Vale a pena viver para ver os filmes de Tarantino
Há quem ache que vale a pena viver para acompanhar os filhos crescendo. Outros querem continuar vivos para ver as próximas Copas do Mundo. Os dois motivos me parecem justíssimos, e eu me confraternizo com a maioria das pessoas nesse desejo.
Mas eu acrescentaria à minha lista mais uma razão fundamental para permanecer sobre a Terra nos próximos anos: assistir aos filmes de Tarantino. É um privilégio pensar que eu ainda verei um punhado de filmes inéditos do cineasta nesta encarnação – se o mundo não acabar, se a vida permitir, claro.
Depois de rever “Kill Bill 2” na TV e ver “Bastardos Inglórios”, duas obras-primas no espaço de uma semana, cheguei a uma conclusão talvez tardia, mas definitiva: Tarantino é meu cineasta de estimação. E acho que não estou sozinho nessa escolha.
Seria possível marcar as várias fases da minha vida adulta com os os filmes de Tarantino: revelação (“Cães de Aluguel”), deslumbramento (“Pulp Fiction”), desconfiança (“Jackie Brown”), desilusão (“Kill Bill 1”), conciliação (“Kill Bill 2”), maturidade (“Bastardos Inglórios”).
Tarantino é o diretor que mais se aproxima da minha visão de mundo: uma atitude desconfiada em relação às pessoas, uma crença inabalável nos filmes. E “Bastardos Inglórios” é sua maior profissão de fé no cinema como local de resistência, com sua história de perseguidos do nazismo que planejam um atentado contra Hitler em uma sala de Paris.
Tarantino é também, e agora me arrisco a falar não apenas por mim, o cineasta que melhor traduz o modus operandi de uma geração, com sua obra baseada no conceito de remixagem de influências para criar um produto original.
“Bastardos Inglórios” é o ponto mais maduro desse processo, uma sucessão de cenas brilhantes que remete a tantos outras da história do cinema, mas é, ao mesmo tempo, puro, clássico, inegável Tarantino.
A maturidade do cineasta, graças a Deus, não tem nada de sisuda, circunspecta. Pelo contrário, é uma celebração irreverente e iconoclasta do prazer de fazer filmes, de estar vivo.
O que me leva de volta ao início deste texto: se Tarantino fez 7 longas em seus primeiros 17 anos de carreira e se eu espero viver mais umas quatro décadas, acho que devo ver mais 15 filmes do meu cineasta de estimação. Vale a pena insistir.
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:
EEEEca ! Gênio ? Vale a pena viver para ver violência gratuita, sadismo, apologia à vingança ? Nunca soube o que as pessoas vêm nesse cara, mas depois dessa vou me candidatar a ir pra Marte ou tentar arranjar uma ilha deserta e distante pra viver.
Não gosto de vegetarianos, pessoas que não bebem e que não gostem de Tarantino.
Não gosto de vegetarianos, pessoas que não bebem e que não gostam de Tarantino.
Gosto muito de ver os filmes de Tarantino e estou ansiosa para assistir ” Bastardos Inglórios”. Trabalha com atores maravilhosos e trilha sonora de arrepiar os cabelos! Adoro!!!
Em resposta a Fábio Negrão Balby, só posso dizer que provavelmente ele (como a maioria das pessoas que não gostam de filmes do Tarantino) não entendeu o que se passa nas obras do cineasta. “Violência gratuita, sadismo, apologia à vingança” são coisas presentes em quase todos os filmes de ação contemporâneos, vale ressaltar. O problema é que nenhum deles sequer chega perto da riqueza dos diálogos, dos detalhes e do roteiro como ideia original que sempre encontramos nos filmes do Quentin. Creio que seja mesmo difícil para uma pessoa “normal” acostumada a ver os filmes clichês de “mocinho versus bandido” com finais felizes, recheados de diálogos forçados, piadas pré-fabricadas em meio a cenas de luta e carregados de “efeitos-especiais-belos-que-suprem-um-roteiro-horroroso” apreciar obras como Pulp Fiction. Não, obrigado, prefiro ser anormal.
Calil, o Tarantino não é um dos meus cineastas favoritos, mas admiro muito o cinema dele. Acho que ele é um dos mais brilhantes a surgir na última década e tem aquela qualidade que caracteriza o cineasta de autor.
Seus filmes possuem identidade. “Bastardos Inglórios” é sensacional. Um dos melhores filmes de 2009!
Apoiado, chefe! E digo mais: Quem não gosta de Tarantino, geralmente, maleta é…
Basterds, como todo santo filme do Tarantino, eh diversao de primeira. Nao coloco na minha lista de motivos pra continuar viva, mas enquanto respirar, vou assisti-los, sem duvida!!!!
Calil, meu caro, vi ontem os Bastardos e concordo: obra-prima. Talvez o melhor chanchadão de todos os tempos. Abraço!
Que deslumbre com o boquinha de sovaco! Ele só faz filme de entretenimento.
A seqüência final de “Bastardos” (ou capítulo 5) é uma espécie de utopia em retrospecto. Hitler, Göebbels, Borman, Göring (Himmler estava?), todo o Alto Comando nazista, eminentes colaboradores franceses, a escória toda dentro de um cinema sendo metralhada, queimada e explodida num atentado articulado por uma judia que teve a sua família assassinada. E mais, anunciando na tela o que viria acontecer. Meu Deus, como eu gostaria que isso tivesse acontecido!
Quem acha Tarantino violento deve prestar atenção no primeiro capítulo. O ritmo lento pontuando o crescendo de drama e desespero do francês é a parte mais, digamos, sádica do filme.