iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
05/12/2008 - 07:07

Do Flickr ao “Homem de Ferro”

Se a história for verdadeira (e tem tudo para ser), me parece um pequeno, mas significativo, sinal de como a tecnologia mudou a indústria do entretenimento.

Em março passado, Jeremy Keith recebeu um email pedindo autorização para usar em um longa-metragem uma foto que ele postou no Flickr. A imagem não tinha nada demais: era apenas o retrato de um amigo em um prédio da Nasa de Cabo Canaveral. Keith nem se deu ao trabalho de responder.

Alguns dias depois, ele recebeu um segundo email, com mais detalhes: “A fotografia seria cortada de forma a não mostrar nenhuma pessoa. Nós estamos interessados em usar a imagem como um cenário para inserir nosso protagonista numa cena em que ele recebe um prêmio”. Preocupado com outros assuntos, Keith não respondeu de novo.

Outros dias se passaram até que Keith recebeu um telefonema da mulher que enviou os emails. Só então ele teve a curiosidade de perguntar do que se tratava. “É para um filme que está em produção chamado ‘Homem de Ferro’, estrelando Robert Downey Jr.”, ela respondeu. Depois de alguns entreveros tecnológicos, ele assinou a autorização, sem cobrar nada.

Keith não foi ao cinema para ver a produção, lançada apenas algumas semanas depois da ligação. Mas há poucos dias pegou um vôo em que “Homem de Ferro” era uma das opções de filmes para os passageiros. Com três minutos de exibição, encontrou sua foto, com Robert Downey Jr. e Jeff Bridges no cenário.

À primeira vista, parece impossível dizer que uma foto surgiu da outra. Mas olha só:

Resumindo: um estúdio de Hollywood faz um filme de mais de cem milhões de dólares e, em vez de produzir uma imagem na locação, pega uma foto qualquer no Flickr, recorta e cola os atores com Photoshop e não paga nada por isso. É ou não é um símbolo perfeito de um admirável mundo novo?

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:

6 comentários para “Do Flickr ao “Homem de Ferro””

  1. Diego Sebastiani disse:

    Com certeza, é uma mostra de particularidades reais e oportunismo de visionários que, ao invés de produzir e gastar para uma locação, souberam como resolver o negócio tirando nota dez em custo-benefício.
    Creio que a foto deve ter sido encontrada por acaso, mas como gosto de ressaltar, “nada que acontece na vida é por acaso”.

  2. Claudio disse:

    Bom dia. Vale perguntar se ele foi, pelo menos, mencionado nos créditos.

  3. marcos disse:

    Não é bem assim. O hangar é de acesso bastante restrito, e o cara da foto só pode entrar lá por causa de um amigo cientista da Nasa.

    O estúdio não pagou nada porque a foto tinha uma licença Creative Commons que apenas pede que se dê o crédito.

    Entre a solução deles e ter que pedir licença para a Nasa para tirar uma fotinha que nem interfere na história o que é melhor?

  4. thiago disse:

    Mesmo assim, Marcos, é incrível que um estúdio, em vez de produzir a foto na Nasa ou mesmo filmar por lá, tenha tido como primeira iniciativa procurar no Flickr fotos sob a licença mais liberal do CC (não é tão simples assim achar fotos por lá em CC em que vc pode fazer uso comercial da obra). Muito boa a notícia!

  5. thiago disse:

    E pra ver se a história é real mesmo, talvez valha a pena alugar o DVD e dar uma olhada nos créditos. Se os caras do estúdio fizeram tudo certinho (e devem ter feito, pois não são bobos) a única exigência legal da foto é que o autor seja creditado.

  6. thiago disse:

    aaaa, sim, aqui tá a explicação: the thing is, getting your name in the credits usually costs at least $1,500. That’s why we need you sign the license release form I sent.”

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo