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Arquivo de junho, 2007

18/06/2007 - 22:03

Hollywood é isso aí

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Indiana Jones, o maior herói da ação do mundo, retorna aos cinemas em 22 de maio de 2008, e sua nova aventura nas telas será apoiada por um impressionante grupo de companhias, como parte de uma campanha global de licenciamento e promoção que envolverá uma ampla gama de produtos de diversas categorias para satisfazer a todas as idades. Na categoria de brinquedos, a Hasbro Inc. irá desenvolver uma linha de bonecos articulados, veículos, RPGs e games. Lego, a marca de brinquedos construtivos mais vendida do mundo, também entrou no projeto como o licenciado exclusivo de cenários para montar. A Hallmark também embarcou na categoria de cartões, objetos e ornamentos de festa. As editoras Random House, Scholastic e DK Publishing irão providenciar a fundação para um robusto programa de publicações. Seguindo sua corrente de títulos best seller, a LucasArtes irá apoiar a franquia com inovadores videogames de Indiana Jones que permitirão aos jogadores “viver” aventuras inéditas de Indy. Além disso, o próximo filme de Indiana Jones também será apoiado por uma forte cadeia de parceiros de promoção, incluindo o Burger King e a MARS North America. Mais sócios serão anunciados em breve.

Este é o começo do material de imprensa sobre o quarto longa-metragem de Indiana Jones, a ser dirigido por Steven Spielberg e produzido por George Lucas, publicado no site do filme. Dá para ficar exausto só de olhar a relação das companhias envolvidas com o licenciamento de produtos relacionados ao filme. Mas a leitura vale a pena: o press release revela mais sobre o atual estado de Hollywood do que qualquer crítica.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:
18/06/2007 - 00:01

ABCD: Túmulo do Reich

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A casa de Mengele em DiademaO editor de filmes e curta-metragista Marcelo Felipe Sampaio lembra-se do dia de sua infância em que um amigo boliviano lhe ensinou a desenhar a suástica e depois lhe alertou que ele poderia ser preso por ser nazista. Desde essa brincadeira infantil, ele ficou ao mesmo tempo obcecado e horrorizado pelo tema. Anos mais tarde, Sampaio descobriu que Joseph Mengele – chefe do serviço médico do campo de concentração de Auschwitz acusado de 400 mil mortes com seus experimentos pseudo-científicos – havia morado no mesmo bairro onde ele cresceu: Eldorado, na cidade de Diadema, no ABCD paulista.

O diretor decidiu, então, transformar a passagem de Mengele e de outros nazistas pela região no tema de seu primeiro longa-metragem: “ABCD: Túmulo do Reich”. Em fase de pesquisa e captação de recursos, o documentário pretende investigar o que é fato e o que é ficção na presença de seguidores de Hitler na terra de Sampaio. O cineasta já reuniu mais de 100 “lendas urbanas” sobre o assunto. “A maioria tem ao menos um pé na realidade”, garante.

O cineasta Marcelo Felipe SampaioSobre Mengele, sabe-se, com segurança, que ele viveu no Brasil entre 1960, quando veio do Paraguai, a 1979, ano em que morreu afogado em Bertioga. Morou em Nova Europa, Serra Negra, Caieiras e Diadema. Nessa última cidade, instalou-se na Estrada do Alvarenga, 5773, perto da represa Billings. Sampaio visitou a antiga casa de Mengele e entrevistou seus ex-vizinhos, que o definiram em geral como um homem pacato, calado e solitário. O cineasta já entrou em contato com uma mulher brasileira que teria tido uma relação amorosa com Mengele, uma ex-empregada de um casal austríaco que abrigou por algum tempo o médico nazista. Ela ainda reluta em falar.

Mas o documentário não se resumirá a Mengele. Outro nazista que deverá ganhar destaque é Franz Stangl, comandante do campo de extermínio de Treblinka que se tornou chefe de produção da Volkswagen de São Bernardo do Campo na década de 60. Segundo um funcionário de Stangl ouvido por Sampaio, o ex-oficial da SS costumava repetir a mesma frase sempre que um subordinado cometia um erro: “Meu amigo, a eutanásia se esqueceu de você.” O cineasta afirma que as fábricas da Volkswagen e da Mercedes em São Bernardo abrigaram outros nazistas de escalões inferiores.

Restaurante de São Bernardo que teria sido usado como ponto de encontro de nazistasEntre os outros nazistas que Sampaio investiga, estão Gustav Wagner, que trabalhou com Stangl no campo de Sobibór e teve uma lanchonete em São Bernardo do Campo, e Eduard Roschmann, que teria sido proprietário de uma empresa em Rudge Ramos. Em sua pesquisa, o cineasta chegou a um antigo restaurante abandonado na divisa de São Paulo com Diadema que teria sido um ponto de encontro de nazistas.

Sampaio pretende iniciar as filmagens assim que a produtora Big Bonsai captar os recursos. O roteiro do documentário será escrito por Fernando Bonassi (“Carandiru”, “Cazuza”). E o filme será co-dirigido por Gilberto Topczewski (do documentário “Pixote in memorian”). Entre os curtas realizados por Sampaio, está o ficcional “Helmut Gregor está vivo”. O nome é a primeira identidade falsa adotada por Mengele.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:
16/06/2007 - 00:48

Um espelho por um latifúndio

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O jornal francês “Le monde” publicou uma interessante matéria (com tradução pelo Uol aqui) sobre a compra dos direitos de distribuição pela internet de 400 filmes da África pelo canal de TV sul-africano Mnet.

A princípio, a notícia parece ótima, por trazer uma possibilidade de divulgação mundial do pouco conhecido cinema africano. Mas aí entram os detalhes problemáticos: os 400 filmes foram comprados por um total de US$ 5 milhões – preço médio de um longa independente americano. E os direitos de distribuição – que, em muitos casos, estende-se também às salas de cinema e TVs africanas – tem duração de 25 anos.

Alguns cineastas recusaram-se a vender seus filmes e protestaram contra o aspecto “colonialista” da oferta. Mas a grande maioria assinou contrato porque precisava do dinheiro e não encontraria outra forma de distribuição de seus filmes. Pelo visto, o canal sul-africano está aplicando no resto do continente o velho golpe da troca de um espelho por um latifúndio.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:
15/06/2007 - 08:16

No YouTube, o crítico é Você

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No futuro, todos serão críticos de TV ou cinema por 15 minutos. Depois dos blogs, agora é a vez do YouTube ajudar a criar uma geração de resenhistas amadores da indústria do entretenimento. Qualquer filme ou programa de TV relevante hoje vira alvo de uma série vídeos “analíticos” feitos por espectadores e publicados no site.

Garimpado pelo blog Screens, o vídeo de John D. Villareal, um norte-americano com pinta de halterofilista, sobre o episódio final de “Família Soprano” é um bom exemplo dessa novidade.

Em vez de analisar “Família Soprano” como uma crítica da sociedade americana (frescura típica dos críticos), Villareal prefere falar das doideiras dos mafiosos, dos mistérios da trama e, especialmente, dos carrões da série: “Eu gosto de ver A.J. Soprano com um M3 porque eu tenho um M3! Bela escolha, bela escolha de carro, cara! Mas o meu é um pouco melhor. Porque eu tenho eu tenho todos os acessórios. Bom… Uh… O que mais?”

O YouTube pode estar criando uma geração de Rubens Ewalds (embora a estampa de Villareal seja bastante diferente da do nosso estimado crítico). A questão é: haverá um Inácio Araujo a ser descoberto no site?

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:
13/06/2007 - 23:58

Libelo contra o conformismo

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Beto Brant tornou-se não apenas um dos mais talentosos cineastas brasileiros, como também o mais imprevisível. Cada novo filme do diretor parece, ao menos à primeira vista, radicalmente diferente do que o precedeu.

Depois de três policiais com pano de fundo social adaptados de histórias de Marçal Aquino (“Os matadores”, “Ação entre amigos”, “O invasor”), ele pulou para um quase-ensaio sobre realidade e representação baseado em livro de Sérgio Sant’Anna (“Crime delicado”).

Em “Cão sem dono”, filme co-dirigido por Renato Ciasca que estréia nesta sexta-feira no Rio e São Paulo, mais uma reviravolta: Brant faz um “filme de formação” a partir de uma adaptação bastante livre do romance “Até o dia em que o cão morreu”, de Daniel Galera, colega de NoMínimo.

Não são apenas os gêneros e as fontes que mudaram, mas também a forma. Depois de transitar do cinema clássico (“Os matadores”) à influência teatral (“Crime delicado”), ele chega agora a uma estética que pode ser definida como “orgânica”.

Os planos de “Cão sem dono” são longos como os do filme anterior, mas não mais estáticos. A câmera move-se no ritmo da pulsão dos personagens, e cada cena parece um recorte seco da realidade. De uma simplicidade ilusória, a mise-en-scène revela uma notável sofisticação do olhar de Brant.

Já a narrativa é mais direta que a de “Crime delicado”, com menos camadas de significados. O filme se concentra na história da relação entre os jovens Ciro (Júlio Andrade), recém-formado em literatura que vive (mal) de traduções, e Marcela (Tainá Müller), modelo em início de carreira. Depois de uma noite de sexo casual, ela aposta em caso duradouro; ele reluta.

Em crise existencial e profissional, o cético e apático Ciro não consegue enxergar a princípio a epifania que Marcela representa em sua vida. Como de hábito, ele só passa a valorizá-la quando percebe que está prestes a perdê-la.

Na verdade, “Cão sem dono” é a história da transformação de Ciro, o obscuro, causado pela aparição de Marcela, a luminosa. Nesse sentido, é um pequeno libelo contra o ceticismo e uma homenagem ao poder feminino (que encontra em Tainá Müller uma bela tradução).

E aqui chegamos à conclusão de que “Cão sem dono” não é assim tão distante de “Crime delicado” – em que o crítico teatral interpretado por Marco Ricca libertava-se de sua amarga racionalidade ao apaixonar-se pela modelo representada por Lilian Taublib.

Brant já definiu o protagonista daquele filme como alguém que vê o mundo na terceira pessoa e, de repente, decide vivê-lo na primeira. O mesmo poderia ser dito de Ciro – ou mesmo dos protagonistas de outros filmes do cineastas.

Eles são pessoas que, em algum momento, decidiram se rebelar contra um roteiro pronto para suas vidas – recusando-se a esquecer o passado (“Ação entre amigos”), a aceitar a estratificação social (“O invasor”) ou morrer de apatia (“Cão sem dono”).

O não-conformista é uma figura essencial na obra de Brant. Mas não apenas isso. Ele é também o papel que o diretor encarna, com inegável talento, no atual cinema brasileiro.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:
11/06/2007 - 22:00

O primo pobre

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Marcos A, Felipe, do ótimo blog Sela de Prata, envia por email uma história passada em um cinema de Natal (RN) que revela de maneira exemplar o preconceito que os documentários ainda sofrem – apesar da visibilidade que eles conquistaram nos últimos anos.

Tatyana: Por favor, dois ingressos para o filme “Pro Dia Nascer Feliz”.

Atendente: Pra qual sessão, senhora?

Tatyana: Para a sessão das 16h, por favor!

Atendente: A senhora tem certeza que quer comprar pra esse filme?!

Tatyana: Sim! Mas, por quê?

Atendente: Mas a senhora sabe que é um documentário, não sabe?! A gente agora pergunta porque as pessoas compram os ingressos pensando que vão assistir a um filme, e não a um documentário; e, depois, sobem aqui pra reclamar. Agora a gente tem sempre o cuidado de avisar!

Seria bom pensar que esse equívoco deve-se à ignorância de uma só pessoa. Mas talvez a atendente do cinema não esteja assim tão distante do senso comum.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:
10/06/2007 - 23:36

Por dentro de “Veludo azul”

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Os leitores deste blog já devem estar cansados de me ver falando de David Lynch. Mas a dica enviada pelo colega Carlos Alberto Mattos, do Docblog, é boa demais para ser ignorada.

No SculptureCenter de Nova York, o artista polonês Christian Tomaszewski criou uma instalação que tenta traduzir o filme “Veludo azul” (1986), o clássico de Lynch, para o universo das artes plásticas. A idéia básica, como escreve Martha Scwendener para o “New York Times”, é fazer o visitante sentir-se dentro do filme.

Tomaszewski recriou o corredor do prédio onde mora a personagem de Isabella Rossellini, construiu maquetes de várias locações do filme, esculpiu uma orelha humana cortada (objeto que desencadeia a trama de suspense o filme) – entre outras tentativas de transpor o universo de “Veludo azul” para uma galeria.

Para a crítica do “New York Times”, faltou um elemento essencial da obra do cineasta na exposição: o humor. Mas o trabalho de Scwendener tem, segundo ela, o mérito de despertar a vontade de rever o clássico pós-moderno de Lynch.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:
08/06/2007 - 22:50

A melhor atriz da internet

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Jessica Lee RosePela primeira vez em seus 11 anos de história, o Webby Awards, premiação dos melhores da internet, teve uma categoria específica de vídeos online – como resultado da explosão do YouTube. O prêmio mais justo nas 17 categorias foi para Jessica Lee Rose, de 20 anos, como melhor atriz. Ela se fez passar por uma adolescente de 15 na série de vídeos confessionais da lonelygirl15. A bela impostora enganou muita gente – incluindo este blogueiro.

De resto, houve boas escolhas também nos prêmios principais: artista do ano (Beastie Boys), pessoas do ano (Steve Chen e Chad Hurley, fundadores do YouTube) e conjunto da obra (David Bowie e comunidade do eBay). Mas o melhor da noite de premiação foi a duração dos discursos, de no máximo cinco palavras. Bowie foi o único a quebrar a regra: “Eu só tenho cinco palavras? Merda, já foram cinco. Agora mais quatro. E três. Duas.”

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:
08/06/2007 - 00:01

Uma estréia promissora

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Vários fatores tornam “Não por acaso” um filme único no atual panorama do cinema brasileiro. Em primeiro lugar, o completo domínio da gramática cinematográfica exibido pelo novato Philippe Barcinski – maior que o de muitos veteranos. Depois, a maneira delicada e elíptica com que tece sua trama – o que o afasta de uma tendência para o enfático e o reiterativo em nossos filmes. Por fim, o fato de estar mais interessado em acompanhar seus protagonistas do que em apresentar diagnósticos sobre a realidade do país ou parte dela – embora São Paulo seja personagem importante da narrativa.

Diretor dos excelentes curtas “A escada” (1996) e “Palíndromo” (2001), Barcinski estréia em longas com um tema pouco usual: a obsessão pelo controle. É esse sentimento que guia os dois protagonistas do filme: Ênio (Leonardo Medeiros), um engenheiro de trânsito que comanda o fluxo de carros em São Paulo, e Pedro (Rodrigo Santoro), um marceneiro que constrói mesas de sinuca.

As trajetórias dos dois se cruzam por causa de um acidente de carro, em que morrem a ex-mulher do primeiro e a namorada do segundo. Passado o luto, eles irão iniciar novas relações: Ênio será procurado pela filha que não conhece (Rita Batata), mas relutará em sair de seu casulo; Pedro começará um caso com uma inquilina (Letícia Sabatella) de sua ex-namorada, em que tentará reproduzir os mesmos hábitos que tinha no romance anterior. Mas logo os dois perceberão que não podem controlar tudo em suas vidas. No interior do filme, está o velho embate entre vontade e acaso como motores do destino, entre determinismo e casualismo.

Em seu primeiro longa, o grande mérito de Barcinski é transformar esse paradoxo essencial não em uma tese de mestrado, mas em uma narrativa de ilusória simplicidade – menos experimental que em seus curtas, mas com o mesmo tipo de construção labiríntica. E o único senão é o fato de o filme sofrer também de uma certa obsessão pelo controle, assim como seus protagonistas. “Não por acaso” deixa a impressão de um filme rigidamente pensado e executado, com pouco espaço para o improviso e a surpresa. Em uma palavra, para o acaso.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:
07/06/2007 - 10:25

Gênio e monstro

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Dois livros sobre a cineasta preferida de Hitler chegam ao mercado americano simultaneamente: “Leni: The life and work of Leni Riefenstahl”, de Steven Bach, e “Leni Riefenstahl: A life”, do alemão Jürgen Trimborn. Ambos são analisados em um texto da publicação “The New York Review of Books”.

Diretora dos documentários “O triunfo da vontade” (1934), espetáculo de glorificação de Hitler, e “Olympia” (1938), obra de culto à forma física dos atletas das Olimpíadas de Berlim, Riefenstahl (1902-2003) é geralmente vista como um gênio monstruoso, alguém capaz de fazer o melhor cinema para as piores causas.

A partir da leitura dos dois livros, Ian Buruma, autor do texto do “Review of Books”, questiona a primeira parte desse senso comum. Sim, ela era um monstro, ele diz. Mas não um gênio. Para o escritor, Riefenstahl – que inventou uma série de novos procedimentos para melhor filmar seus objetos – era uma grande técnica, mas não uma verdadeira artista.

Ao falar sobre “O triunfo da vontade”, por exemplo, ele diz: “Se deixarmos de lado as visões e sensibilidades pessoais de Riefenstahl, seus talentos eram um par perfeito para o grande projeto de Hitler de transformar sua ambição genocida em espetáculo de massas, um tipo de musical da morte. Mas o filme era muito kitsch, no sentido das emoções falsas e deslocadas, para ser grande arte. Em Riefenstahl, Hitler encontrou seu técnico perfeito.”

Em relação a “O triunfo da vontade”, Buruma pode até ter razão. Mas não a respeito de “Olympia”, este sim um grande filme, cujos méritos vão muito além das questões técnicas – embora com uma visão de mundo no mínimo questionável, em sua adoração da perfeição física. “Olympia” é a prova de que pode ser gênio e monstro ao mesmo tempo.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:
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