Heath Ledger merecia despedida melhor

“O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”, último filme de Heath Ledger e atração da Mostra de São Paulo, é uma tremenda bagunça. E isso não tem nada a ver com o fato de o ator australiano ter morrido antes de concluir sua participação no filme. Pelo contrário, a saída para compensar sua ausência – a utilização de três atores, Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, para substituir Ledger em diferentes cenas – foi muito bem sacada e é um dos pontos altos da produção.
O problema de “Dr. Parnassus” é de outra ordem – e é recorrente na obra do diretor Terry Gilliam. Mais uma vez, ele concentra esforços no visual e descuida da narrativa. Já havia acontecido, por exemplo, com “As Aventuras do Barão de Munchhausen” – cuja estética rococó lembra bastante a de seu novo filme.
Dr. Parnassus (Christopher Plummer), dono e atração principal de uma companhia de teatro mambembe, esconde vários segredos. Um deles: por meio de um espelho mágico, é possível a qualquer um entrar dentro de sua imaginação. Outro: em uma aposta, perdeu sua filha (Lily Cole) para o diabo (Tom Waits), e este está prestes a cobrar o pagamento.
A única pessoa que parece capaz de ajudá-lo é um milionário desmemoriado que se integra à trupe, papel de Ledger. As sequencias em que ele é substituído por outros atores são aquelas em que o personagem entra no imaginário do dr. Parnassus. Como o tom dessas cenas é bem diferente das demais, a mudança de atores acaba soando natural.
O último papel de Ledger não está entre seus trabalhos mais memoráveis, como os de “O Segredo de Brokeback Mountain” ou último “Batman”. Mas o problema não é seu, mas da bagunça à sua volta. Gilliam cria um filme com alguns momentos de brilha, mas com uma narrativa frouxa, desconjuntada e monocórdia. Ledger merecia despedida melhor.
“O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus” será exibido neste sábado, às 21h50, no Unibanco Arteplex, e domingo, às 14h, no Unibanco Pompeia. Para informações sobre as outras exibições, confira o site oficial.
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Creio que você é o crítico de cinema mais lúcido da atualidade. Parabéns!
O Pablo Villaça tinha escrito uma crítica muito parecida com essa.
concerteza ele merecia
Acho que a estica cái bem ao que o filme se propõe e Terry Gillian, apesar de ser um pouco azarado com seus filmes, é um bom cineasta… Não se pode jogar este filme todo no lixo e é sim uma boa despedida para Heath Ledger, contando com a colaboração/homenagem de ótimos atores como Johnny, Jude e Collin…
Dar glória a um ser que não fez nada de bom,insignicante. Apenas um drogado, que não acrescenta nada na vida de ninguém .
Os filmes do Terry Gilliam sempre são uma verdadeira bagunça. Uma das poucas coisas a se aproveitar neles é a excelente qualidade técnica das obras.
Quem não comete erros, que atire a primeira pedra. Heath era um bom ator, que num momento ruim colheu um dardo flamejante do inimigo de nossa alma.
Para o senhor Paulo: nunca julgue os outros, voce não è Deus, voce não è perfeito! Pelo menos o Heath Ledger era um sujeito talentoso, que deu alegrias aos fãs com papèis memoràveis.E voce, o que è? recolha-se à sua insignificancia .O ator deixou um legado que serà sempre lembrado.Voce è um zero à esquerda.
Pro Paulo: você conhecia ele pra julgar com tanta certeza que ele era um drogado? Drogado OU não, na frente das câmeras ele esbanjava talento. E é isso o que importa, já a vida pessoal não me interessa.
Não é momento de se julgar uma pessoa que já se foi, infelizmente. O que está em questão é o filme. Mas já que tocou no assunto, deve conhecer beem a história do Heath pra saber que ele era uma drogado, pq a gnt só fala daquilo que conhece ! É um ator incrível que vai fazer mt falta !