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08/07/2009 - 00:45

“Som & Fúria” é sobre política, não sobre arte

É arriscado, talvez injusto, analisar uma minissérie pelo seu capítulo de estreia. Mas o primeiro dos 12 episódios de “Som & Fúria”, dirigida por Fernando Meirelles e exibida pela Globo, me pareceu em essência um ataque direto à cultura “oficial” brasileira; ou seja, aquela patrocinada pelo Estado e empresas via leis de incentivo fiscal.

De forma não muito sutil, a trupe que protagoniza a minissérie foi batizada de Companhia de Teatro do Estado. As situações do primeiro episódio fazem piada com o que seriam as figuras emblemáticas da cultura “oficial”: o diretor artístico vendido ao sistema (Pedro Paulo Rangel), o diretor financeiro que só quer saber de patrocínio (Dan Stulbach), a funcionária da secretaria de Cultura que só pensa no mercado (Regina Casé), o patrocinador que não entende a peça o que está apoiando e assim por diante. Em contraposição, surge o diretor teatral preocupado apenas com a arte (Felipe Camargo).

O primeiro capítulo deixou a sensação de ser muito mais sobre política do que sobre arte, de estar mais interessado na Rouanet do que em Shakespeare. Nesse sentido, será ingênuo lembrar que os co-produtores da minissérie – O2 e Globo – são beneficiários da cultura “oficial” que a minissérie ironiza?

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:

55 comentários para ““Som & Fúria” é sobre política, não sobre arte”

  1. Yaiá Garcia disse:

    “Que assim seja”

    mas acredito que ainda é cedo para já “taxar” a minissérie.

  2. Paulo disse:

    O problema é que se trata de uma série canadense. É um realidade tão distante da nossa que não há meio de comparação. Essa realidade simplesmente não existe no Brasil. Esse tipo de companhia teatral pode ser encontrado tb na Europa, mas não aqui. Imagine fazer uma CSI-Musambinho… com super investigadores forenses… em Musambinho… ridículo.

  3. leo guerra disse:

    MAIS UMA GRANDE PORCARIA DE BURGUESES ESNOBES E PRETENSIOSOS
    ESSA TURMA DAS ´´ARTES´´ EM GERAL SAO A FALSIDADE EM PESSOA NA VERDADE ESTAO INTERESSADOS NA GRANA E EM ENGORDAR SEU EGOS HIPERTROFIADOS…

  4. rosa disse:

    Bom, política ou não, cópia ou não ( q aliás eh citada ao final, nos caracteres ), sem ser redundante em falar da câmera do Meirelles, mas apenas saliento o elenco.
    O que foi aquilo em colocar na série “Tangos e Tragédias” ( Ique Gomez e Nico Nicolaiewsky ), como disse minha mãe, ” a dupla da brastemp” ( Wandi ), ótimos atores, muitas vezes esquecidos do público (povão) brasileiro.
    Bom, vamos aguardar mais alguns capitulos e depois nos vemos por aq, e assim possamos criticar melhor.

  5. jabes andrade disse:

    qual a diferença da mini serie falar sobre cultura ou política? por acaso uma é mais importante do que a outra? temos que para de achar que quando o assunto é politico ele deprecia a obra pois todos os momentos da cultura tem ligação intima com o tempo, cultura popular e a liberdade do povo em se expressar o que n deixa de certa forma fazer politica!!!!

  6. Carla disse:

    Achei que retrata muito bem o cenário teatral. O dia-a-dia de atores; a arrogância de seus diretores…
    Num primeiro capítulo é apressado tirar algumas conclusões, claro.
    Se tender mais à crítica política, acho genial usar o dinheiro ‘deles’ pra isso.
    E quanto à arte, qualquer produção voltada para o grande público, peca invariavelmente. As pessoas não entendem e não valorizam-na, infelizmente.

  7. Se os artistas globais choram as pitangas, que dirá os anônimos? Ademais, Arte até já pode ter se tornado produto, mas Cultura, não. Cultura, para um dia se tornar produto, precisa primeiro passar pelo período da semeadura, da descida ao fundo da identidade do povo. E quantos lá sabem o que é isso? Se vê cada bobagem, cada enganação com nome de Cultura! Cada gastança inútil do dinheiro público! Arte com dependência política. Inversão de prioridades, ignorando-se que a Cultura tem que ser amplamente inclusiva, desenvolvendo-se paralela a uma melhoria nas condições de vida do povo, e não à revelia, que nem coberta de santo destapando a os pés para cobrir a cabeça. Ah! E por aÍ vai! Cansei !!!

  8. Lúcio Jr disse:

    Eu gostei da série e fiz um post sobre ela; se ela for discutir a Rouanet vai dar com os burros n´ água, hein. Acho o comentário precipitado, mesmo, ainda mais que a série deu até créditos à série Slings and Arrows.

  9. Bertoldo disse:

    Eu concordo com quem falou que é mais uma crítica a São Paulo, inclusive na crítica ao oficialismo travestido de arte
    ( compensa citar nomes?).
    E, do ponto vista “artístico”, gostei estréia da minissérie.

  10. Abigail disse:

    ODEIO A PROGRAMAÇÃO DA GLOBO.
    AMEI A MINI SÉRIE!
    ENFIM, ANTES DE TUDO, HÁ QUE SE APRECIAR.
    A CRÍTICA , TENHA A NATUREZA QUE TIVER, TIRA O SABOR DE QUALQUER COISA. ELA REDUZ O PRIMEIRO IMPACTO, IMPEDE-NOS DE SENTIR O QUE VEMOS, DIRECIONA NOSSA VISÃO QUANDO SENTIMOS.

  11. Mimizinha disse:

    Só pela referência a um certo “Secretário de Cultura” que queria ser secretário de outra pasta e caiu de para-quedas na área artística, não entende de nada e ainda dorme durante a estréia da peça, que a secretaria dele mesmo patrocina… Já valeu pela minissérie inteira!!!
    Qualquer semelhança com a Jandira Feghali e sua Secretaria de Cultura … Não é MESMO coincidência…

  12. noel disse:

    eXATO FOI ESTA A MESMA IMPRESSÃO QUE ME CAUSOU, E ATE OUSARIA DIZER QUE IMPLANTA UMA CERTA LUTA DE CLASSES QUANDO COLOCA O TEATRO ELITE E UM TEATRO MARGINAL, COM SUAS BALDEAÇÕES E DIFICULDADES, TRAZENDO A POBRESA MONETARIA MAS RICA EM CONTEUDO. COISA DE DOIDO.

  13. Eron disse:

    Uma vitória diante de tanta bobagem que foi a TV e o cinema brasileiro em 2008-09

  14. Célia Regina disse:

    Primeiramente quero salientar que não entendo nada de arte,e minha cultura é pouca, mas o suficiente p/ perceber quanto essa minissérie é de boa qualidade. Gostei muito do primeiro capítulo, em especial a cena do sermão do pastor (hilário), muito bom.Acho que essa minissérie vai acrescentar um pouco de conhecimento sobre esse mundo , que pra pessoas como eu que não tem acesso a cultura como eu , as vezes se torna inacessível.

  15. Eron disse:

    Relacionado à cultura brasileira, Godinho está certo. Pseudo-tudo, ou quase.

  16. leo guerra disse:

    ATOR DE VERDADE ERA KLAUS KINSKI O RESTO É RESTO GAROTOS MIMADOS

  17. J. Coelho disse:

    Concordo com a crítica acima, cujo teor (da minissérie) me havia fugido à percepção.
    Todavia, creio que as atuações mereçam muitos elogios, com destaque para a de Felipe Camargo, que muitas das vezes desenvolve uma caracterização monocórdia para os personagens que interpreta.
    Destaque também para Pedro Paulo Rangel e o Dan “Ton Hanks” Stulbach. Parece que o Daniel de Oliveira também se sairá bem, apesar de meio “clichê” seu papel. Regina Casé, por enquanto, não me convenceu muito; parece meio “fora de forma” (sem referências ao seu peso). Vamos esperar. A proposta é interessante e foge do padrão global. Um pouco mais de palavrão corresponderia melhor ao meio artístico, dando mais realidade à surreal trama.
    Abraços.

  18. Paula disse:

    adorei o primeiro capítulo e confesso que vi um pouco da política tb…elenco maravilhoso… veremos os próximos capítulos.

  19. Fernando Villela disse:

    So’ eu achei chato pra cacete?

  20. Ronaldo Costa disse:

    Muito legal “Som e Fúria”. Estou a alguns anos assistindo jornais (para evitar a alienação total), Futebol (para poder conversar com as pessoas que não gostam de livros), Filmes (para descansar a mente pois não exigem seu funcionamento) e Desenhos animados (para tentar sorrir). Agora me aparece esta série instigante, inteligente, criativa e ainda por cima com a visão privilegiada de F. Meirelles. É mais do que eu mereço e certamente tudo que gostaria de ver com frequência na televisão brasileira. Enfim a Globo volta a bancar algo de qualidade, o que não fazia a bom tempo.

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