Clint Eastwood, esse sim, é o cara
Mesmo em uma obra tão variada e versátil como a de Clint Eastwood é possível identificar alguns temas reincidentes. Poucos lhe são tão essenciais quanto o conceito de orfandade. Em vários de seus melhores filmes recentes, os protagonistas são sujeitos abandonados à própria sorte, incapazes de encontrar seu lugar no mundo. Às vezes, eles conseguem estabelecer laços com seus semelhantes e deixar de ser órfãos mesmo que temporariamente – como em “Um Mundo Perfeito” (1993) e “Menina de Ouro” (2004). Em outras ocasiões, ocorre o contrário: os personagens vêem seu sentido gregário ser destruído por uma tragédia – aí se encontram filmes pessimistas como “Sobre Meninos e Lobos” (2003) e “A Troca”, que estreou nesta sexta.
É possível dizer que “A Troca” é o reverso feminino e político de “Sobre Meninos e Lobos”. No antigo filme, um policial (Sean Penn) tinha uma filha estuprada e assassinada e acusa um amigo de infância que também havia sofrido violência sexual – ou seja, era o lado escuro da natureza humana que afastava os personagens. No novo filme, baseado em fato real, uma mãe (Angelina Jolie) tem um filho que desaparece na Los Angeles dos anos 20; a polícia encontra um garoto parecido e, na tentativa de usar o caso para melhorar sua imagem de corrupta e ineficiente, força a mulher a dizer que este é seu filho; quando ela denuncia a farsa, a polícia consegue interná-la como louca em uma clínica psiquiátrica. Portanto, aqui são as instituições falidas que ajudam a isolar ainda mais o protagonista. Se o antigo trabalho era um drama tingido pelo suspense, “A Troca” é um filme político disfarçado de melodrama – com um mundo igualmente dividido entre meninos inocentes e os lobos cruéis.
É também um filme que confirma Eastwood como o mais clássico dos cineastas modernos – ou o mais moderno dos cineastas clássicos. O estilo continua direto e límpido, como se a câmera só pudesse estar no lugar em que foi colocada. Mas há novamente um constante questionamento da verdade do poder e da verdade da imagem. Por fim, é fundamental essaltar algo pouco reconhecido na obra de Eastwood: ele é um grande diretor de atores. No passado, ele tirou de Kevin Costner, Sean Penn, Kevin Bacon, Hillary Swank, entre outros, os melhores desempenhos de suas vidas. A essa lista, soma-se agora Angelina Jolie – irretocável como a mãe coragem de “A Troca”.

Olá, Calil. Muito bom ler seu comentário sobre o novo filme do Eastwood. Tenho lido apenas comentários positivos, aliás. Devo assistir ao filme hoje, já com certo atraso. Interessa-me, sobretudo, conferir o que torna o diretor o mais clássico dos cineastas modernos, como você diz. Confesso que Eastwood não é o meu moderno-clássico preferido. Mas é um bom diretor.
Um abraço.
Ei, Calil, o policial de b>Sobre Meninos e Lobos é o Kevin Bacon.
O Sean Penn faz um “ex-gângster regenerado” e, se não me engano, atual dono de um comércio.
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Quer mais um ponto em comum entre dois filmes do Clint?
Num tem a cena do final de Sobre Meninos e Lobos, em que o Kevin Bacon ergue a mão e finge dar um tiro?
Em Gran Torino é o Clint Eastwood quem faz isso, várias vezes.
É goofy, mas eu adorei.
APESAR DA SEMELHANÇAS APONTADAS AQUI NO POST, ESSE FILME A TROCA É UM RETRATO DE UMA DURA REALIDADE QUE VIVEMOS NOS DIAS ATUAIS, A PEDOFILIA E ABUSO DOS MENORES, COM MUITA CORAGEM O FILME COMEÇA COMO UM DRAMA E VAI SE TORNANDO UM EXCELENTE SUSPENSE, COM TOQUES DE DRAMA, JUNTA-SE A ISSO A BELA ATUAÇÃO DE JOLIE QUE HÁ MUITO TEMPO, NÃO BRILHAVA NUM FILME POR SUA INTERPRETAÇÃO.
CLINT É UM DIRETOR QUE SABE , CONTAR AS DIFICULDADES E ANGÚSTIAS DE MULHERES COMO NINGUÉM VIDE A PONTES DE MADISON.
VALE A PENA CONFERIR A TROCA.