Uma Mostra ao estilo Ronaldo
Se não contarmos a repescagem, a Mostra de São Paulo terminou nesta quinta-feira, o que significa que chegou a hora do balanço. O meu dificilmente poderia ser mais positivo. Vi mais bons filmes nessas duas últimas semanas do que em todo o resto do ano.
Para mim, foi uma Mostra ao estilo de Ronaldo em sua atual fase: só indo na boa, sem muita correria, sem desperdício de energia, mas com alta porcentagem de aproveitamento. Dos muitos chutes que dei, a maioria balançou a rede; alguns foram golaços, pouquíssimos erraram o alvo.
De canelada mesmo, só um: “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”, filme de despedida de Heath Ledger, que não ficou à altura do talento do ator. No campo do não cheira e nem fede, “Distante Nós Vamos”, tentativa de Sam Mendes (“Beleza Americana”) parecer indie, e o superestimado “À Procura de Eric”, uma Sessão da Tarde à moda socialista de Ken Loach.
Daí em diante, minha lista só tem filmes que vão do bom à obra-prima. Nesta última categoria, estão “Vencer”, épico político que comprova que o italiano Marco Bellochio virou mestre, e “35 Doses de Rum”, em que a francesa Claire Denis mostra que se tornou uma das diretoras essenciais da atualidade.
Dos cineastas consagrados, vieram o delicioso “Singularidades de uma Rapariga Loira”, em que o centenário Manoel de Oliveira revela ainda ter fôlego de garoto, e “Abraços Partidos”, obra menor de Almodóvar, mas ainda assim muito acima da média.
A Mostra nos brindou ainda com os dois melhores filmes até aqui de cineastas que decidiram se arriscar fora de sua zona de conforto: “O Fantástico Sr. Raposo”, belo passeio do americano Wes Anderson pelo mundo da animação, e “Soul Kitchen”, incursão do alemão Fatih Akin pela comédia.
De novos cineastas, duas boas surpresas: “Dente Canino”, fábula de humor nonsense do grego Yorgos Lanthimos, e “Os Famosos e Duendes da Morte”, estreia muito promissora em longas do brasileiro Esmir Filho, diretor do curta “Tapa na Pantera”.
No final das contas, esta edição da Mostra me ajudou a recuperar um tanto da minha fé no cinema, que andava abalada por um ano muito fraco do circuito comercial.

Faltou sem sombra de dúvida Mother que pra mim superou até mesmo o Palma de Ouro desse ano.
Olha, normalmente eu não sou chato com lance de português.
Agora, “em que a francesa Claire Denis comprovou que é dos diretores essenciais da atualidade.” e Dos cineastas consagrados, VEIO o delicioso “Singularidades de uma Rapariga Loira”, em que o centenário Manoel de Oliveira mostrou fôlego de garoto, e “Abraços Partidos”… aí já fica dose.
E ainda tem mais, mas não quero ser chato. Que outro aponte.
Roberto, você tem toda a razão. O texto revela o cansaço pós-Mostra. Obrigado pelos toques. Estão corrigidos. Um abraço, Ricardo
Ricardo, reli meu comentário e peço desculpas por meu mau humor. Deve ser esse calor. Sorry.
Que o senhor Ken Loach ao menos pare com essa cascata de dizer que “nunca viu ‘Sonhos de um sedutor’”. Conta outra, mano