Documentário sobre Kurt Cobain deveria ser audiolivro
“Kurt Cobain – Retrato de uma Ausência”, que estreia nesta sexta-feira no Brasil, seria melhor se fosse um audiolivro, não um filme. Explico: o documentário sobre o líder do Nirvana, que se matou em 1994, baseia-se em 25 horas de entrevistas em áudio dadas por Cobain para o crítico musical Michael Azerred, que escreveu o livro “Come As You Are”.
As declarações de Cobain são essenciais. Ele fala abertamente sobre tudo: infância, adolescência, início de carreira, explosão do Nirvana, problemas físicos, emocionais e com drogas, a relação com a mulher Courtney Love, as crises com o sucesso. E o cantor se revela um personagem sensível o suficiente para interessar a qualquer espectador, mesmo que não seja fã do Nirvana.
Por outro lado, as imagens do filme são irrelevantes. Para preencher os 96 minutos de entrevistas editadas, o diretor AJ Schnack fez uma opção estranha. Em vez de usar arquivos sobre Cobain (talvez por falta de material pré-sucesso do Nirvana, talvez por falta de direitos autorais), ele decidiu ilustrar as palavras com cenas cotidianas filmadas em cidades onde o cantor viveu. Se Cobain fala que trabalhou limpando lareiras de hotel, mostra-se uma cena de alguma pessoa limpando lareiras – e assim por diante. Ou seja, o filme é sobre um roqueiro americano, mas seu literalismo é praticamente lusitano.







