Documentário dos Titãs é um vídeo-romance geracional
Mais do que um documentário sobre uma das mais importantes bandas do rock nacional, “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa”, que estréia nesta sexta-feira, é um romance escrito com câmeras de vídeo sobre o rito de passagem da juventude para a maturidade.
Dirigido por Oscar Rodrigues Alves e por Branco Mello, um dos integrantes da banda, o filme faz uma colagem de cenas musicais, depoimentos e bastidores, muitas delas raras ou inéditas, sobre os mais de 25 anos dos Titãs. Há desde performáticas apresentações no teatro Lira Paulistana no início dos anos 80 até um videoclipe recente com os cinco remanescentes do grupo, passano por apresentações no Chacrinha e no Rock in Rio, entre várias imagens saborosas e nostálgicas.
Mas o que realmente interessa no documentário não é aquilo que pode ser localizado em tempos e espaços específicos. E sim as alegrias e os dramas de um grupo (de pessoas, não músicos) com os quais o público pode se identificar intimamente.
“Titãs” é um filme sobre uma banda lançada nos anos 80 em São Paulo. Mas é também um tanto mais: um vídeo-romance geracional, que cobre os eventos essenciais do tornar-se adulto: hedonismos e inadequações juvenis, excessos e punições (prisão de Arnaldo Antunes e Tony Belloto por porte de heroína), separações (saída de Antunes e Nando Reis da banda), morte (de Marcelo Fromer), casamentos, filhos, luta contra a acomodação. A vida de um rock star e a vida de qualquer um.
Esse apagamento de fronteiras entre o ídolo e o vizinho, essa intimidade de vídeo caseiro que a câmera portátil emana, são o aspecto mais interessante de “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa” e o tornam uma biografia musical acima da média.
