Novo “Harry Potter” é uma ponte entre episódios
A série “Harry Potter” é uma história sobre o rito de passagem da infância para a adolescência de seu protagonista. Nesse aspecto, ela é parecida com centenas de outras histórias da literatura. Mas é também uma obra sobre a formação de Harry como um aprendiz de magia em Hogwarts. Nisso, ela é única.
O grande erro de “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, o novo filme da série, que estreia agora no Brasil, me parece ser investir muito mais naquilo que a torna comum do que naquilo em que é inigualável. Ou seja, a produção aposta mais nos pequenos dramas juvenis de Harry e seus amigos, especialmente seus desencontros amorosos, do que no universo fantástico criado por J.K. Rowling.
Não que seja um mau filme. Longe disso. A direção de David Yates é digna e os atores parecem cada vez mais confortáveis em seus papeis. Mas os acontecimentos realmente importantes da trama – como a morte de um personagem essencial – são tocados de maneira um tanto burocrática, quase anticlimática. Não é o pior da série, mas não funciona muito como um trabalho autônomo. “O Enigma do Príncipe” deixa a sensação de ser um filme de ligação entre episódios mais importantes. Em resumo, é uma ponte. Sólida, mas sem muita graça.

