Um filme vacinado contra o cinismo
“Jean Charles”, filme sobre o brasileiro confundido com um terrorista e assassinado pela polícia britânica, que estreia nesta sexta-feira no Brasil, tem um mérito muito raro: é uma obra desprovida de qualquer tipo de cinismo. Ao longo de toda a projeção, fica patente as intenções do diretor Henrique Goldman: não deixar que o caso seja esquecido e homenagear a família de Jean Charles, inclusive por meio da presença de parentes em cena (Patrícia Armani, prima de Jean, interpreta a si mesma).
Isso não significa que o filme seja chapa-branca, que faça um retrato edulcorado do personagem. Ao contrário, Goldman faz questão de mostrar os muitos trambiques armados Jean na luta pela sobrevivência em Londres – e essa humanização do personagem só torna a tragédia do final mais dolorosa (e a interpretação de Selton Mello, mais contida que de hábito, também contribui enormemente).
De resto, o filme tem um desequilíbrio entre duas partes. De um lado, existe uma construção um tanto mecânica do drama, em que a música quase sempre redunda com os sentimentos dos personagens. De outro, há uma observação muito afiada dos costumes dos imigrantes brasileiros no exterior, que rende boas cenas cômicas e de interação entra atores e não-atores. Como a tragédia só surge no final, esses momentos respondem, felizmente, pela maior parte da projeção.
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Este caso deu a maior pizza inglesa.
Ninguém foi responsabilizado individualmente por ter dado sete(isso mesmo, sete) tiros na cabeça do garoto.
Não tem nem que dizer mais nada né?