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13/08/2009 - 19:29

Entrevistando Glória Perez

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Os jornalistas que se revezam entre a reportagem e a crítica acabam enfrentando várias saias justas ao longo da carreira. Como, por exemplo, entrevistar pessoas cujo trabalho havia criticado anteriormente. O problema não é tanto como os outros reagem (quase todos se comportam de maneira elegante, muitos nem ficam sabendo das críticas), mas sim como você se sente antes, durante e depois do encontro.

Eu me deparei mais uma vez com essa situação ao entrevistar Glória Perez, autora de “Caminho das Índias”, para as Páginas Negras da revista “Trip” deste mês. Já escrevi algumas vezes sobre o trabalho de Glória neste blog, com um misto de admiração, ironia e perplexidade diante da imaginação febril da autora. Mas não sabia muito o que esperar de um encontro ao vivo.

Bom, o resultado você já pode ver no site da revista. Glória falou com uma franqueza bastante impressionante sobre temas bastante difíceis, como a luta contra um linfoma e o assassinato da filha Daniella Perez (numa declaração que vem circulando em jornais e revistas, ela conta que uma facção criminosa se ofereceu para matar os assassinos de Daniella se Glória dissesse uma palavra específica em qualquer entrevista para a TV).

Para um blog de cinema e televisão como este, talvez interesse mais sua defesa de seu estilo como novelista: “A vida das pessoas implica essa fantasia, os sonhos, os devaneios. Por isso elas se reconhecem no fantasioso. E o fantasioso, na novela, é uma forma de mostrar o real. A imaginação é uma característica do folhetim. Acho engraçado quando algumas pessoas, até com ar acadêmico, acusam minhas novelas de ter muito gancho, muita imaginação. Mas folhetim é isso. Você dizer que uma novela peca por ter muito rocambole é como condenar o soneto por ter rima. Você lê o Balzac, tem aquela descrição psicológica divina, mas daí a mocinha é raptada pelo pirata. Você acha que ele fazia por quê? Porque tinha que vender o jornal no dia seguinte. E eu tenho que vender o capítulo do dia seguinte. O folhetim exige por definição que o sensacional se sobreponha à coerência.”

Ao final do encontro com Glória, aconteceu algo imprevisto: comecei não só a gostar dela, como a entender melhor – e a gostar mais de – seu trabalho. Como acontece frequentemente nesses casos, o pessoal e o profissional começaram a se confundir. Portanto, não acredite muito no que eu escrever sobre “Caminho das Índias” daqui em diante. Já não sou mais imparcial. De qualquer forma, a novela nunca me pareceu tão boa e fez tanto sentido quanto agora.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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53 comentários para “Entrevistando Glória Perez”

  1. João Campos disse:

    Caro Calil, você acha que existe alguém imparcial??? Relaxe, todos nós somos parciais. Um dia somos inteligentes noutro idiota; em um momento comportamos como racionais em outro momento somos pura emoção…Parabéns pelo comentário. Até mudou meu modo de criticar a novela: estava achando muito caricatural. Depois do que li entendo melhor o conteúdo do folhetim.

  2. Helcio Muniz disse:

    Gosto das novelas de Gloria Perez. Caso ela queira enviar seu endereço daria lagumas sugestões sobre Bahuan que tem casta;Maya que morre de parto do filho de Raj; da morte do filho de Maya/Bahuan; confissão de Maya na hora da morte sobre Surya que tem barriga falsa; Yvone que foge para Dubai e recebe de Radesh um embrulho que é detonado por controle remoto; sobre a prisão de Radesh e Mike que são terroristas que juntamente com Yvone arrecadavam fundos para uma organização terrorista; Gopal é policial, etc…

  3. Cláudio disse:

    Toda novela tem sido mesma história. Podiam mudar um pouco.
    Ia ser bacana. É sempre assim: mocinha se apaixona pelo mocinho, mas antes de ficarem definitivamente juntos ela vai ter que dar pra outro. O mocinho sempre pega “a sopinha” de outro.

  4. Fernando disse:

    É verdade! um dia podiam criar uma heroína que só deita com quem ela ama e é um só a novela inteira. Ia ser original e inteligente. Chega de “heroínas” que pulam de galho em galho.

  5. Cássia disse:

    Já basta a “cruel” realidade em que nós vivemos todos os dias, com corrupção sem punição, com desmandos e a enorme ignorância que impede que nosso país se desenvolva como deveria. Um pouco de fantasia não faz mal à ninguem.

  6. Anderson disse:

    Acho lindo uma novela reverenciando uma religião que desde 2007 vem perseguindo matando incendiando casas obrigando a pessoas se refugiarem nas matas só pelo fato de serem cristãs, basta pesquisar “perseguição na India” e saltam casos, mas na novela não aparece o rio ganges com corpos boiando, mais poluido que o tiete e pessoas se purificando em suas águas, nem mostra os 98% da população que é miseravel e presa ao sistema de castas, na novela o ouro brota das gavetas, não sei o por que de reverenciar e exaltar tanto uma religião que não prima nem pela higiene ou justiça social e que vem perseguindo, matando e estuprando até freiras, e empurrar ela guela abaixo da população de um país predominantemente cristão que infelismente não tem acesso a esses fatos mas a autora tem e poderia citar pelo menos em memória as vítimas.

  7. PAULO disse:

    Parabens Ricardo Calil, é preciso ter coragem para admitir o que voce acabou de admitir. Isso é raro, mas bem proprio de pessoas de bom senso. Eu pra ser sincero não gosto da GLORIA PERES, mas gosto do trabalho dela e assisto todos os dias o CAMINHO DAS INDIAS.

  8. Denise disse:

    Parabéns Ricardo! Belo trabalho, eu também mudei minha opinião sobre você.

  9. leao disse:

    pra mim quem discute novela é tão imbecil quanto o autor de novelas

  10. Cleyde Vânnia disse:

    Critiquemos as novelas, que as vezes são nostálgicas, mas não comparemos com a dor da perda de um filho. Não absorvi essa experiência e nem sei como é a dor, porém acredito ser uma imensa uma dor que dilacera a alma. Deem opiniões contra ou a favor das novelas, ou mesmo colocando a culpa nela, mas vale salientar que quem conhece o digno, o certo, não vai tentar seguir o errado, contradizendo suas crenças. Hoje queremos um bode expiatório, e bem sabemos que ele mora conosco e é chamado de livre arbítrio.

  11. Anisio Custodio disse:

    Grande Gloria Perez, acho contudo que deveria mudar um pouco sua maneira de abordar assuntos, enfatiza muito, bate na mesma tecla com excesso chegando a desgastar o tema, Sendo trabalhos dirigidos a todas as camadas da sociedade não se sabe de que maneira a enfatização de um assunto pode ser digerida por algumas pessoas que podem transformar o debate polemico em incentivo a cometerem delitos. Assim enfatizou tanto as brigas entre sua filha e seu augor que este por falta de personalide veio a cometer o crime que chocou o pais. Sendo inteligente como é creio que pode mudar um pouco sua abordagem. Existe sem duvida um incentivo a pratica de sexo, traição, artimanhas criminosas e outros em seus trabalhos. Acho que ela ja recebeu inumeros sinais que deve mudar um pouco. Claro isso não tira dela a genialidade e grande mulher que é, exemplo de luta para quem realmente consegue capitar suas mensagens. Contudo nem todos entendem.

  12. antonio carlos disse:

    dois pontos:
    1- eu no lugar dela teria dito a palavra específica..
    sem ficar com meus ideais ou preocupado se estava certo ou errado.. ” DIREITOS HUMANOS AOS HUMANOS DE DIREITO”
    2- quanto ao assunto novela, discordo um pouco, ,,novela, filme , peças e tal,, claro que devem ter uma expressão de fantasia,, mas acho que essa fantasia deve ter fundamento na realidade, eu me sinto traído quando vejo certos temas, certas cenas, onde sei que na vida real não é assim,, se a intenção é mostrar abordar temas polêmicos, ajudar em algum assunto difícil,, como vai se fazer fantasia com esses assuntos,,, A NOVELA , DEIXOU DE SER NOVELA E PASSOU A SER DOCUMENTÁRIO, POR TANTO FORMADOR DE OPINIÃO.
    um abraçoa todos..
    Antonio Carlos

  13. Adriano disse:

    Assim como vc admirou a sinceridade da Glória, admiro a sua! rs

    Parabéns!

  14. fafinha disse:

    Falando em Manoel Carlos, por favor, alguém avisa a ele que esse negócio de HELENAs e mais HELENAs já encheu…

  15. Rosana disse:

    Esta mulher é duro na queda! Mas acho que a melhor novela que ela fez foi “O Clone”. Parabéns Glória Perez!

  16. carlos alberto disse:

    bom dia
    eu só não posso concordar que o personagem Raul possa sair ileso desta trama.Afinal ele se envolveu com uma mulher, cometeu adultério, falsidade ideológica, praticamente deixou sua esposa e filhas á mingua, gastou e se divertiu á beça apenas por um capricho e a autora ainda vai livrar sua pele, deixando ele de vítima? Teria queser preso pelo menos uns 20 anos e só depois de tudo isso, aí sim ele sairia da cadeia e tentaria reconstruir sua vida , mas bem longe da família. Será que não existe mais leis neste país chamado Brasil?

  17. Jeronimo disse:

    Não acompanho mais as novelas,tenho coisas melhores para fazer. Mas, outro dia, assisti uma parte de um capítulo de “Caminho das Indias” e logo desisti, pois não entendia o que os personagens estavam dizendo.
    Quanto á Glória Perez,como novelista tenho uma implicancia com as personagens dela: a maioria são mulheres psicológicas, mentais e financeiramente dependente de homens.
    Será que essas mulheres não estariam sendo um subconsciente da autora?

  18. Chico Andrade disse:

    Muito bom seu artigo.
    Glória Perez surpreendeu. Parece ter encontrado uma boa alternativa nos caminhos (sem trocadilho) de uma novela. Eu estava entre os que não gostavam de suas montagens. Mas, confesso que essa eu acompanho. Esse filão de mostrar outras culturas é interessante. Sem jamais deixar de ser um folhetim.
    Parabéns pelo artigo. Parabéns para a Glória.

  19. robson disse:

    As novelas usam uma forma repetitiva mas que não enjooam.É incrável! , a mais de 40 anos vemos os mocinhos e mocinhas sofrem durante 6, 7 ou 8 meses , pra se vingarem , apenas na ultima semana. Pra mim , a trama em si parece ficar em segundo plano , o que gostamos é de ver as modelos , os galãs , a ostentação do luxo …acho que assitindo um bela ceia de natal de uma novela nos sentimos por alguns instantes parte daquilo…por isso que, pra mim, as novelas tem vida longa.

  20. Lili disse:

    eu tbm diria a tal palavra especifica ._.

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