Todos esperavam que “O Curioso Caso de Benjamin Button” e “Quem Quer Ser um Milionário?” liderassem a corrida ao Oscar, como se confirmou hoje com o anúncio dos indicados ao prêmio. A grande dúvida sobre a lista, na verdade, era outra: a Academia de Hollywood iria ignorar mais uma vez os blockbusters e privilegiar apenas os chamados “filmes de Oscar”? Para ser mais específico, haveria indicações para “Batman – O Cavaleiro das Trevas” como melhor filme e para Christopher Nolan para melhor diretor? E ainda: “Wall-E” conseguiria extrapolar a categoria de animação para conseguir uma indicação como melhor filme?
Como se viu pela lista, a Academia disse “não” mais uma vez aos blockbusters e preferiu ser conservadora nas indicações. Entre os melhores filmes, há um clássico filme de Oscar, com belas lições de moral e valores de produção (“O Curioso Caso de Benjamin Button”, que é o “Forrest Gump” deste ano, como você na nota abaixo); um mezzo-independente que corre por fora (“Quem Quer Ser um Milionário”; um filme político com lições para o presente (“Frost/Nixon”), um filme de “minoria” (“Milk – A Voz da Igualdade”); e um filme sensível para fazer figuração (“O Leitor”), na vaga que poderia ter sido de “Batman” ou “Wall-E”.
Neste ano, muitos torciam pela indicação a melhor filme de “Batman” porque se tratava de um raro filme que conjugava um enorme sucesso de público com uma massiva aprovação dos críticos. Ou seja, era um raro “blockbuster” de respeito. Algo parecido poderia ser dito sobre “Wall-E”, um desenho de respeito. Mas a Academia preferiu deixar “Batman” com a justa e previsível indicação de Heath Ledger como ator coadjuvante (além das categorias técnicas) e manter “Wall-E” relegado à categoria de animação. Peter Jackson precisou fazer três filmes até que o “Senhor dos Anéis” levasse o Oscar de melhor filme.
Pessoalmente, eu torcia pela indicação de “Wall-E”, o melhor filme hollywoodiano de 2008, mas não fazia questão no caso de “Batman”, que não despertou em mim o entusiasmo da maioria do público. Mas o real incômodo pela não-indicação desses dois filmes não é pessoal. O problema é a eterna hipocrisia da Academia em ignorar a indústria cinematográfica que justifica sua existência, como se o dinheiro arrecadado por seus filmes fosse uma coisa suja, e insistir em produções que ficam em um estranho meio-termo entre o filme “da indústria” e o “de arte” – e acabam não sendo nem uma coisa nem outra.
O Oscar é um prêmio sobre dinheiro, fama e roupas. Até quando a Academia vai continuar fingindo que é uma celebração da “sétima arte”?