O que é que os belgas têm?
Muita gente boa pensa que o cinema da Bélgica se resume aos irmãos Dardenne, diretores de “Rosetta” e “A Criança”, entre outros grandes filmes. Esta semana vai mostrar que a coisa não é bem assim, pelo menos em São Paulo.
Hoje estreia “Rumba”, simpático filme feito por um trio de comediantes sediado na Bélgica, que já havia realizado alguns curtas e o longa “L’Iceberg”, inéditos no circuito comercial brasileiro. Na próxima quarta-feira, começa a mostra “O Cinema de Chantal Akerman”, no Centro Cultural Banco do Brasil, com 20 filmes da diretora belga, considerada uma das mais importantes do cinema contemporâneo, mas praticamente desconhecida aqui no país.
“Rumba” foi escrito, dirigido, produzido e protagonizado por Dominique Abel, Fiona Gordon e Bruno Romy. O filme é uma comédia de humor negro praticamente muda, que remete aos grandes comediantes daquele período, especialmente Buster Keaton. Dominique e Fiona interpretam um casal de professores que tem como hobby participar de concursos de danças latinas. Um dia, depois de ganhar mais um troféu, eles sofrem um acidente de carro ao desviar de um suicida. Fiona perde uma perna, Dom fica com amnésia, eles são obrigados a desistir da dança e se adaptar à nova vida.
A trama simples rende algumas gags visuais bastante inspiradas, embora baseadas em situações pesadas (tentativas de suicídio, acidentes, mutilações), como uma sequência em que Fiona provoca um incêndio com sua perna de madeira. Nem todas as piadas funcionam, o filme perde o ritmo no final, mas sua leveza e despretensão são encantadoras em vários momentos.
No campo oposto – o da densidade e da ambição -, encontra-se o cinema de Chantal Akerman. Aos 15 anos, ela assistiu a “Pierrot le Fou” (1965), de Jean-Luc Godard, e decidiu, naquela mesma noite, que queria viver de fazer filmes. Estreou três anos depois com o curta “Saute ma Ville” e, a partir daí, construiu uma das obras mais singulares do cinema contemporâneo, uma mistura entre o experimental e o narrativo, o documentário e o ficcional, o político e o autobiográfico.
Entre os 20 filmes da mostra (de um total de 40 em sua carreira), recomendo “Chantal Akerman por Chantal Akerman” (1996), em que ela repensa sua trajetória pessoal e no cinema; “Jeanne Dielman, 23 Quai Du Commerce, 1080 Bruxelles” (1975), considerado pelo “New York Times” como “a primeira obra-prima do feminino na história do cinema”; e “Do Outro Lado” (2002), que trata da imigração mexicana para os Estados Unidos.

Valeu pelas dicas, Ricardo! Os irmãos Dardenne eu acompanho há algum tempo. Achei “Rumba” genial, uma experiência cinematográfica diferente!
A julgar pela quantidade de comentários nesse post, muita gente boa não conhece sequer os irmãos Dardenne. Uma pena…
Oi Ricardo,
sou a curadora da Mostra O cinema de Chantal Akerman. Fiquei feliz em ler seu artigo – espero te encontrar pessoalmente no CCBB.
um abraço,
Carla Maia