Adeus a Budd Schulberg, gigante do cinema
Budd Schulberg escreveu um dos melhores roteiros da história (“Sindicato dos Ladrões”) e um dos mais brilhantes livros sobre os bastidores Hollywood já feitos (“O que Faz Sammy Correr”). Esses dois trabalhos bastam para garantir seu lugar no panteão dos grandes do cinema.
O escritor norte-americano morreu ontem, aos 95 anos, em Long Island. Filho de um produtor de Hollywood, ele escreveu também o roteiro de “Um Rosto na Multidão” e o romance “The Harder They Fall”, entre outras obras.
Mas seu trabalho mais lembrado é mesmo “Sindicato dos Ladrões” (1954), pelo qual ganhou o Oscar de melhor roteiro. Com sua história sobre um ex-boxeador (Marlon Brando, naquela que é talvez sua melhor interpretação) que se volta contra seu irmão sindicalista, o filme é visto por muitos como um argumento a favor da delação.
Muita gente acha a ideia foi criada pelo diretor Elia Kazan para “justificar” porque ele havia denunciado seus ex-colegas do Partido Comunista ao Congresso americano. Mas foi Schulberg, que teve exatamente a mesma trajetória político de Kazan e teve que conviver depois com a mesma fama de delator, quem criou a história do filme.
Vale a pena dar uma olhada na entrevista em vídeo feita pelo “New York Times” com Schulberg. Ela termina com a resposta à clássica pergunta sobre como ele gostaria de ser lembrado no futuro:
“Como alguém que usou sua habilidade como escritor para dizer as coisas que ele acreditava que deveriam ser ditas sobre a sociedade. E, ao mesmo tempo, alguém que se esforçava para torná-las divertidas, senão ninguém iria ouvir”.

E agora morre o John Hughes. Viu lá? http://www.tmz.com/2009/08/06/john-hughes-dies/
Ricardo Calil: então o Budd Schulberg foi um dedo-duro? Dele, adorei o romance “Os desencantados”, baseado em sua relação com Scott Fitzgerald em Hollywood, assim como o livro de ensaios “As quatro estações do sucesso”, publicado no Brasil pela editora Tempo Brasileiro.
Antônio