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18/06/2010 - 17:07

Em defesa de Galvão Bueno

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Quase todo técnico brasileiro é crucificado em época de Copa. Em geral, dura algumas semanas, depois ele é esquecido. E tem sempre algum gato pingado que levanta a mão para defendê-lo. Já Galvão Bueno é massacrado desde que começou a transmitir jogos da Copa pela Globo em 1982. E é uma unanimidade negativa, não lembro de alguém vir a público para lembrar de suas qualidades. Então acho que vai sobrar pra mim.

Pra começar, é preciso elogiar o fato de que ele – ao contrário de um Dunga, por exemplo – não se ressente das críticas, nem posa de vítima. Pelo contrário, assumiu, mesmo que de forma mercadológica, o “Cala a Boca, Galvão”, e outros ataques pessoais que muita gente não perdoaria.

Depois, ele é, tecnicamente, um bom narrador. Boa voz, bom ritmo. Sem falar em excesso, nem se ausentar muito do jogo. Ele erra? Bastante. Mas pouca gente não erra ao vivo, falando de jogadores de nomes complexos de 32 nações.

O principal problema de Galvão é narrar um jogo melhor do que o espectador está vendo, especialmente em jogos do Brasil. Isso, claro, reflete interesses comerciais da emissora, é uma maneira de não perder a audiência – num sacrifício da credibilidade do narrador pelo patrão, mas também pelo público.

Mas a verdade é que poucos narradores não fazem isso. Galvão é bem menos ufanista, por exemplo, do que Luciano do Valle. Isso pode ser visto como uma herança do rádio, em que os jogadores parecem sempre na iminência do gol. Não deixa de ser um talento de ficcionista.

O problema não é Galvão, o problema é a imagem que teima em contrariá-lo. Ou seja, o problema é da seleção, que insiste em jogar um futebol mais feito do que Galvão gostaria de ver. Ele narra o jogo de Dunga sonhando com o de Telê.

Acho que a implicância com Galvão vem, em grande parte, do fato de ele estar numa emissora poderosa. Não seríamos tão chatos se ele estivesse na ESPN 8.

Outro dia, assistindo a Espanha x Suíça  narrado por Milton Leite (provavelmente o melhor narrador brasileiro há alguns anos), ele me veio com um comentário do tipo: “A defesa é suíça, mas não é como um queijo furado”. Imagine o que não diriam se a frase tivesse saído da boca de Galvão.

Por fim, existe a questão da familiaridade. Uma Copa sem Galvão, que ouço desde 1982, para mim soaria absurda. Ele é como um tio um pouco chato, que vem nos visitar de quatro em quatro anos. A gente tem preguiça de reencontrá-lo, mas sabe que seria pior se ele não viesse.

Por isso, eu digo: Galvão, não precisa calar a boca, não.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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219 comentários para “Em defesa de Galvão Bueno”

  1. [...] [18/06/2010] Olha Só – Em defesa de Galvão Bueno [...]

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