O “Avatar” do horário eleitoral gratuito
Devo ser o último brasileiro a ter assistido ao horário eleitoral. Fiz isso no final da semana passada, e uma coisa me impressionou acima de tudo (além da já decantada proliferação de candidatos bizarros): a superioridade do programa de Dilma em relação ao de Serra e outros candidatos.
Não é uma afirmação ideológica (até porque meu voto para presidente no primeiro turno não vai para nenhum dos dois candidatos à frente das pesquisas). É uma constatação audiovisual.
A superioridade do programa do PT em relação aos outros é desproporcionalmente maior do que a diferença de orçamento de campanha entre o partido do governo e os de oposição. É a diferença entre “Avatar” e “400 Contra Um”, o profissional e o amador, o novo e o velho, o rico e o pobre.
O programa da Dilma é publicidade, publicidade bem produzida, com fotografia “cinematográfica”, gruas, travellings e tomadas aéreas. E histórias humanas bem narradas, na linha do “Gente que Faz”. Já o programa dos outros parece… programa eleitoral gratuito dos anos 80.
Naquela década de redemocratização, lembro que o PT fazia programas bons e baratos, sem grandes recursos, mas com criatividade. Hoje, quem deveria seguir esse modelo era o PV nos programas da Marina Silva – que, até onde sei, contam com a consultoria do Fernando Meirelles. Mas os programas de Marina, que deveriam sinalizar mudança, são mais do mesmo.
A impressão que fica é que o PT faz muito com muito, o PSDB faz pouco com muito, e o PV faz pouco com pouco.
