Que imagem do Brasil os filmes de favela passam?
A propósito da discussão do posto abaixo sobre a escolha de “Última Parada 174″ para representar o Brasil no Oscar e sobre qual imagem do país os filmes nacionais têm passado no exterior, vale ler artigo do “The Guardian” publicado nesta semana. A publicação inglesa pediu para o jornalista David Tryhorn, ex-morador do Brasil, responder a seguinte pergunta: quão realistas são os filmes brasileiros sobre a vida na favela lançados recentemente na Grã-Bretanha? Os casos analisados foram os de “Cidade de Deus”, “Cidade dos Homens”, “Tropa de Elite” e “Linha de Passe”. Leia abaixo alguns dos comentários de Tryhorn:
“O tema que une quase todos os filmes de favela é a ausência dos pais. De fato, os homens têm péssima reputação nos quatro filmes. Se eles não estão baleando um bandido de uma gangue rival, eles estão transando com alguém que não é a sua mulher.”
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“É como se nenhum filme brasileiro fosse completo sem a necessária cota de bandidos com cara de bebê e sandália havaiana. Esse não é um retrato inteiramente injusto, já que o Brasil ainda detém a quarta maior taxa de assassinatos entre os maiores países do mundo. Mas, se fosse possível acreditar em “Cidade de Deus”, você pensaria que todo mundo nas favelas nasce com uma arma nas mãos.”
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“Se você assistir a “Cidade de Deus”, seria perdoado por pensar que a única maneira de ganhar a vida numa favela é pegando uma granada e jogando em qualquer um que não seja da sua gangue. De fato, a vasta maioria dos habitantes de favelas são cidadãos cumpridores da lei com trabalhos regulares.”
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“A violência estilizada é talvez um pouco exagerada, mas ao usar uma mistura de atores desconhecidos e locações reais essa nova onda de filmes brasileiros oferece a mais realista visão da vida na favela já feita. Mas, para o melhor e mais realista retrato das favelas, assista à série de TV “Cidade dos Homens”.”
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Não quero soar nacionalista, mas a visão de Tryhorn sobre os filmes de favela e seu conhecimento do Brasil me pareceram no geral ainda mais limitados do que a visão dos nossos filmes sobre o país.
Dica da amiga Aline Oshima, direto de Londres

