Flora é a ombudsman de “A Favorita”
Na “Folha de S. Paulo” de hoje, há uma boa reportagem sobre Flora, a vilã de “A Favorita” interpretada por Patrícia Pillar. Nela, Laura Mattos escreve: “A perversa personagem caiu nas graças do telespectador. (…) Ela vive a disparar frases e expressões impagáveis, o melhor repertório de vilania televisiva em muitos anos.”
A reportagem faz todo sentido: Flora é um grande personagem criado por João Emanoel Carneiro e o melhor papel da carreira de Pillar. Há quem tenho descoberto que ela é uma bela atriz com o filme “Zuzu Angel”. Eu só percebi isso agora com “A Favorita”.
Mas acho que há algo a ser acrescentado à matéria da “Folha”, o verdadeiro diferencial de Flora. Ela não é uma grande vilã apenas porque solta frases impagáveis, mas porque funciona como uma espécie de ombudsman (ou ombudswoman?) de “A Favorita”, a figura que aponta os problemas da novela de dentro da ficção.
Ela não só rivaliza com Donatela (Cláudia Raia), como também denuncia o ridículo do folhetim tradicional, com suas mocinhas impolutas e seus heróis politicamente corretos. Mas há um efeito colateral grave nessa opção do autor: ao aderirmos ao olhar da personagem (e isso é irresistível), a novela passa a soar débil sempre que Flora não está em cena.
“A Favorita” virou há algum tempo um time de um jogador só. E, como diz o clichê, jogador sozinho não ganha o campeonato.

