Arquivo de novembro, 2008
30/11/2008 - 20:10
Na “Folha de S. Paulo” de hoje, há uma boa reportagem sobre Flora, a vilã de “A Favorita” interpretada por PatrÃcia Pillar. Nela, Laura Mattos escreve: “A perversa personagem caiu nas graças do telespectador. (…) Ela vive a disparar frases e expressões impagáveis, o melhor repertório de vilania televisiva em muitos anos.”
A reportagem faz todo sentido: Flora é um grande personagem criado por João Emanoel Carneiro e o melhor papel da carreira de Pillar. Há quem tenho descoberto que ela é uma bela atriz com o filme “Zuzu Angel”. Eu só percebi isso agora com “A Favorita”.
Mas acho que há algo a ser acrescentado à matéria da “Folha”, o verdadeiro diferencial de Flora. Ela não é uma grande vilã apenas porque solta frases impagáveis, mas porque funciona como uma espécie de ombudsman (ou ombudswoman?) de “A Favorita”, a figura que aponta os problemas da novela de dentro da ficção.
Ela não só rivaliza com Donatela (Cláudia Raia), como também denuncia o ridÃculo do folhetim tradicional, com suas mocinhas impolutas e seus heróis politicamente corretos. Mas há um efeito colateral grave nessa opção do autor: ao aderirmos ao olhar da personagem (e isso é irresistÃvel), a novela passa a soar débil sempre que Flora não está em cena.
“A Favorita” virou há algum tempo um time de um jogador só. E, como diz o clichê, jogador sozinho não ganha o campeonato.
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria
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30/11/2008 - 00:01
No Flickr , uma coleção de 139 “The End”:
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria
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28/11/2008 - 23:17
A revista britânica “Empire” divulgou sua lista dos 100 melhores personagens da história do cinema, escolhidos por seus leitores. Lá vão os dez primeiros:
1. Tyler Durden (Brad Pitt), “Clube da Luta”
2. Darth Vader (David Prowse/James Earl Jones), “Star Wars”
3. Coringa (Heath Ledger), “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
4. Han Solo (Harrison Ford), “Star Wars”
5. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), “O Silêncio dos Inocentes”
6. Indiana Jones (Harrison Ford), “Indiana Jones”
7. The Dude (Jeff Bridges), “The Big Lebowski”
8. Jack Sparrow (Johnny Depp), “Piratas do Caribe”
9. Ellen Ripley (Sigourney Weaver), “Alien”
10. Vito Corleone (Marlon Brando), “O Poderoso Chefão”
Não há como brigar com listas. Elas vão sempre desagradar a quase todos (a começar pela estranha escolha de Tyler Durden para o primeiro lugar). Mas algumas coisas chamam atenção nesta da “Empire”: talvez pela idade, sexo e origem da maioria dos leitores, ela comete grandes injustiças com personagens de filmes antigos, femininos e de lÃngua não-inglesa.
O meu personagem preferido, o Antoine Doinel de “Os Incompreendidos” e outros filmes de François Truffaut, não está lá. Mas Jigsaw e Blade estão… É, não há como brigar com listas, mas à s vezes dá vontade. E você, ficou irritado com o esquecimento ou a inclusão de alguém?
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria
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27/11/2008 - 22:46
Este blog sempre fez campanha contra o barulho – de pipoca, de conversas, de celular – no cinema. Por isso, gostaria de prestar solidariedade ao cineasta Carlos Reichenbach, que em seu site Olhos Livres identificou uma nova e moderna forma de blasfêmia cinematográfica, com o uso de aparelhos de última geração, em especial os iPhones.
Conta Carlão que, em meio ao Festival de BrasÃlia, um sujeito (possivelmente da equipe de um curta) assistiu ao jogo Brasil x Portugal em seu iPhone durante a exibição do documentário “O Milagre de Santa Luzia”. E que um segundo trocou e-mails e consultou sites de horóscopo em outra ocasião do evento, logo à frente de Carlão – o que levou o cineasta a declarar guerra:
“Como o cara não se tocava, toquei eu, enfiando a sola do meu 46 (bico largo) em sua vasta cabeleira. Ao pedir desculpas pelo descuido de ‘escorregar’ o pé em sua cabeça, aproveitei para ’sugerir’ (de forma civilizada, claro) ao camaradinha desligar o seu modernÃssimo iPhone (’que está enchendo o meu saco a meia-hora’).”
Mais um bom serviço prestado por Carlão ao cinema nacional.
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria
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26/11/2008 - 08:56
Virginia Heffernan , blogueira de vÃdeo online do “New York Times”, lançou a pergunta: “Quem é o Godard do TouTube?”. Ela mesmo reconhece que há algo de enviesado na questão. Como na vez em que o escritor Saul Bellow perguntou: “Quem é o Tolstoi dos zulus?”. As realidades são diferentes, os tempos são outros.
Mas a pergunta contém uma provocação interessante: quase cinco anos depois do lançamento do YouTube, é possÃvel identificar algum diretor que tenha algo parecido com uma “obra”, que tenha experimentado com a linguagem do seu meio vÃdeo após vÃdeo, como fez o francês com o cinema? E nem vamos falar da questão da autoria, porque, com exceção de alguns projetos corporativos, todos são autores no YouTube.
Pois bem, Heffernan tem sua aposta: a dupla Hodge-Stansson, responsável pela série “Unforgivable”, fenômeno do YouTube, cujo primeiro vÃdeo você pode ver abaixo:
Como se vê, o vÃdeo consiste basicamente de um sujeito desfiando alguns clichês pesados do palavreado gangsta, especialmente contra mulheres. E onde entra Godard nisso? Talvez no fato de que em alguns momentos revela-se (à moda de Brecht?) a encenação, quando o ator começa a rir do próprio linguajar. Mas me parece muito pouco para decretar um novo Godard. Até porque o novo filme de Hodge é decepcionante.
Então qual é a minha aposta? Não faço a mÃnima idéia. Só acho que o novo Godard não vai ser encontrado em um fenômeno do YouTube com milhões de acessos, mas sim em um vÃdeo escondido, visto até agora por meia dúzia de gatos pingados. Será que vocês, leitores, já encontraram?
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Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria
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23/11/2008 - 23:34
Em entrevista à série de vÃdeos “In the director’s chair” , do jornal britânico “The Guardian”, Fernando Meirelles anunciou uma mudança de rumo em seu próximo filme. Ele será, em suas palavras, “simples, direto, esperançoso e engraçado”.
Isso marca um distanciamento em relação a seus últimos três trabalhos (”Cidade de Deus”, “O Jardineiro Fiel”, “Ensaio sobre a Cegueira”), definidos por ele como “filmes em que pequenos personagens enfrentam enormes problemas que não conseguem controlar”. E por que essa recorrência temática, questiona o entrevistador. “Eu teria que perguntar ao psiquiatra”, responde o cinesta.
Para finalizar, um detalhe: Meirelles parece mais articulado em inglês do que em português. Ou será que é só impressão minha?
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria
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20/11/2008 - 23:20
O diretor sino-americano Wayne Wang deve ter uma das trajetórias mais curiosas do cinema atual. Revelado em filmes independentes como “O Clube da Felicidade e da Sorte” e “Cortina de Fumaça”, ele passou os últimos anos em Hollywood fazendo veÃculos para estrelas duvidosas, como “Encontro de Amor”, com Jennifer Lopez, e “As Férias da Minha Vida”, com Queen Latifah. Agora, volta à produção independente em dose dupla, com “Mil Anos de Oração” e “A Princesa de Nebraska”, que estréia nesta sexta-feira no Brasil.
Os dois filmes marcam não apenas o retorno de Wang ao esquema de baixo orçamento, mas também ao tipo de drama intimista centrado na comunidade chinesa nos EUA que o revelou em “O Clube da Felicidade e da Sorte”. Dos dois filmes, o mais bem-sucedido é “Mil Anos de Oração”, em que Wang trabalha confortavelmente no terreno do contido melodrama familiar, com a história de um senhor chinês que visita sua filha recém-separada nos Estados Unidos e descobre que ela tem um romance com um homem casado.
Já “A Princesa de Nebraska” é um experimento equivocado, mas que ao menos revela o desejo de Wang de sair de sua zona de conforto. O risco da empreitada começa com a forma de exibição. Nos EUA, o filme foi lançado apenas no YouTube, passando ao largo das salas de cinema. E a ousadia prossegue também na linguagem do filme, um drama realista seco, sem o sentimentalismo que mina a obra de Wang, com uma narrativa rarefeita, em que o diretor dá poucas pistas ao público sobre as motivações de sua protagonista.
A câmera do filme cola-se a uma estudante chinesa da Universidade do Nebraska durante a visita de 24 horas que ela faz a San Francisco para abortar o filho que gerou com seu namorado ainda em Pequim. A abordagem de Wang para o drama de sua protagonista ora lembra o nouvelle vaguismo de “Cléo das 5 à s 7″, de Agnés Varda, ou de “Viver a Vida”, de Godard, ora o realismo dos irmãos Dardenne.
Mas “A Princesa de Nebraska” fica bem abaixo de suas referências. Wang não professa da liberdade dos primeiros, nem do ascetismo dos segundos. Longe do seu referencial sentimentalista, seu experimento resulta um tanto artificial e postiço.
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria
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19/11/2008 - 22:53
Em comentário ao post abaixo, Fabio Negro, meu leitor mais fiel (e de uns tempos para cá tão bonzinho que eu começo a desconfiar de que alguém anda usando o nick dele), lançou o desafio: juntar-me aos leitores do Joio.com.br e fazer minha lista das “três atrizes mais bonitas do universo da atualidade”.
“Cê tem uma opinião”, indagou Fabio. Claro, meu caro, sobre poucos assuntos eu tenho tantas opiniões. Por exemplo: certas atrizes podem ser maravilhosas nas mãos de bons diretores e banais na dos maus, como Scarlett Johansson em “Encontros e Desencontros” e “A Ilha”. Algumas perdem pontos por serem canastronas (Jessica Alba), outras parecem mais bonitas por serem grandes intérpretes (Julianne Moore).
Não vou mais longe para não parecer que estou fugindo ao desafio. Então lá vai minha lista trÃplice:
1. Eva Green
2. Monica Bellucci
3. Paz Vega
Correndo por fora: Scarlett Johansson, Jessica Alba, Eva Mendes, Rosario Dawson, Julianne Moore.
Mandei bem, Fabio? E você, caro leitor, tem uma opinião?
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria
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16/11/2008 - 21:11
A edição anual da revista britânica “Useful Photography” traz uma seleção de fotos das seqüências de aberturas de filmes pornográficos (veja a galeria aqui ). E o jornal “The Guardian” constatou: a grande maioria dos vÃdeos começa com 10 situações que sempre se repetem: a visita de um entregador de pizza, de um encanador ou o entregador de móveis, a mulher que derrama algo na roupa, o cara que se machuca e é socorrido por uma bela garota, o funeral e a feira do interior… Para os filmes gays, é necessário ainda menos motivação: um jogo de xadrez na cama, uma conversa no escritório e pronto.
Por que exatamente essas situações, pergunta o “Guardian”. Nenhum motivo especial. Elas funcionam apenas como um pretexto para alguma pergunta do tipo ”existe outra maneira de te pagar?” e para que os atores comecem a tirar a roupa. Mas não deixa de ser bizarro imaginar que alguém pode ainda se excitar com um entregador de pizza ou em uma feira de verduras e legumas. Um pouco de originalidade não faria mal à indústria pornô.
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Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria
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14/11/2008 - 20:25
Presidentes eleitos pela esperança de renovação muitas vezes acabam associados ao que há de mais moderno na cultura de suas épocas. No Brasil, Juscelino Kubitscheck ficou conhecido como o presidente bossa-nova. Nos Estados Unidos, Barack Obama certamente entrará para a história como o presidente YouTube.
Se ainda havia alguma dúvida disso, ela acaba de se dissipar com uma notÃcia publicada hoje na “Variety” . Depois de virar fenômeno no site de compartilhamento de vÃdeos, onde seus discursos e dancinhas estão entre os clipes mais assistidos, o presidente eleito dos EUA anunciou que seus pronunciamentos semanais à nação, tradicionalmente transmitidos apenas por rádio, vão parar no YouTube. Além dos pronunciamentos de Obama, que serão postados todos os sábados, os usuários do YouTube poderão assistir a entrevistas com membros do novo governo democrata, segundo anúncio feito hoje.
“A equipe de Obama escreveu o manual de uso do YouTube para campanhas polÃticas”, disse Steve Grove, editor de notÃcias e polÃtica do YouTube. “Eles não apenas alcançaram uma enorme massa – fazendo o upload de 1.800 vÃdeos que foram vistos mais de 110 milhões de vezes – como também usaram o vÃdeo para cultivar um sentido de comunidade entre seus apoiadores. Obama nos disse no ano passado que ele pretende gravar em vÃdeo pronuciamentos de estilo caseiro. Nós esperamos que a nova administração lance um canal da Casa Branca pouco depois de tomar posse.”
E nós aqui ainda com a “Hora do Brasil” obrigatória.
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria
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