Por que Alemão vai vencer o “Big Brother”?
A essa altura, até o mais intelectualizado dos meus colegas de NoMínimo, aquele que se orgulha de não ver TV, já sabe que Diego/Alemão será o vencedor da sétima edição do “Big Brother” na próxima terça-feira. Se já sabemos quem, a pergunta fundamental passa a ser por quê?
Não é uma questão fácil de ser respondida, porque Alemão será o menos previsível dos ganhadores do programa. Ele não pertence às classes desfavorecidas (Cida, Mara), nem às minorias oprimidas (Jean). Não faz o tipo caipira ingênuo (Bam Bam, Rodrigo Caubói) ou esperto (Domini).
À primeira vista, Alemão parecia se encaixar no figurino do jovem com um cérebro de tamanho inversamente proporcional ao do bíceps – um tipo que foi rejeitado nas edições anteriores do “Big brother” (de um mês para cá, já era óbvio que ele se tornaria o vencedor, mas quem poderia imaginar esse desfecho ao vê-lo na primeira semana do programa?)
Pois a primeira razão da (futura) vitória de Diego foi justamente contrariar esse estereótipo. Complexo e contraditário, ele mostrou que essa categorização faz muito mais sentido para quem produz e critica o programa (incluindo este blogueiro) do que para quem participa dele.
A esse motivo, somam-se outros não menos importantes. A começar, claro, pelo triângulo amoroso que ele formou com Iris e Fani e que ajudou a transformá-lo em um herói para os homens e um objeto de desejo para as mulheres. Mas isso só foi possível graças a seu carisma e habilidade; sem essas virtudes, Diego poderia ser invejado por eles e odiado por elas.
Também foi importante para a vitória o fato de Alemão ter sido perseguido pelo grupo do Caubói e de ter assumido seu desejo de vingança. Acostumado ao folhetim das novelas, o público gosta desse confronto entre bem e mal. E, nesse caso, não havia muitas dúvidas de quem era o herói, o vilão e a mocinha da história – ainda mais com uma ajuda da edição.
Todos esses elementos foram relevantes para o sucesso de Alemão. Mas acho que o motivo essencial – aquilo que o torna único na história da versão brasileira do programa – é outro: Diego foi o “big brother” que se relacionou de maneira mais íntima com a câmera – e, portanto, com o público.
Em vários momentos do programa, Alemão dispensou intermediários. Fez declarações de amor para Iris, mandou beijos para a família, agradeceu os patrocinadores – tudo isso falando direto para a câmera. Jogou não apenas com os outros participantes, mas também para a platéia. Assumiu-se como um personagem dentro de uma ficção, revezando-se entre diferentes papéis ao longo do programa: o sedutor, o apaixonado, o vingador etc.
Depois de seis edições de atuações essencialmente naturalistas, de tentativas mais ou menos bem-sucedidas de reprodução da realidade, Diego abraçou com todas as forças o distanciamento brechtiano, método de interpretação criado pelo (alemão) Bertolt Brecht que escancara os artifícios da dramaturgia. O público reconheceu sua honestidade e ousadia.
Na terça-feira, Alemão vencerá o “Big Brother” não apenas por ser o melhor jogador do programa, mas também o mais moderno de seus atores.
