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03/11/2009 - 22:44

“Soul Kitchen” foge dos clichês do “cinema culinário”

soulkitchen

É difícil falar de um filme sobre o universo da culinária sem recorrer a algum tipo de clichê: uma obra açucarada ou sem sal, para paladares finos ou de sabores exóticos, com receita bem temperada ou que desandou e assim por diante.

selo_mostraMais difícil do que escrever a respeito, só mesmo filmar esse universo. O cinema gastronômico é um campo fértil para o estereótipo: a comida como fonte da sensualidade, como celebração do prazer, como bastião da identidade cultural.

Mesmo os filmes mais estimados sobre culinária são vítimas desse problema, como “A Festa de Babette” (1987), “Como Água para Chocolate” (2000), “Chocolate” (2000) e “Simplesmente Martha” (2002). E a grande virtude de uma animação como “Ratatouille” (2007) é justamente saber trabalhar bem com os clichês. É uma sina parecida com a do futebol: o cinema ainda não gerou produtos à altura do tema.

Nesse cenário, “Soul Kitchen” – que será exibido pela Mostra nesta quarta-feira, às 14h50, no Arteplex – é uma bem-vinda exceção. Uma rara comédia alemã que nos faz rir, dirigida por Fatih Akin, mais conhecido por seus dramas pesados (“Contra a Corrente”, “Do Outro Lado”). Um filme rock and roll sobre comida, estrelado por homens rudes e mulheres bravas.

O protagonista é o grego Zinos (Adam Bousdoukos), proprietário de um pé-sujo chamado Soul Kitchen, localizado em uma região decadente de Hamburgo. Ele está em uma fase negra: sua namorada decide morar um tempo em Xangai; seu irmão presidiário pede um emprego de fachada no restaurante para poder entrar em regime semi-aberto; um antigo amigo que virou corretor tenta sabotar o restaurante para comprá-lo por um preço baixo; e ele tem um problema nas costas que o impede de continuar cozinhando. A solução é contratar Shayn (Birol Ünel, de “Contra a Parede”), chef talentoso, mas totalmente casca-grossa, que ofende clientes e atira facas no dono do restaurante.

Shayn não lembra nenhum cozinheiro do cinema. Mas remete a chefs de programas de TV, como o escocês Gordan Ramsay (“Hell’s Kitchen”), e de livros, como o americano Anthony Bourdain (“Cozinha Confidencial”). Graças a ele, “Soul Kitchen” liberta o cinema de algumas das principais armadilhas dos filmes culinários, daquela velha combinação de elitismo e sentimentalismo, de frescura e convenção. Para não fugir ao clichê, um filme deveras saboroso.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:

4 comentários para ““Soul Kitchen” foge dos clichês do “cinema culinário””

  1. Raphael Silveira disse:

    Esse filme é mesmo muito bom. Edição competente, trilha sonora alucinante e narrativa envolvente. Humor fino e sutil, com direito a situações hilárias, lembra um pouco “Em Julho”, também de Fatih Akin, que eu recomendo. Ao lado de Tom Tykwer (Corra Lola, Corra e O Perfume), é um dos melhores diretores do “novo” cinema alemão.

  2. Silvio Souza da Silva disse:

    Prezado Ricardo Calil, “Como Água para Cholate”, filme de extrema sensualidade, usa a culinária apenas como cenário.

  3. estevão disse:

    esse filme vai passar nos cinemas dos shoppings? quando?

  4. Martha disse:

    Ricardo, você esqueceu de mencionar o genial “Estômago”!

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