“Wolverine” é uma decepção
“X-Men Origens: Wolverine” é uma demonstração da incrível banalidade do espetáculo hollywoodiano quando não há um conceito forte que o sustente. Nos melhores filmes de super-herói recentes, ele sempre pode ser encontrado. Por trás dos voos do “Homem-aranha”, de Sam Raimi, existia a questão da passagem da adolescência à vida adulta de Peter Parker. Nos dois primeiros “X-Men”, dirigidos por Bryan Singer, as histórias dos mutantes eram um pretexto para falar da discriminação dos diferentes.
Em “Wolverine”, prequel que mostra a trajetória do mais carismático dos mutantes antes de se juntar a seus pares da trilogia, não existe uma ideia que carregue o filme – como não havia em “X-Men 3″. O filme é um mero acúmulo de cenas de luta ou perseguição, efeitos especiais, frases de efeito e um número excessivo de mutantes – dirigidos sem grande imaginação pelo sul-africano Gavin Hood, de “Tsotsi – Infância Roubada” (2005), sub-”Cidade de Deus” que ganhou o Oscar de filme estrangeiro.
Em alguns momentos, o filme insinua que será sobre a batalha interna de Wolverine entre seus instintos selvagens e seus ideais humanistas. Mas logo essa ideia é interrompida por uma explosão ou pela entrada em cena de mais um mutante.
De positivo, “Wolverine” tem a escalação do elenco. Os talentos dramáticos de Hugh Jackman continuam maiores que seus bíceps (embora estes avancem a cada filme). Liev Schreiber foi uma bela lembrança para Victor Creed, o irmão de Wolverine, assim como Danny Houston no papel do ambíguo coronel William Stryker. Mas, com a exceção de Jackman, cada ator tem pouquíssimo tempo na tela para desenvolver seus personagens.
“Wolverine” não chega a ser entediante, porque Hood faz de tudo para entreter o espectador com emoções baratas. Mas é muito difícil lembrar do que se viu um ou dois dias depois. Para quem se aventurar a ver o filme, um aviso: há duas cenas importantes logo antes e depois dos letreiros finais.


