O que será do “Big Brother” sem um vilão?
O “Big Brother” ainda é visto por muitos como uma mistura de gincana eletrônica e experimento behaviorista. Mas o sucesso do programa sempre dependeu, em grande parte, da capacidade de transformar a ação dentro da casa, via edição, em uma narrativa folhetinesca, com suas situações clássicas. Seja um triângulo amoroso (Alemão, Íris e Fani no “BBB 7″), um conflito de classes (Cida e Thiago contra todos no “BBB 4″), a luta contra o preconceito (Jean versus a turma do mal no “BBB 5″) e, sobretudo, a briga entre mocinho e bandido (Alemão e Caubói no “BBB 7″, Rafinha e Marcelo no “BBB 8”).
Nesse aspecto, o “Big Brother 9″ deu azar. O único mote novelesco que a produção havia conseguido armar até aqui foi a criação de um vilão (Newton), em conflito com uma mocinha indefesa (Ana Carolina), outra nem tanto (Priscila) e até com a namorada (Josi). O problema é que Newton foi ao paredão cedo demais – e provavelmente será eliminado pelo público nesta terça-feira. É como se o antagonista de um filme morresse antes da metade da projeção – e antes mesmo que se definisse o protagonista.
Nas edições anteriores, o catalisador dos conflitos – Dhomini, Rogério, Caubói, Marcelo – quase sempre chegou perto do fim do programa, seja por sorte ou estratégia. Nesta edição, Newton se condenou à morte ficcional de forma prematura. E, até agora, os sobreviventes do “BBB 9” não demonstraram potencial para alimentar novas situações folhetinescas – o que significa que provavelmente teremos uma edição morna, como o “BBB 2” (cuja sem-gracice foi encarnada por Thyrson) ou o “BBB 6” (que terminou com a vitória politicamente correta de Mara).





