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01/11/2009 - 21:44

“Dente Canino” é ataque certeiro à correção política

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Se você ainda não viu “A Vila” (2004), de M. Night Shyamalan, pode parar de ler agora, porque aqui vai um spoiler. Se já viu, sabe que o filme é sobre uma comunidade de pessoas que decide criar seus filhos isolados do resto do mundo, sem que estes saibam o que se passa lá fora.

selo_mostraO grego “Dente Canino” – que ganhou o prêmio de melhor filme na mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes e será exibido pela Mostra de São Paulo hoje, às 22h, no Cinemark Eldorado -  tem trama bastante parecida. Mas, em vez do terror poético criado por Shyamalan, o cineasta Yorgos Lanthimos trata seu tema com um humor absurdo.

Nos arredores de uma grande cidade grega, um casal cria seus três filhos – duas mulheres e um homem, já adultos – totalmente isolados, sem permitir que eles jamais deixem os limites da casa ou que sejam expostos ao mundo externo, via TV ou internet. Os pais ainda dão significados novos para palavras de conotação sexual ou violenta. Zumbis, por exemplo, viram flores pequenas e amarelas. O resultado é que os filhos comportam-se como crianças grandes.

A única pessoa de fora que pode entrar na casa é Christina, segurança da fábrica do pai que de tempos em tempos satisfaz as necessidades do filho. É ela quem traz as influências do mundo exterior, como fitas de “Rocky, o Lutador” e “Flashdance”, que acabam provocando um curto-circuito na cabeça dos filhos.

A princípio, é difícil embarcar no humor nonsense de “Dente Canino”. Mas o filme acaba te ganhando ao final com um par de cenas memoráveis – como aquelas em que as filhas tentam reproduzir as principais cenas dos filmes recém-descobertos. Ao final, a produção grega é um ataque certeiro à educação politicamente correta, à ideia de que é melhor não expor os filhos aos males da linguagem chula e da cultura pop.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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