Os melhores filmes do ano nunca estrearam no Brasil
Em meio a uma enxurrada de retrospectivas do ano no cinema, o cineasta Carlos Reichenbach, um habitué deste espaço, conseguiu sair do senso comum e citar um dado novo – e alarmante – em seu blog. Seus cinco filmes estrangeiros preferidos de 2009 não chegaram ao circuito comercial. Ou eles ficaram restritos a festivais e mostras, ou tiveram lançamento exclusivo em DVD ou ainda só puderem ser vistos pela internet.
São eles: “A Ressurreição de Adam” (Paul Schrader), “Vencer” (Marco Bellochio), “Erótica Aventura” (Jean Claude Brisseau), “Guerra ao Terror” (Katherine Bigelow) e “Doce Perfume – Tatarak” (Andrzej Wajda). Eu incluiria à lista ao menos “35 Doses de Rum” (Claire Denis), outra obra-prima ainda não comprada por distribuidoras nacionais. Da lista do cineasta, eu vi apenas o brilhante “Vencer” (único com previsão de estreia no Brasil, em 19 de março). Mas, confiando no olhar de Carlão e no currículo dos diretores, só podemos lamentar a cegueira dos distribuidores.
Graças a Deus existem os festivais e a internet porque, se dependéssemos apenas do circuito comercial, nunca veríamos alguns dos melhores filmes que o cinema internacional produz. Nossa cadeia de distribuição e exibição continua muito aquém do desejado.
Ah, sim, fiquei muito feliz de ver que Carlão colocou entre seus melhores do ano “O Lutador” (Darren Aronofsky), este sim lançado comercialmente, que ficou em terceiro na minha lista e, salvo engano, apareceu em pouquíssimas outras relações. Para mim, é o campeão entre os filmes mais subestimados de 2009.
Aproveito este post para me despedir dos leitores que me aguentaram neste ano. Estarei de volta em 4 de janeiro, com a esperança de que 2010 seja um ano melhor para o cinema, especialmente o brasileiro.
Um abraço e até já.
Nesta sexta-feira, houve a estreia de nada menos do que seis filmes brasileiros, quatro deles documentários: “BR-3 – A Peça”, “BR-3 – O documentário”, “Diário de Sintra”, “Embarque Imediato” (na foto à esq., com Jonathan Haagensen e Marília Pêra), “Ouro Negro” e “Praça Saens Peña”. Um sétimo, “O Retorno”, estreou no Rio de Janeiro, depois de encerrar carreira em São Paulo.