Dos sites sobre cinema que conheci recentemente, aquele com o conceito mais original é, sem dúvida, o americano DidntSeeIt, que reúne críticas a filmes que os críticos não viram. Veja, por exemplo, um trecho do texto sobre “Sicko”, o novo documentário de Michael Moore:
“Moore decidiu fazer um filme para mostrar que o sistema de saúde nos Estados Unidos não é grande coisa e que o do Canadá é totalmente perfeito. Ele teve sorte de descobrir que tudo era exatamente como ele imaginou, porque ele faz documentários, que são verdadeiros.”
Ingênuo, mas no ponto. Embora o resultado seja menos interessante que a idéia (os textos, provavelmente escritos por nerds, são bastantes juvenis na média), o site serve para revelar o que há de clichê, de fórmula e de repetição no trabalho de certos cineastas - e também no dos críticos.
Muitas vezes vamos ao cinema com idéias tão preconcebidas sobre um diretor, um gênero ou uma cinematografia que a crítica sairia mais ou menos igual se não tivéssemos visto o filme. Em alguns casos, os preconceitos podem até se revelar acertados, porque os cineastas tendem a repetir certos defeitos e virtudes. Mas, em geral, isso impede que nos surpreendamos com algum diretor.
De cara, lembro do exemplo do David Fincher. Se “Seven” servisse de base para fazer uma crítica às escuras de “Zodíaco” (mesmo diretor, mesmo tema), o texto seria totalmente equivocado. Porque o novo filme não é apenas dez vezes melhor do que o anterior, como quase o seu oposto na anti-espetacularização da figura do serial killer.