Por que há tão poucas mulheres na crítica de cinema?
A questão acima foi feita em artigo da americana Jennifer Merin, presidente da Aliança de Mulheres Jornalistas de Cinema. O motivo da pergunta é uma pesquisa da aliança que revelou os seguintes dados: 70% das críticas publicadas nos cem principais jornais americanos foram escritas por homens, e 47% das publicações não estamparam em suas páginas nenhuma crítica escritas por mulheres no ano passado.
Não há nenhuma pesquisa semelhante no Brasil. Mas, por observação, posso garantir que os números são ainda mais “sexistas” por aqui. Tome-se como exemplo a “Folha de S. Paulo”, maior jornal brasileiro. Na ”Ilustrada” escrevem regularmente sobre cinema Inácio Araujo, Cássio Starling Carlos, José Geraldo Couto e Pedro Butcher. No “Guia da Folha”, o caderninho semanal de programação cultural, Sérgio Rizzo, Christian Petterman e eu. No “Estadão”, os titulares de cinema são Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin. E assim por diante. Na internet, a coisa deve ser um pouco melhor para as mulheres. Mas duvido que o número de críticas escritas por elas ultrapasse os 20% do total.
Para Merin, a resposta para a pergunta do título é, grosso modo, o velho e bom machismo: “A relativa escassez de vozes femininas na crítica de cinema é uma manifestação de uma indústria que favorece filmes feitos por e para homens, apesar do fato de as mulheres serem ávidas espectadoras de cinema”. Será que no Brasil o motivo é o mesmo?
