“Ó paí, ó”, um filme esquisito
A grande surpresa de assistir a “Ó paí, ó”, que estréia nesta sexta-feira, é descobrir que seu título (uma contração de “olhe para aí, olhe”) é a menor de suas esquisitices. A maior delas é o fato de essa produção “made in Bahia” ter ficado com cara de produção estrangeira.
Baianos são a diretora (Monique Gardenberg), o autor da peça homônima na qual o filme se baseou (Marcio Meirelles0, o coordenador da trilha sonora (Caetano Veloso) e a maioria dos atores (muitos deles vindos do Bando de Teatro Olodum, que já encenou o texto em Salvador). Baianos também são o cenário e o tema da história dessa comédia musical de situações, que acompanha diversos moradores de um cortiço próximo ao Pelourinho ao longo do primeiro dia de Carnaval.
Mas há tantos estereótipos culturais, sexuais e religiosos em cena que, apesar do sotaque legítimo, “Ó paí, ó” nem parece baiano. Ou melhor, o olhar do filme para seu universo não parecer ser “de dentro”, mas estrangeiro. Isso deriva da escolha por fazer um humor a partir de tipos: mãe-de santo e baiana do acarajé, travesti e lésbica, malandro do bem e do mal e assim por diante. Poucos personagens escapam da caricatura, entre eles Roque (Lázaro Ramos), pintor e aspirante a cantor, e Psilene (Dira Paes), mulher que volta a Salvador com as mãos abanando depois de casar com um gringo.
Essa escolha pela tipificação dos personagens aproxima “Ó paí, ó” perigosamente dos humorísticos de TV. Mas não é o único elemento que causa estranheza no filme. Estranha é a alternância indiscriminada entre película e vídeo na fotografia do filme. Estranho é o fato de Wagner Moura, um dos jovens atores mais talentosos do país, estar dois tons acima do resto do bom elenco (não havia ninguém no set disposto a dar um toque?). Estranho é o passo para trás dado por Gardenberg em sua carreira, depois de estrear com o frágil “Jenipapo” e mostrar evolução no interessante “Benjamin”.
Agora estranho mesmo é o final do filme. Na maior parte da projeção, “Ó paí, ó” parece ser uma exaltação turística do hedonismo baiano. Aos 45 do segundo tempo, porém, ele quer nos convencer de que é também uma denúncia social contra o apartheid disfarçado que segrega os negros pobres de Salvador. Muito esquisito.

Atenção, cariocas!
Vão aprendendo: vocês são os baianos amanhã. É a síndrome de ex-capital, que demora uns duzentos anos para passar.
“Ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal. Ainda irá tornar-se um imenso Candeal.”
Existe mesmo essa fixação por estereótipos, por figuras-padrão, talvez como um recurso para facilitar a transmissão da idéia.
Mas a verdade é que na telona, na telinha ou no palco fica meio carregado, forçado, tanto para quem não é do ambiente, como para quem é, mas tem o senso crítico, ou tenta tê-lo, sempre a disposição.
Em “Cidade Baixa”, também teve isso, com o agravante do uso de gírias de vida curta, presentes à época das gravações. Consequentemente, quase incompreensíveis para não- soteropolitanos.
Não é isso o pior, no entanto. O pior é essa escolha granítica do lado meramente provinciano, bairrista, pitoresco da Bahia. Tem gente (não só de fora, mas também daqui (sim, sou baiano) que prefere contrapor radicalmente “as coisas da Bahia” a uma visão cosmopolita do mundo.
Como se a Bahia fosse assim uma espécie de reserva de primitivismo do Brasil. Politicamente, isso deu terreno a uma série de barbaridades das quais ACM é apenas um (e o pior) exemplo.
Algumas vezes a atitude do “não vi e não gostei” dá certo. Este me parece ser o caso do filme em questão. Eu vi o comercial dele, na Globo é claro. Uma amontoado de globais “habitués” de novelas num ambiente caricaturalmente exagerado de “baianidad”, como apresentado pelo colunista e detonado pelo nosso colega palpiteiro, Eu. Quando passar na TV aberta, na sessão da tarde eu vejo para me divertir com uma bobagem. Sair de casa e pagar caro para ver tal caça-níqueis, nem pensar!
é uma boa!tudo resolvido!
Cinema brasileiro é o seguinte. De um lado, a galera global transpondo pro celulóide seu jeito Caras de ser. Do outro, galera intelectual transpondo para o celulóide seu jeito Nietzche (ou Leminsky) de ser.
Não achei minha tribo no cinema nacional.
Pior será depois os bobalhões acreditarem que este enlatado merecerá ganhar o Oscar como ocorreu com Cidade Dos Homens. No país tirando futebol, violência e carnaval nada se aproveita.
Outra coisa: Caetano Veloso trabalhou na trilha sonora do filme. Ou seja, virão por aí entrevistas indignadas e artigos desancando aqueles que desancaram a película. Caetano o-d-e-i-a aqueles que falam mal do jeito soteropolitano de ser. Um jeito com o qual ele tem a ver na condição sociólogo e antropólogo a que se dedica nas horas vagas.
A propósito, seu texto tentando decifrar a expressão do título é uma pérola representativa de um certo tipo de caetanismo.
Não generalizem na malhação ao cinema nacional. Existem coisas imponderáveis, que não se sabe como explicar. Raramente vou ao cinema. Mas gosto de ler a crítica de certos comentaristas do gênero. A maioria delas são para mim irrelevantes. Mas às vezes, algo nelas me toca. E me leva gastar meu rico dinheirinho numa entrada. E assim foi com “Cinema, aspirina e urubu”. Uma obra-prima, assistida apenas por três pessoas naquela sessão. Teria sido por causa do “urubu” ?
Geeeennnnteeee! Adorei o filme! tudo de bom! Bjs aos q não gozam e transferem suas frustrações para as críticas de cinema!
Rezo para que estes “críticos” (Ricardo, eu, pobrema, incoerente, etc, me recuso a ler o resto) ou seria melhor “invejosos” tenham seus desejos realizados na proxima encarnação: serem baianos! A gentinha brasileira continuará sendo “vira lata” enquanto acharem que “um porco é mais limpo que o outro”!
Acho um saco todo filme brasileiro ter que ter um cunho social- bairrista. Um filme brasileiro que o título tem que ser explicado para os próprios brasileiro…
ó pai ó!!!!!
Vi o filme e fiquei com a mesma impressão do Merten, não consegui saber se gostei ou não. Me pareceu algo interessante e não tem nada a ver com montagem global. Os artistas como Lázaro Ramos na verdade se projetou e acabou na Globo justamente pela montagem deste texto.
Como baiano já estou acostumados a cretinices do tipo “Baiano não nasce, estréia!” …Esse filminho que explora esteriótipos, e reúne parte da nata decadente dos intelectuóides de plantão…merece boicote…não vi, e não gostei!!!
Monique Gardenberg na verdade nem baiana, é das oropa,. toda sofisticada. E na verdade quem fala mal do filme nem sabe que o buraco é mais embaixo, pois além da Monique e do Caê, ainda tem lá o novo gênio do carnaval e o famigerado novo secretário da cultura da Bahia, o vomitável Márcio Meirelles, autor da praga, desculpem, peça que deu origem, ou melhor desencadeou o filme e até onde saiba, série de tv, album de música, marca de camisinha, chiclete com estriquinina. Cara Caramba, Cara caraô!
O filme é muito bom!
E os filmes brasileiros estão evoluindo muito!!
E dizer q n viu e n gostou é ridiculo! Vc n pode julgar o q n conhece! Seus preconceituosos!!
Só lamento por vcs q n valorziam o q é nosso e dos q so assistem cinema americano hollywoodiano d merda! N tem cultura e fica nesse mundinho fechado e ignorante!
Vi o filme e adorei!!!
No mais, concordo com Aléxia: muitos frustrados (jornalistas e/ou platéia) transferem os seus complexos para a crítica cinematográfica.
Vive la différance!!!
Em primeiro lugar apenda o que significa a Macumba, ignorante de merda
Acabei de assistir, achei horrendo, oq foi dito aqui é inflelizmente a mais pura verdade !!!
“bruno: Em primeiro lugar apenda o que significa a Macumba’ assino embaixo… é preciso romper com a ignorancia.
Sobre o filme, pra mim não passou de um ‘longa’ da Globo.
Sobre a qualidade dos filmes brasileiros: os filmes norte-americanos são bons? ok, vamos aprender com eles então..hehe… eu não faço cinema, admiro quem tenta fazer, num país onde ‘cultura’ é algo tão pouco valorizado, e odne a ‘curtura do funk’ é tão difundida…
a propósito de filmes: alguém viu o ‘cegueira’? eu achei bom.