Globo de Ouro projeta Oscar sem favorito claro
O Globo de Ouro já foi considerado uma prévia mais confiável do Oscar. De uns anos para cá, as duas premiações divergiram bastante. Em 2005, “Crash” ganhou o Oscar de melhor filme sem ter recebido nenhuma indicação ao Globo. No ano passado, “Desejo e Reparação” e “Sweeney Todd” levaram Globos de melhor filme dramático e cômico/musical respectivamente, enquanto o Oscar foi para “Onde os Fracos Não Têm Vez”.
Ainda assim, algumas conclusões sobre o Oscar podem ser tiradas das indicações do Globo de Ouro, anunciadas nesta quinta-feira (veja a relação completa aqui). A primeira delas é que a corrida está totalmente aberta, sem favoritos claros, já que 31 filmes foram lembrados pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood, reponsável pela premiação, três receberam cinco indicações (recorde deste ano) e outros quatro levaram quatro.
Entre os filmes que ganharam fôlego para o Oscar, estão “The Curious Case of Benjamin Button”, “FrostNixon”, “The Reader”, “Revolutionary Road” e “Slumdog Millionaire”. Já os que perderam o “momento” são “Milk” (com a indicação apenas de Sean Penn a melhor ator dramático, ainda que ele seja o favorito da categoria) e “O Cavaleiro das Trevas” (também indicado apenas uma vez, para Heath Ledger como melhor ator coadjuvante, e também favorito).
O brasileiro “Última Parada 174″ também viu suas chances de indicação ao Oscar diminuírem, ao não ser lembrado para a categoria de melhor filme estrangeiro do Globo.
Já “Wall-E”, melhor filme hollywoodiano de 2008, ficou na mesma, pois no Globo só pode ser indicado a melhor filme de animação, enquanto no Oscar tem chances na categoria principal. E “Vicky Cristina Barcelona” também não saiu do lugar, já que, apesar das quatro indicações (três para atores), as comédias costumam ser esnobadas pelo Oscar.

Calil, mudando de assunto, gostaria de saber a sua opinião sobre “Capitu”. Eu estou boquiaberto. Agora, o viço adolescente com que LFC dirigiu a série só pode ter uma explicação: Letícia Persiles. Numa analogia pouco criativa: ele se converteu no próprio Bentinho e ela, na própria Capitu. Como o personagem apaixonado, o diretor se jogou, seguiu o riscado do giz e “viveu ela, dela e para ela”. Só isso explica a força desse seriado (o que foi a entrada de Escobar como um astro andrógino de rock?).
Tem mais: resolvi entrar na comunidade oficial da série no Orkut e fiquei contente com a adesão de uma turma bem jovem (e numerosa) à proposta de Luiz Fernando Carvalho. A galerinha está acompanhando religiosamente os capítulos, comentando, sofrendo e decupando cada cena. Eles sabem todas as músicas usadas pelo diretor e enlouquecem quando “Iron Man”, do Black Sabbath, toca. Pelo visto, Carvalho atingiu o objetivo de rejuvenescer Machado, o que, dada a atemporalidade do bruxo, não chega a ser uma proeza.