Hollywood é isso aí
Indiana Jones, o maior herói da ação do mundo, retorna aos cinemas em 22 de maio de 2008, e sua nova aventura nas telas será apoiada por um impressionante grupo de companhias, como parte de uma campanha global de licenciamento e promoção que envolverá uma ampla gama de produtos de diversas categorias para satisfazer a todas as idades. Na categoria de brinquedos, a Hasbro Inc. irá desenvolver uma linha de bonecos articulados, veículos, RPGs e games. Lego, a marca de brinquedos construtivos mais vendida do mundo, também entrou no projeto como o licenciado exclusivo de cenários para montar. A Hallmark também embarcou na categoria de cartões, objetos e ornamentos de festa. As editoras Random House, Scholastic e DK Publishing irão providenciar a fundação para um robusto programa de publicações. Seguindo sua corrente de títulos best seller, a LucasArtes irá apoiar a franquia com inovadores videogames de Indiana Jones que permitirão aos jogadores “viver” aventuras inéditas de Indy. Além disso, o próximo filme de Indiana Jones também será apoiado por uma forte cadeia de parceiros de promoção, incluindo o Burger King e a MARS North America. Mais sócios serão anunciados em breve.
Este é o começo do material de imprensa sobre o quarto longa-metragem de Indiana Jones, a ser dirigido por Steven Spielberg e produzido por George Lucas, publicado no site do filme. Dá para ficar exausto só de olhar a relação das companhias envolvidas com o licenciamento de produtos relacionados ao filme. Mas a leitura vale a pena: o press release revela mais sobre o atual estado de Hollywood do que qualquer crítica.
O editor de filmes e curta-metragista Marcelo Felipe Sampaio lembra-se do dia de sua infância em que um amigo boliviano lhe ensinou a desenhar a suástica e depois lhe alertou que ele poderia ser preso por ser nazista. Desde essa brincadeira infantil, ele ficou ao mesmo tempo obcecado e horrorizado pelo tema. Anos mais tarde, Sampaio descobriu que Joseph Mengele – chefe do serviço médico do campo de concentração de Auschwitz acusado de 400 mil mortes com seus experimentos pseudo-científicos – havia morado no mesmo bairro onde ele cresceu: Eldorado, na cidade de Diadema, no ABCD paulista.
Sobre Mengele, sabe-se, com segurança, que ele viveu no Brasil entre 1960, quando veio do Paraguai, a 1979, ano em que morreu afogado em Bertioga. Morou em Nova Europa, Serra Negra, Caieiras e Diadema. Nessa última cidade, instalou-se na Estrada do Alvarenga, 5773, perto da represa Billings. Sampaio visitou a antiga casa de Mengele e entrevistou seus ex-vizinhos, que o definiram em geral como um homem pacato, calado e solitário. O cineasta já entrou em contato com uma mulher brasileira que teria tido uma relação amorosa com Mengele, uma ex-empregada de um casal austríaco que abrigou por algum tempo o médico nazista. Ela ainda reluta em falar.
Entre os outros nazistas que Sampaio investiga, estão Gustav Wagner, que trabalhou com Stangl no campo de Sobibór e teve uma lanchonete em São Bernardo do Campo, e Eduard Roschmann, que teria sido proprietário de uma empresa em Rudge Ramos. Em sua pesquisa, o cineasta chegou a um antigo restaurante abandonado na divisa de São Paulo com Diadema que teria sido um ponto de encontro de nazistas.
Pela primeira vez em seus 11 anos de história, o 