iG

Publicidade

Publicidade
31/12/2006 - 00:03

Quatro sucessos para 60 fracassos

Compartilhe: Twitter

O site Filme B, que reúne os números mais confiáveis sobre o cinema brasileiro, divulgou o ranking de público dos filmes nacionais em 2006 (para assinantes, aqui).

O primeiro dado que salta aos olhos é o grande número de lançamentos: 64 filmes brasileiros entraram em cartaz neste ano. Essa seria uma boa notícia, se as produções tivessem encontrado seu público. Não foi o caso.

A maioria absoluta dos filmes teve público abaixo do esperado. “Zuzu Angel”, por exemplo, ficou em terceiro lugar com respeitáveis 774 mil espectadores, mas a previsão era de algo entre 1 milhão e 2 milhões.

Nada menos que 32 filmes – ou metade dos lançamentos – ficou abaixo da linha de 10 mil espectadores. Cinco deles (“Um craque chamado Divino”, “Outra memória”, “O dia em que o Brasil esteve aqui”, “Mensageiras da luz – Parteiras da Amazônia” e “A oitava cor do arco-íris”) nem chegaram a mil.

A rigor, houve quatro histórias de sucesso no cinema nacional em 2006. “Se eu fosse você”, comédia de Daniel Filho produzida pela Globo Filmes, liderou o ranking com 3,64 milhões de espectadores, puxada pela popularidade televisiva de seus astros Tony Ramos e Glória Pires. “Wood & Stock: Sexo, orégano e rock’n'roll” conseguiu um público de 45 mil pessoas, número respeitável para uma animação nacional independente.

“Estamira” atraiu 37 mil espectadores, resultado surpreendente para um documentário sobre uma catadora de lixo esquizofrênica, mas que pode ser explicado em parte pelo grande sucesso do filme junto a psicólogos e psiquiatras. E “Acredite! Um espírito baixou em mim” foi um fenômeno local em Minas Gerais, onde registrou a grande maioria dos 30 mil ingressos vendidos.

A discrepância entre o grande número produções e o fraco desempenho da maioria dos filmes indica que os problemas do cinema brasileiro continuaram em 2006 – principalmente na área de distribuição e lançamento.

Boa parte desses filmes foi jogada nos cinemas sem qualquer tipo de planejamento para encontrar seu público. Muitos poderiam ter sido feitos para a TV ou o mercado de DVD. Para o cinema brasileiro ter um ano melhor em 2007, essas questões precisam ser enfrentadas com urgência.

Como esta é a última nota do ano, aproveito para desejar um ótimo ano a todos os leitores. Obrigado pela leitura e pelos comentários. Espero que a gente se encontre de novo aqui em 2007.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:

Ver todas as notas

26 comentários para “Quatro sucessos para 60 fracassos”

  1. xuxa xoxota disse:

    Se botasse algumas putas da Rede Globo pra fazer película de sexo explícito, a história seria outra.
    O rosto da Deborah Secco parece que está virando uma caveira. Será que o motivo se deve ao fato dela dar o rabo pra qualquer um que aparece na frente ou algum outro fato que esteja escondendo de todos ?
    É uma putaria total.

  2. Brother Sam disse:

    Nossa mãe, que lista! Esse negócio de incentivo é mesmo um cabide de emprego. Tem mais é que dar a grana pro esporte.

  3. Luiz Antonio disse:

    Caro colunista,
    O que aconteceu com o filme “A fronteira” do Roberto Carminati. Não consegui assistir no cinema nem achei o DVD.
    Um grande abraço e Feliz Ano Novo.

  4. Zé Bush disse:

    well…cinema brasileiro ainda não tem vocabulário próprio.Tem sotaque de novela e minissérie global.Parou no dualismo “nordeste miserável-malandro carioca”, nesse bairrismo boboca e fútil.
    Salvo honrosas exceções não tem assunto, não tem língua, não tem profundidade nem vibração.Ainda é feito para demonstrar virtuosismo técnico e efeitos de fotografia do diretor, perdido em “citações” e colagens metafóricas que ninguém entende.Ainda predomina uma interpretação novelesca, esse naturalismo barroco chato e repetitivo de “tipos”,”expressões” e “atitudes”.
    Falta divulgação profissional e distribuição (tá,é caro sim), sendo que a coisa ainda está na fase da propaganda boca a boca.É uma pena, pois só com exibição massiva é que a coisa pode ir prá frente.
    Tem lugar pra tudo naquela tela, desde documentário até drama,suspense,policial, comédia, filme de putaria, babação vanguardista, viagem experimental e o diabo a quatro.
    Mas tem que saber falar e falar direito.

  5. Claudio disse:

    O financiamento com dinheiro público associado à ausência de visão comercial por parte da classe resulta em filmes que mais se destinam a alimentar egos do que a serem vistos.

  6. Carlos disse:

    A verdade é que não é o filme nacional que é de todo ruim não, pode se assistir filmes bons, mas venhamos e convenhamos esses filmes faram muito mais sucesso na telinha por ser de graça, o ibope pode confirmar isso. Pagar R$12,00 no cinema esta caro, muito caro. Eu mesmo não pago, e não é por falta do dinheiro mas por achar um roubo das empresas exibidoras. Afinal eu posso ir assitir a um filme de spilberg onde se gasta 300 milhoes de dolares para fazer o filme, mas porra os caras gastaram uma fortuna pra fazer o filme pode ser uma merda mas gastaram, agora vc vai no cinema e paga R$ 12,00 pra assistir uma produção de 3 milhões de reais, ai pergunto nao pela arte mas pelo empenho e por todo o trabalho, qual voce vai valorizar mais.

  7. 1000??? disse:

    1000???? Deve ter tido mais gente na produção do filme do que nas cadeiras de cinema para assisti-lo!!!

  8. Aparecido Araujo Lima disse:

    Ricardo, quando você faz a citação do filme Estamira, o faz com certo desdém, lamento discordo do seu tipo de comportamento, pois o documentário/filme Estamira foi um dos melhores filmes que já assisti. Bem feito, bela fotografia e uma película que nos faz repensar o que significa a Esquisofrenia. Tem uma passagem do filme que a personagem retratada (Estamira), comenta sua ida à psiquiatra e dizendo que a mesma, sem consultá-la receita novamente Diasepan e diz que não vai tomar pois não quer ficar dopada. Por estas passagens e outras que considero o filme Estamira o melhor do ano, inclusive deveria constar na sua lista do ano.
    Um forte abraço e feliz 2007
    Cido

  9. Edson Rodrigues disse:

    O cinema brasileiro está – infelizmente – sem identidade. O que faz sucesso hoje são filmes “puxados” por produções e elencos ligados a nossa televisão. Por esse motivo um filme estrelado por Toni Ramos e Glória Pires faz sucesso e outros não. Há aqueles que chegam a concorrer em prêmios no exterior, mas os mesmos – via de regra – mostram um Brasil paupérrimo, reforçando ainda mais a péssima imagem que o país tem lá fora. E tem também aqueles que exploram o lado comercial de gente que fez sucesso, como foi o caso de 2 Filhos de Francisco e aquele outro que conta a vida do Cazuza. O resto do que se é produzido enfrenta toda uma sorte de problemas que vão desde orçamento até distribuição. E pela visão que o pessoal do setor possui, esse quadro tende a não mudar agora em 2007.

  10. Pedro Rocha disse:

    Caso tivessem que botar do seu, bancando todos os riscos, e arcando com os prejuízos futuros, este pessoal que faz estas merdas nacionais teria mais critério. Por enquanto, não passa de um ôba-ôba, com o dinheiro da viúva; em tese, nosso rico dinheirinho que estão queimando!Viva o Brasil e sua arte cinematográfica!

  11. Nino disse:

    No cinema brasileiro sobram idéias e faltam roteiristas, e se houvessem morreriam de fome pois a maioria dos diretores/realizadores é seu próprio roteirista. o padrão Globo também ‘ajuda’. Formou gerações de uma platéia que vai ao cinema para assitir televisão, por consequência, os realizadores q se preocupam com o mercado q o seu filme vai encontrar faz filmes para estas pessoas. É o mistério da galinha e do ovo, quem nasceu primeiro? Me parece provável que esta conjugação de fatores é que faz estes filmes chatos do Daniel Filho fazer sucesso. Televisão filmado e uma máquina publicitária (Globo) poderosa. Com certeza existem outras causas. Agora quem só mete o pau no cinema brazuca deveria pegar os números do cinema americano por exemplo e veja quantos lançamentos não decolam. O que os salvam é que eles conseguem vender seu lixo pro mundo inteiro.
    Para horror dos xenófobos, se pudesse, eu decretaria a argentinização do cinema brasileiro. Argumentos sólidos, roteiros inteligentes, realizadores talentosos, orçamentos honestos e muita, mas muita simplicidade. Só.
    Um abraço Calil e um 2007… de cinema.

  12. edbar disse:

    Alguns talentosíssimos e sérios emprendedores abriram o seu espaço na arte cinematográfica brasileira (F. Meireles, G. Arraes, W. Sales, além de Babenco, Cláudio Assis e mais uns 02). Aí, os oportunistas vieram atrás. …E tome financiamento, e tome delírio de alquimistas preguiçosos. Como aqui no Brasil não há o marketing dos americanos que veiculam tudo, as porcarias ficam na lama de onde não deveriam tentar sair.
    Resta aos financiadores ter cuidado onde jogam o dinheiro do povo.

  13. Ma. Adelaide - 1/01/2007 disse:

    Em 2006, assisti, que me lembre, quatro filmes brasileiros: A Dona da História (Bom!), Os dois filhos de Francisco (previsível), Zuzu (Bom!) e Anjos do Sol (Muito bom!!). O que aconteceu com o desempenho deste filme junto ao público? Foi tão baixo assim, a ponto de não ser considerado um sucesso? Estranho, pois vários amigos meus foram assistir e gostaram. Eu inclusive espero a saída do DVD para enviar para um amigo meu no exterior.

  14. Renata disse:

    Seria bem mais fácil melhorar esses números se o ingresso dos cinemas fosse mais acessível ao povo, com a falta de preocupação em produzir filmes nacionais com qualidade, soma-se o preconceito à eles, aqueles que só podem ir ao cinema uma vez por mês, preferem mil vezes se arriscar em assistir a um filme estrangeiro.

  15. fábio disse:

    Antes de criticar é preciso sabermos o porque desses filmes não decolar.muitos as vezes são por faltas de verbas.muitos filmes são bons e interessantes ,mas não tem incentivo e nem patrocinadores para gravarem ,editarem e colocarem no mercado filmes e histórias ótimas que acabam sendo engavetados. realmente tudo isto é triste quando vemos “xuxa e didi” 2 artistas ja velhos sem semancol tentando empurrar pela güela abaixo dos brasileiros filmes rídiculos todo o ano como ,xuxa e o gnomo,xuxa e duende, xuxa e a floresta encantada, didi e o fantas ma 1, didi e o fantasma 2,3,4,5,6,7….enfim éssa hipocrísia sim tem patrocinadores e apoio de quem ? da poderosa “globo”.ja basta é preciso o povo dizer que ja esta farto de ser enganado por estes filminhos ,que não tem nem histórias ou seja é sempre a mesma história que nos empurram güela abaixo.histórias que nem as crianças mais aguentam .

  16. João Paulo disse:

    O cinema brasileiro sempre foi assim: Um fracasso de público, mas um sucesso de verbas. Só sabem espernear.
    O governo deveria ter destinado a maior parte da grana ao esporte, que integra mais, ajuda na parte social, beneficia atletas e consegue fazer alguma coisa realmente útil.
    Haja vista os últimos resultados do nosso atletismo e outros esportes em geral.
    Mas esses parasitas sabem fazer barulho!

  17. Apocalíptico disse:

    Boa parte desses filmes é uma porcaria.
    São delírios megalômanos de gente que nunca dirigiu nem animação de massinha.
    Mas, resolveram se escorar na Lei Rouanet, e com alguns bons contatos, colocam filmes tecnicamente lamentáveis nas salas de cinema.

    Claro que vai ter o “papo-cabeça” que vai falar que temos que privilegiar o cinema nacional, que os ianques isso e aquilo, blá, blá e blá. Besteira.

    Enquanto o cinema nacional viver de diretores e atores globais (e suas atuações enlatadas), visões bairristas, e produções tecnicamente pobres, vai amargar públicos ridículos, e vai continuar a bater na porta do governo em busca de subsídios.

  18. Logan disse:

    A questão é que a grande maioria os filmes brasileiros só abordam temas de relacionamento enquanto trazem a herança das horríveis pornochanchadas!! Assuntos de relacionamento ninguém quer saber, e pornochanchadas…. é melhor locar um bom filme da Buttman!! A propósito, falando nisso, nossas (boas)atrizes a exemplo da Gretchen e da Rita Cadilac, deveriam estrelar pornôs de verdade, isso depois de tomarem um curso na Buttman, claro, pra não fazerem aquelas coisas horríveis que as duas fizeram! Não deu nem pra se exitar!!

  19. Rodrigo disse:

    Vi excelentes filmes brasileiros em 2006: O Céu de Suely, Cidade Baixa, O ano em que meus pais saíram de férias, Anjos do Sol…

    Qualidade não falta (é claro q temos pocarias tbm). O q falta é o público brasileiro ser atraído, e esquecer um pouco as porcarias hollywoodianas.

  20. Johnny disse:

    O filme brasileiro soh vai ser bom o dia q a politica no Brasil for boa!

    Lula 2007 – O filho dele (Ronaldinho dos empresários) entrará na FORBES esse ano!!!! Por pura “cumPTenssia”!!!

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório







Voltar ao topo