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02/07/2009 - 22:47

A hora e a vez das globochanchadas

Finalmente alguém achou um bom termo para definir a leva de comédias produzida pela Globo Filmes: globochanchada. O nome foi dado pelo diretor Guilherme de Almeida Prado (”A Dama do Cine Shangai”, “Onde Andará Dulce Veiga?”) e divulgado pelo crítico Inácio Araujo no blog Cinema de Boca em Boca (que anda acertando o alvo cada vez mais).

Escreve Inácio: “Ele (Guilherme) faz questão de dizer que não existe nada de pejorativo nele. Estaria dentro de uma linhagem de comédias que marcaram a produção brasileira: a chanchada, nos anos 1950, e a pornochanchada, nos 70. Na opinião de Guilherme, esse tipo de filme (despreocupado com questões ‘graves’, sem grande pretensão a ‘cinema de qualidade’, puxado por atores conhecidos, com estética lembrando, nem que vagamente, a TV ou o cinema publicitário – ao menos é assim que eu traduzo a expressão) pode ser ‘o chão’ a partir de onde criar. Uma certeza no horizonte.”

Tanto o nome quanto a tese de Guilherme são interessantes. Já é um ponto de partida promissor ele não considerar essas comédias automaticamente daninhas para o cinema nacional. Também é elogiável o fato de ele conseguir localizá-las dentro de uma tradição cinematográfica brasileira, não apenas como o produto de marketing de uma empresa.

Mas há uma grande diferença entre as globochanchadas e os outros dois momentos chanchadescos da nossa cinematografia. Para Inácio, elas são conformistas. Eu usaria um outro termo: inofensivas. Chanchadas e pornochanchadas podiam até ser moralistas, mas a avacalhação das primeiras e a sacanagem das segundas as afastavam da ideia um divertimento de bom gosto. Já as globochanchadas fazem humor sem ofender um único espectador. Ninguém há de se sentir agredido pelos estereótipos de gays encarnados por Tony Ramos em “Se eu Fosse Você 1 e 2″. Ou pelo tratamento da mulher como objeto em “Mulher Invisível”.

A principal marca das globochanchadas talvez não seja estética (televisiva ou publicitária), e sim sanitária: trata-se de limpar a comédia de sujeiras inconvenientes. É uma atividade suspeita, mas ninguém poderá dizer que malsucedida.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:

23 comentários para “A hora e a vez das globochanchadas”

  1. Cara comum disse:

    Os filmes dão o que o público em geral quer e gosta. Se são uma bosta, é porquê o público tem bosta na cabeça, e adora lixo tipo Zorra Total & companhia. A tendência é piorar cada vez mais, à medida que essa geração de analfabetos funcionais que têm azia quando lêem for crescendo… País fudido é isso aí, sem futuro, sem perspectiva, pensando só no próximo bolsa-esmola… Estudar pra quê? Pensar pra quê? O negócio é ser bem “gonorante”, e virar prtesidente

  2. Bruno Stern disse:

    Se eu fosse você está entre os piores filmes que já vi.

  3. castor disse:

    # 05/07/2009 – 20:33 Enviado por: Cara comum

    ” A tendência é piorar cada vez mais, à medida que essa geração de analfabetos funcionais que têm azia quando lêem for crescendo… País fudido é isso aí, sem futuro, sem perspectiva, pensando só no próximo bolsa-esmola… Estudar pra quê? Pensar pra quê? O negócio é ser bem “gonorante”, e virar prtesidente”

    CLAP,CLAP,CLAP,CLAP

    simples assim.

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