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06/11/2008 - 22:06

Cinema de quitanda x cinema de supermercado

Dos 11 filmes que estréiam no Brasil neste final de semana, certamente “007 – Quantum of Solace”, o novo de James Bond, será aquele que ganhará a atenção dos holofotes. Mas convém não perder de vista um pequeno grande filme brasileiro: “Meu Nome é Dindi”.

Longa de estréia do carioca Bruno Safadi, o flilme é uma das melhores surpresas preparadas pelo cinema brasileiro em algum tempo. Filmado em Cinemascope, com longos planos-seqüência, a produção ostenta uma qualidade artesanal inversamente proporcional ao tamanho do orçamento.

“Meu Nome é Dindi” é essencialmente um filme sobre o tempo e o cinema. Ou antes, sobre como olhar para o passado – do nosso país e do nosso cinema – e encontrar respostas para o presente.

Dindi (Djin Sganzerla, filha de Rogério Sganzerla e Helena Ignez) é dona de uma quitanda no decadente centro do Rio, ameaçada de fechamento pela abertura de um supermercado na vizinhança, com dívidas a pagar para um violento açougueiro (Carlo Mossi, o ex-galã de pornochanchadas) e assombrada pela aparição de um misterioso palhaço (Nildo Parente). Seu único consolo é a relação com o namorado militar (Gustavo Falcão).

“Meu Nome é Dindi” é um filme lotado de referências cinematográficas, em especial a Rogério Sganzerla e Julio Bressane (de quem Safadi foi assistente), que defende a causa do cinema de invenção, livre de convenções narrativas, adepto da reciclagem de gêneros e das mudanças de registro ao longo da projeção.

Por outro lado, é um trabalho de personalidade forte, com um recado bastante claro para o Brasil e o cinema nacional de hoje: uma defesa discreta, mas apaixonada de um cinema de quitanda, baseado no cuidado artesanal e no sentido gregário, contra um cinema de supermercado, sustentado pela fabricação de massa e pelas relações impessoais.

“Meu Nome é Dindi” nos provoca com a seguinte pergunta: é possível ser ao mesmo tempo livre e delicado no Brasil – e no cinema brasileiro. Sim, é possível. A prova é a luminosa interpretação de Djin Sganzerla. A prova é “Dindi”.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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