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11/11/2008 - 21:03

Sobre patrocínios e multinacionais, homens e cachorros

Deu no site da “Variety”, principal publicação voltada ao mercado cinematográfico americano: “Governo brasileiro vai patrocinar programa da Viacom”. O tal programa é o “Contador de Histórias”, versão brasileira para o conhecido “Storytellers”, do canal americano VH1. O primeiro episódio, a ser produzido pela Mixer e exibido em abril, será sobre Gilbert Gil, ex-ministro da Cultura. Mas a Viacom já anunciou a intenção de fazer outros episódios.

Há poucos detalhes na matéria para julgar se a iniciativa é válida ou condenável. Mas o que me parece interessante é que não encontrei, em busca pela internet, nenhuma referência na imprensa brasileira sobre o patrocínio do governo para um programa de TV de uma multinacional (se eu estiver enganado, por favor me corrijam). Por aqui, isso nem soa mais como notícia. Para os americanos, ainda vai para o título da matéria.

No Brasil, é o cachorro mordendo o homem. Nos EUA, o homem mordendo o cachorro.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:

2 comentários para “Sobre patrocínios e multinacionais, homens e cachorros”

  1. Fabio Negro disse:

    Me parece que os governos do mundo todo se metem mais onde há mais “desgoverno” , por assim dizer.

    Aqui no BR a cultura é uma área eternamente precária.

    Nos EUA, vamos pensar, por exemplo, na agronomia. Ali o governo se mete.

    Sei que é uma observação de ironia sutil, mas concordo com isso mesmo: aqui isso nem é notícia, é só a verdade.

  2. Fabio Negro disse:

    Acabei de ler uma entrevista do Koji Wakamatsu (O Império dos Sentidos) que o pessoal do BlogINDIE traduziu.

    Dêem uma olhada no que ele fala sobre os filmes japoneses, que são financiados pelo Ministério da Cultura de lá:

    O dinheiro desse fundo sai do bolso dos contribuintes, mas a comissão que toma a decisão de apoiar projetos é composta por várias figuras da indústria: diretores, produtores, roteiristas, etc. Eu os chamo de analfabetos, porque eles não sabem como ler um roteiro, eles não têm a menor idéia como dois diretores podem ter visões completamente diferentes de uma mesma história ou assunto. Estes membros da comissão são fantoches do ministério. Eles usam o dinheiro do povo, mas eles agem como se o dinheiro fosse deles.

    Mais uma coisa em comum que descobrimos nesse centenário da imigração japonesa.

    http://blogindie.blogspot.com/2008/11/escutando-koji-wakamatsu-retrospectiva.html

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