta dias. O sistema sobrevive até hoje. Desde 1991, o fator diário de correção é a TR – a Taxa Referencial.

A TR

No fim da década de 1980, a inflação galopante tornou a indexação pela inflação passada ineficaz. Surgiu como alternativa, em 1991, a TR.

A TR deriva, até hoje, de uma média diária de taxas de CDBs oferecidos pelos bancos, menos um redutor. Desde 1995, no entanto, deixou de acompanhar a inflação: mês a mês, nos últimos cinco anos a TR correspondeu a cerca de metade da variação do IPCA. A remuneração modesta levou os poupadores para os fundos de investimentos e para outras opções. Hoje, a caderneta representa 12% do M4. Era 40% no fim dos anos 80.

Reforma

A TR de 1991 e o regime tributário proposto em 2009 têm um traço comum: buscaram resolver um problema imediato, preservando a taxa mensal de 0,5%. Agora, em 2012, o governo pode fazer o mesmo, ou buscar uma solução mais duradoura.

As cadernetas de poupança e o financiamento imobiliário ainda têm ligação fraca com a política monetária no Brasil. Pode ser boa ideia dar-lhes mais proximidade. Não se trata apenas de criar espaço para o Banco Central cortar juros: uma reforma mais ampla poderia melhorar o arcabouço para o financiamento imobiliário, contribuindo para o crescimento sustentado do crédito.

Guilherme da Nóbrega
Pesquisa Macroeconômica

Autor: Ricardo Gallo Tags:

5 comentários | Comentar

  1. 5 r.nunes 30/04/2012 20:01

    Parcela da poupança captada pelo Banco do Brasil é direcionada para o crédito rural.

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    • Ricardo Gallo 01/05/2012 16:10

      tem razao. se aplica somente ao bb. os bancos privados nao estao sujeitos a esta regra pelo que eu saiba.

  2. 4 Carlos 30/04/2012 18:22

    A tributação da poupança é a CPMF(disfarçada) da classe média.

    CPMF tem que ser para todos.

    Responder
  3. 3 Carlos 30/04/2012 18:18

    Conforme relatório acima.

    “As contas passaram a ter “aniversário” (todo mês, não todo ano)”

    Não lembro das contas de poupança fazerem aniversário anualmente. Não entendi !
    Na década de 1970 o rendimento era trimestral e o aniversário da conta só poderia ser no 1º dia do trimestre.
    Depois veio a remuneração mensal mas com aniversário continuando a ser sempre no 1º dia, mas agora do mês.
    Mais adiante veio a remuneração em qualquer dia do mês. O que vale até hoje.

    Tributar a poupança para ficar alinhada a aplicações que financiam a dívida pública, foi isso que entendi desculpa se estiver errado, vai trazer benefícios para os bancos e só.

    Claro que não vão tributar contas com baixo valor, + ou – 30.000,00 para baixo, querem é aplicadores nos fundos com valores altos.

    É impressionante como as medidas para “ajudar” o País a crescer sempre prejudicam da classe média para baixo.

    O rendimento da poupança é irrisório se compararmos com os vários produtos oferecidos pelos Bancos aos seus clientes.

    Responder
  4. 2 r.nunes 29/04/2012 12:14

    Caro Ricardo,

    Não podemos esquecer que a poupança também é direcionada para o crédito rural ocupando destaque no funding dos bancos aplicadores.

    Responder
    • Ricardo Gallo 30/04/2012 16:35

      poupança? eu creio que os recursos do depositos a vista saod estinados ao rural. poupança, eu creio, seja soh pra imobiliario.

  5. 1 Fabio 28/04/2012 10:08

    Tributar a poupança como forma de resolver o problema de juros e a maior besteira que se pode fazer. So vai ser mais uma receita para o governo, e não vai baratear o custo de captação para o mercado financeiro,
    Portanto, seria o mais correto o governo liberar o mercado para cada instituição financeira pagar os juro que achar melhor. O proprio mercado vai se ajustar.
    Mas juros de poupança nada tem haver com taxa selic, pois os banco nao emprestam dinheiro nessa taxa nem em sonho. O proprio governo ja esta vendendo os titulos do tesouro a juros pre-fixado. Portanto hj em dia a selic não merece mais todo o estatus que a midia tem dedicado a ela.

    Responder
    • Ricardo Gallo 28/04/2012 18:27

      é um dilema. como ha isencao de ir na poupança ela precisa ter um rendimento compativel com as outras aplicaçoes. logo eh bem provavel que governo indexe poupança ao selic ou cdi que sao proximas. com isto evita-se descasamento dos bancos e evita-se que poupança tenha rendimento acima de outras aplicaçoes pois isto criaria um fuga dos cdbs e fundos para poupança criando enormes problemas para bancos menores e outros investimentos que nao possuem este beneficio fiscal.

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