Tchau TV, olá internet
Foi o desafio final para qualquer espectador de TV de longa data. A ‘Wired’ me pediu para cortar o cabo coaxial que serpenteia até minha TV de alta definição e por 30 dias confiar apenas no conteúdo legal oferecido na internet para satisfazer as necessidades de entretenimento em vídeo de minha família de cinco.
Nós fizemos a pergunta: a internet está finalmente pronta para matar a velha televisão?
As regras eram simples: tudo que eu pudesse baixar seria jogo limpo, mas não haveria sinal de TV via cabo, satélite ou ondas aéreas. Nós decidimos que assistir programas de TV que ficaram guardados no box da TiVo da minha família seria trapacear, então a caixa foi para o armário. Por insistência de meu editor, eu danifiquei o cabo entre a parede e minha TV com grampos. E em um chuvoso dia de novembro minha companhia de TV a cabo veio e levou embora meu decodificador.
Assim começa na revista americana “Wired”, considerada a bíblia das novas tecnologias, o artigo assinado pelo jornalista Robert Lemos sobre sua fascinante experiência de trocar a TV pela internet por um mês.
No começo, houve percalços. O primeiro foi descobrir que a internet acabava com o aspecto gregário da televisão. Em vez de se reunirem diante da TV, cada membro da família Lemos passou a ver os programas em seus computadores pessoais; Robert e sua mulher nos desktops do escritório, os filhos em laptops na cozinha. Esse problema foi fácil de resolver: ele comprou um cabo para conectar o computador à TV e assistir aos programas no velho aparelho (o que não era proibido pelas regras do jogo).
Depois, o jornalista descobriu que já existe uma oferta decente de séries de séries de TV e filmes tanto no iTunes da Apple quanto no Xbox Live Marketplace da Microsoft. Mas a compra diária de conteúdo acabava saindo mais cara do que a assinatura da TV a cabo. Robert tampouco teve dificuldades para contornar a questão: ele logo percebeu que já existem vários programas oferecidos gratuitamente por redes de TV em streaming – com algumas deficiências técnicas, mas qualidade de imagem superior à que ele havia imaginado.
Por fim, Robert notou que a oferta de programas ao vivo, como noticiários e jogos esportivos, deixava a desejar. Nesse ponto, ele não enxergou solução à vista – já que a internet não tem infra-estrutura para transmissões em tempo real a grandes massas de espectadores. A boa notícia é que ainda estamos vivendo a pré-história do vídeo na internet. Portanto, a quantidade de conteúdo e a qualidade da transmissão só tendem a melhorar com o tempo.
Ao cabo de um mês de experiência, Robert decidiu que não irá reconectar a TV a cabo e continuará a usar apenas a internet para abastecer o entretenimento de sua família. Ele termina seu artigo em um tom otimista: “No final das contas, baixar vídeos da internet não é a mesma coisa que a programação de TV ao vivo. Mas, em alguns anos, eu acredito que será melhor.”
Isso significa que a internet está pronta para matar a televisão? Não, ainda não. Talvez ocorra em um futuro próximo. Ou, quem sabe, os dois meios se tornem uma coisa só – em vez de um eliminar o outro. O caso de Robert é de exceção: ele é um jornalista americano especializado em tecnologia, com alto poder aquisitivo, sem um grande vício em TV. No Brasil, por exemplo, pouquíssimas pessoas preenchem esses três requisitos hoje. Além disso, há pouco oferta de conteúdos online em português (em compensação, pode-se baixar programas americanos e assisti-los antes de sua exibição na TV por aqui).
Conheço dezenas de pessoas que fazem o download de séries e filmes rotineiramente. Mas eu nunca consegui esse feito, por pura ignorância tecnológica. Mas não duvido de que um dia serei a exceção, não a regra. A questão não é se irá acontecer, mas quando. Como mostra a matéria da “Wired”, o futuro está muito mais perto do que pensamos.
Depois de várias semanas de suspense, Gilberto Gil finalmente tomou sua decisão e irá comunicá-la esta semana a Lula: ele permanecerá à frente do Ministério da Cultura no segundo mandato do presidente. A informação foi confirmada hoje por duas fontes próximas a Gil no MinC.