Um amor na Transylvania
Para este blogueiro, “Exílios” foi um dos melhores filmes exibidos no Brasil em 2005. Também representou a tardia descoberta do cineasta franco-argelino Tony Gatlif, que já tinha um certo renome na Europa desde “Gadjo dilo” (1997).
Agora chega ao Brasil “Transylvania”, novo filme de Gatlif. Apesar de inferior a “Exílios”, o longa confirma o cineasta como um dos autores mais vitais do cinema atual e preserva as principais virtudes de sua obra: direção e atuações marcadas pelo improviso e liberdade; histórias de amor inusitadas e não-sentimentais; olhar atento aos conflitos étnicos europeus (com destaque para o preconceito contra os ciganos); e música de primeira qualidade, composta pelo próprio Gatlif.
O cenário de “Transylvania” é novamente o interior da Romênia, o mesmo de “Gadjo dilo”. Para lá ruma a desequilibrada Zingarina (Asia Argento), atrás do namorado de quem está grávida. Mas ele a rechaça no primeiro reencontro. Ela acaba pegando carona com o trapaceiro Tchangalo (Birol Unel), comerciante que corre o país comprando ouro a preços irrisórios. Depois da desconfiança inicial, os dois aos poucos cedem ao desejo e depois ao afeto.
Como nos outros filmes do diretor, a liberdade narrativa às vezes se confunde com falta de rumo, e o improviso dos atores leva a diálogos sofríveis. Mas o carinho pelos personagens e a energia das cenas de música e dança compensam os problemas pontuais – o que talvez aproxime a obra de Gatlif à do iugoslavo Emir Kusturica. “Transylvania” pode ser um pequeno filme imperfeito, mas tem um contagiante entusiasmo pela vida.
Curioso para saber como os críticos lembram de todos aqueles pequenos detalhes sobre os filmes que assistem? Então dê uma olhada no 