Índios demasiadamente humanos
Se você perdeu a primeira exibição de “Terra Vermelha” na Mostra de São Paulo, não perca a oportunidade da ver a segunda hoje (no Reserva Cultural, às 18h10). Co-produção entre Brasil e Itália, dirigida pelo chileno Marco Bechis, “Terra Vermelha” concentra sua força em um aparente paradoxo: o filme é uma eficiente denúncia sobre os índios guarani-kaiowá justamente por não ser um filme-denúncia.
“Terra Vemelha” começa com o suicídio de duas meninas guarani-kaiowá em uma reserva do Mato Grosso do Sul. Por conta desse episódio, um grupo deles decide sair da reserva e montar acampamento junto à terra onde estão sepultados seus antepassados – acreditando que foi a separação desse espaço sagrado que causou seus males. O problema é que a antiga floresta hoje é uma fazenda de agropecuária, cujo proprietário não quer os índios por perto.
Estabelecido o conflito, “Terra Vermelha” torna-se interessante por não se basear em uma simplista oposição entre bons selvagens e maus dominadores, por afirmar que o índio é uma vitima, mas não uma vítima indefesa. Talvez o grande mérito do filme seja oferecer a possibilidade do humor ao índio, figura sempre representada com traços tristes. Os guarani-kaiowá fazem piada sobre masturbação e medidas genitais; odeiam, mas também desejam os brancos; sofrem com paixões e ciúmes juvenis.
Como em “Serras da Desordem”, o brilhante filme de Andrea Tonacci, os índios de “Terra Vermelha” são demasiadamente humanos, não objetos de estudos. São, ao mesmo tempo, o Outro e Eu. Só com a identificação, sem o distanciamento, podemos entender a dimensão de sua tragédia.
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Sem categoria Tags:

“Se você, como eu, perdeu a primeira exibição de “Terra Vermelha” na Mostra de São Paulo, não perca a oportunidade de ver a segunda hoje (no Reserva Cultural, às 18h10).”
Não entendi Calil. Você viu ou não viu o filme? Seus comentários são de quem viu.
Nelson
Oi Nelson, eu vi o filme na sessão de imprensa depois da abertura… Minha frase ficou mesmo confusa. Mudei lá. Obrigado pelo toque. Abs