O nosso R$ e os metais: tudo a ver; juros: nada a ver | Ricardo Gallo

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011 Brasil, CHINA, Câmbio | 16:50

O nosso R$ e os metais: tudo a ver; juros: nada a ver

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O Economista Cristiano Oliveira preparou um estudo sobre a relação existente entre o preço das commodities internacionais metálicas e o valor de nossa moeda o R$. Abaixo seguem alguns trechos do estudo:

Nos últimos dois anos tem ocorrido um interessante debate a respeito das causas da apreciação do Real e de outras moedas com relação ao dólar norte-americano. Moedas de mercados desenvolvidos (por exemplo, o Franco Suíço, CHF e o Dólar Australiano, AUD) e de mercados em desenvolvimento (por exemplo, o Real Brasileiro, BRL) apresentam clara tendência de apreciação – mesmo  sendo economias com características bastante distintas.  Neste trabalho o foco esta na relação de longo prazo que parece existir entre a evolução do Real e os preços das commodities metálicas exportadas pelo Brasil – em outras palavras, procura-se responder se o BRL e, no atual contexto macroeconômico global, uma “commodity currency”.

A analise desenvolvida indica que ha evidencia que variações no preço internacional das commodities metálicas são transmitidas para a taxa de cambio nominal brasileira.  O trabalho também indica que as condições de risco do cenário global e as  condições econômicas domesticas também impactam o valor da moeda local, porem em menor magnitude.  O resultado deste estudo aponta que o forte crescimento da demanda chinesa por commodities metálicas na ultima década como um dos fatores  responsáveis pela apreciação do cambio nominal (e real) ocorrida no Brasil no período e, portanto, pelo efeito renda positivo registrado no período.  Portanto, uma eventual desaceleração da taxa de crescimento da economia chinesa pode ter importantes impactos tanto sobre o mercado financeiro quanto sobre o lado real da economia brasileira.

Os dois gráficos abaixo retirados do estudo mostram a aderência do modelo adotado por Cristiano:

No primeiro gráfico a linha azul mostra a cotação do R$  em  escala invertida, quanto mais baixo estiver o dólar, mais alto estará o gráfico  azul ( ou seja, dólar caindo indica real apreciando e faz com que gráfico azul suba) e a linha vermelha mostra a cotação das commodities metálicas desde 2003. Fica evidente que as duas linhas andam juntas. Quando commodities metálicas sobem  nosso real se valoriza e vice versa.

O outro gráfico tem duas linhas : a azul que mostra a cotação do Real dia a dia e a vermelha que mostra a cotação do R$ estimado pelo modelo do Cristiano que tenta explicar as variações da taxa de câmbio R$/US$ em função dos  preços das commodities metálicas, da volatilidade dos mercados internacionais de risco e do risco Brasil. O modelo ( linha vermelha) é bastante aderente a linha azul, ou seja, o modelo explica bem os efeitos das variáveis de risco e do preço dos metais na taxa de câmbio.

CONCLUSÃO: se economia mundial esfriar e preço das commodities cair, vamos ter um R$ mais fraco.

Agora vejam o gráfico abaixo que mostra a evolução de nossa taxa de juros reais, taxa de juro selic prevista para os próximos 12 meses descontada da inflação esperada para os próximos 12 meses, desde 2002:

Vejam que desde 2005 as taxas de juros vêm caindo de forma consistente. Caiu de 12% aa para 4%aa em 6 anos, ou seja, caiu para 1/3 do que era! E apesar disto o R$ continuou apreciando.  Em 2008 tivemos uma elevação dos juros reais em função da crise externa, que coincidiu com uma alta do dólar. Ou seja, quando o juro subiu o R$ se desvalorizou!! Logo, não há indícios que os juros elevados sejam a causa da valorização do R$.

Fica evidente que este papo de juro alto causando apreciação do R$ é meio tolo. Não há evidências factuais sobre isto. O que existe é uma relação forte entre preço das commodities metálicas e a nossa taxa de câmbio. Assim os empresários que desejem reclamar contra nosso R$ valorizado não devem fazer passeatas em frente ao BC do B para protestar contra os juros, mas sim devem ir protestar em frente à sede da Vale, da Petrobrás, dos produtores de açúcar, de café, de soja, enfim, reclame para estas empresas que exportam commodities. As pessoas confundem causa com efeito. O juro alto é a consequência de uma inflação maior causada por uma renda externa maior decorrente de nossas exportações de commodities. Se os Preços das commodities sobem,  nossa renda aumenta, o que aumenta o consumo e traz mais inflação, o que acaba demandando juros maiores.

Veja abaixo outros gráficos interessantes que mostram a evolução da taxa de crescimento anual de alguns indicadores de atividade ( IBC : índice do BC do B de atividade, em roxo;  Vendas reais no varejo, em verde; e produção industrial em laranja) desde 2003:

E o gráfico abaixo do LOG do preço dos metais desde 1998:

Marquei a mão alguns momentos que mostram o impacto do preço das commodities em nossa atividade:

  • Verde claro: economia acelera bastante de 2003 para 2004, quando commodities dobram de preço
  • Roxo: economia esfria no final de 2005, quando commodities param de subir de preço
  • Azul: economia acelera no final de 2006 e em  2007, quando preços das commodities disparam
  • Vermelho: economia afunda quando preços das commodities afundam em 2008 e 2009
  • Preto: economia acelera quando commodities aceleram  em 2010

Mas o que está acontecendo agora, onde há sinais claros de desaquecimento da economia com preço das commodities tendo ainda caído muito pouco? Provavelmente há algum fator interno que desaqueceu a economia: teria sido o surto inflacionário que estamos vivendo, que forçou o BC a apertar política monetária no começo do ano?

O fato é que este movimento de esfriamento da economia deve ter assutado o BC que iniciou campanha agressiva de cortes de juros. Contudo, se os preços das commodities voltarem a subir no ano que vem ou até mesmo se estabilizarem, a economia aqui deve se acelerar novamente e o R$ deve voltar a se apreciar. Neste cenário, com a  inflação permanecendo acima do centro da meta ainda por algum tempo, pode ser que o nosso BC seja levado a subir juros novamente no ano que vem, abortando o processo de queda iniciado há alguns meses.

Mas,  se crise lá fora piorar, commodities caem de preço, dólar sobe, juros caem mais aqui e atividade econômica piora.

Se situação lá fora melhorar, commodities sobem de preço, dólar cai de preço aqui, juros param de cair e até sobem, e atividade econômica melhora.

Agora é esperar para ver.


Autor: Ricardo Gallo Tags:

3 comentários | Comentar

  1. 2 Lafayette 03/11/2011 0:20

    Muito tem se falado sobre os 99%, mas sobre os 1% ninguém sabe ninguém viu até agora que um deles decidiu se mostrar.
    Como construir um império corrompendo o sistema político e transferindo para a mão de obra os custos da pobreza em que vivem???
    Apenas denomine FREE INTERPRISE um documentário dividido em 8 partes
    Um documentário feito por Jayme Johnson herdeiro da Johnson & Johnson
    Milton Friedman “Todo mundo tem oportunidade nesse sistema, os ricos não estão corrompendo o sistema político, eles apenas estão jogando de acordo com as regras desse sistema e isso não me incomoda, os políticos têm a opinião pública, o povo sempre tem o que quer, eles podem reclamar.”
    George W bush “Hoje quero oferecer um tributo a liberdade: Milton Friendman a mente brilhante que ajudou a desenvolver essa visão moral”
    Steve Forbes “ Não é ser egoísta quando se tem talento para alguma coisa, explorar esse talento para ser o melhor e poder ajudar outras pessoas, mas como dizia meu pai: não há nada de errado com nepotismo desde que isso seja mantido em família.”
    Adnam Khashoggi Que enriqueceu durante a década de 80 o intermediando armas no escândalo Iran contras, onde a Cia vendia armas para o Iran e com o dinheiro financiava a guerrilha na Nicarágua. “Mercador de armas foi apenas um titulo dado pela imprensa, eu trabalho com marketing nesse sistema de livre mercado.”
    Paul Orfalea fundador da Kinkos ” Quero ir a lua e ao olhar para a terra quero poder dizer: isso é parte do meu portfólio”
    As palavras do Sr. Paul soão ridículas, devemos olhar a volta e ver que tipo de portfólio essas pessoas estão construindo na terra, hoje temos milhões de trabalhadores que não conseguem viver com o que ganham e as diferenças entre ricos e pobres na história nunca foram tão grandes.
    Edward Wolff Economista na NYU “Isso explica porque em países como Colômbia, Peru, Venezuela e Brasil, rebeliões aramadas entre a pessoas de mais baixa renda têm perdurado por décadas e um senso de frustração entre os trabalhadores desses países e eu não vejo outra alternativa para eles.”
    No sistema capitalista um acionista paga 15% em impostos pelos dividendos adquiridos, no entanto um soldado lutando no Iraque ou trabalhador comum paga 40% de impostos.
    Que tal conhecer o lado obscuro do Sr. Warred Buffet que deserdou sua neta por causa desse filme, uma pessoa totalmente diferente daquela divulgada pela mídia, ou as sabias palavras de alguém muito menos conhecido o Sr. Gates pai de Bill Gates .
    Que tal conhecer o limite da paciência de Milton Friedman ou o reconhecimento que os governos não trabalham para o povo que os elege, mas para as instituições que os financiam.
    Que tal reconhecer que nos últimos 20 anos anabolizamos o capitalismo e concedemos direitos demais as grandes corporações permitindo o privilegio de se tornarem monopólios.
    Que tal reconhecer que nós não podemos continuar nesse destrutivo sistema e que teremos de parar em algum momento.
    Que tal reconhecer as sábias palavras de um negro taxista lembrando que o amor vale mais que qualquer dinheiro.
    Que tal reconhecer que entre as palavras desse curto documentário é muito difícil para os realmente ricos medir o quanto se ama um filho se este cobra de você essa medida, não pela sua visão monetária, essa visão que tem sido usada em tudo o que você tem feito e vivido desde que você nasceu.
    Que tal reconhecer que se nós nunca confrontarmos as benesses que herdamos com os problemas que disseminamos nunca encontraremos a solução.
    Que tal reconhecer que esse sistema de estratificação ou extração está extraindo o senso humanista que deveríamos adquirir com a evolução.
    (documentáro em 8 partes(em Inglês)
    parecon.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=299:one-percent&catid=40:rmdc&Itemid=95
    http://www.youtube.com/watch?v=MCNKn7JirBU&feature=related

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  2. 1 Ricardo Motta 02/11/2011 22:45

    Então o cenário é altamente complexo.Ambas possibilidades oferecem vantagens e desvantagens à economia brasileira. Eu acredito que o mais provável é uma estabilidade dos preços das comodities, devido a essa mesma complexidade e incerteza, o que certamente afetará o crescimento mundial. Mas não será uma redução aos níveis da crise de 2008. A China irá reduzir o seu crescimento, mas não será uma redução forte. A mesma coisa com os outros emergentes, incluindo o Brasil.
    A blindagem contra a crise é o mercado interno. Economias dependentes do mercado externo, ou com mercadol interno estagnado, sofrerão bem mais.

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