‘Soul Kitchen’ é contraponto ao filme culinário ‘fofo’
No cinema, a culinária ainda é um reduto da convenção, do erotismo pudico e do sentimentalismo desbragado. Vide alguns dos filmes mais populares sobre o tema, como “Chocolate”, “Simplesemente Marta” e “Como Água para Chocolate”.
Mas há exceções. Aqui, “Estômago”, de Marcos Jorge. Lá fora, “Soul Kitchen”, filme do cineasta alemão de ascendência turca Fatih Akin, uma das surpresas da última Mostra de São Paulo, que chega nesta sexta-feira ao circuito comercial.
“Soul Kitchen”é um belo contraponto a essa tendência, um filme sobre o universo gastronômico cheio de suingue e testosterona, estrelado por homens feios e malvados, e mulheres belas e fortes.
O protagonista é o grego Zinos (Adam Bousdoukos), proprietário de um pé-sujo chamado Soul Kitchen, localizado em uma região decadente de Hamburgo. Ele é um péssimo cozinheiro, sabe basicamente fritar congelados, ainda assim atrai uma clientela pequena, mas fiel.
Zinos está em uma fase negra: sua namorada decide morar um tempo em Xangai; seu irmão presidiário pede um emprego de fachada no restaurante para poder entrar em regime semi-aberto; um antigo amigo que virou corretor tenta sabotar o restaurante para comprá-lo por um preço baixo; e ele tem um problema nas costas que o impede de continuar cozinhando.
A solução é contratar Shayn (Birol Ünel), chef talentoso, mas casca-grossa, que faria o chef televisivo Gordon Ramsay parecer um lorde inglês. Quando tudo começa a dar certo, surgem problemas ainda maiores que ameaçam o sucesso do restaurante.
Conhecido por dramas pesados sobre choques culturais – em particular entre turcos e alemães – como “Contra a Parede” (2004) e “Do Outro Lado” (2008), Akin mostra aqui uma visão bem mais apaziguada sobre a globalização na Alemanha, com um convívio fraterno entre gregos e locais. E, sobretudo, o cineasta revela um talento insuspeito para a comédia. Ele tem timing cômico e o despudor de assumir o pastelão, quando necessário. O resultado é uma rara comédia alemã que faz rir.
A moral de “Soul Kitchen” não é tão diferente da de outros filmes sobre a gastronomia, um elogio do poder gregário e do valor cultural da culinária. Mudam, porém, as estratégias: se Akin quer mostrar que a comida pode ser afrodisíaca, ele arma uma suruba épica no restaurante. Não, “Soul Kitchen” não é um filme fino. E este é um de seus grandes méritos.

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Também não foi nada fina a pré estréia do filme no Belas Artes da Consolação no último sábado.
Faltando não muito mais do que 15 minutos para acabar o filme (que estava sensacional até então) a tal “projeção digital” da sala simplesmente TRAVOU e não voltou mais, deixando na mão eu e um monte de gente doida pra ver o final do filme. Tosco, no mínimo.
vale lembrar de o filho da noiva, com interessantes lances gastronômicos.
Acho que você tem toda razão, Ricardo. Esse é um dos méritos do filme. E, para mim, Soul Kitchen é um dos filmes mais divertidos dos últimos tempos. Super espirituoso e irônico. Adorei!
Filme sensacional , muito comico recomendo , o cara so se da mal haha, muito bem feito.
[...] Veja crítica feita por Roberto Calil [...]
sensacionalllll
Adorei o filme, e me diverti muuuito!!!! A trilha sonora, enredo, atores, tá tudo de parabéns.