Um homem, uma mulher e um rato
“A Erva do Rato” é um dos filmes mais acessíveis do cinema de Julio Bressane. Há nele uma trama clara, inspirada muito livremente em dois contos de Machado de Assis, e um humor que está longe de ser hermético. Um homem (Selton Mello) abriga uma mulher (Alessandra Negrini) em sua casa, os dois iniciam um jogo de sedução que é perturbado pela aparição de um rato no local. Mas, como de hábito na obra do cineasta, a trama é o menos importante. O fundamental é o tempo, a luz, a palavra – e como os três se relacionam. O tempo estendido de cada plano permite a fruição de cada enquadramento, de cada frase, de cada sentimento experimentado pelos personagens. O absoluto domínio do cineasta sobre esses elementos torna possível que o triângulo amoroso que se forma entre o homem, a mulher e o rato seja crível. Torna sensual uma sequencia de amor entre uma mulher e um rato. Torna aceitável que essa cena esteja em uma adaptação de Machado de Assis. “A Erva do Rato” comprova mais uma vez que Bressane está a alguns anos-luz da média dos cineastas brasileiros.

Outra bobagem de Bressane, Depois de Cleópatra não perco mais tempo e dinheiro.
Uma pena que eu não esteja em condições físicas para ir ao cinema. Quando estiver, provavelmente esse filme já terá saído de cartaz. O problema é encontrar o filme nas locadoras.
Cleópatra é um filme acessível. E péssimo.
Tem um lugar cativo na minha lista de “piores filmes que já assisti”, junto a Adrenalina (Albert Pyun), Dungeons & Dragons (Courtney Solomon) e Outras Estórias (Pedro Bial).
“O tempo estendido de cada plano permite a fruição de cada enquadramento, de cada frase, de cada sentimento experimentado pelos personagens” – porque minha interpretação desse texto se resume a um único adjetivo? CHATO.
Mas o filme pode ser bom apesar disso.
Pena que filme como esse, dificilmente, chegam nos cinemas da cidade aonde moro.
Não existe outro ator de cinema no Brasil além de Selton Mello?