O céu de Elis
“Por toda minha vida”, especial sobre Elis Regina que a Globo exibiu ontem, foi uma mistura de vários elementos: emocionantes imagens de arquivo, alguns depoimentos interessantes, um ou outro bom número musical, apresentação correta de Fernanda Lima e cenas de reconstituição de época absolutamente cafonas.
Na melhor das hipóteses, a reconstituição lembrou um “Linha direta” com músicas no lugar dos crimes. Na pior, uma filmagem de uma peça ginasiana sobre a vida de Elis. O grande personagem garantiu o interesse do especial, mas o docudrama quase derrubou o programa.
Um dos grandes equívocos do especial foi a escolha de Hermila Guedes para intepretar a Elis adulta. Como mostrou em “O céu de Suely”, Hermila tem potencial para ser uma grande atriz, quando o personagem está próximo da sua realidade e ela tem tempo para se preparar.
Mas o especial jogou a moça na fogueira ao escalá-la de última hora para encarnar uma figura tão emblemática. Ela mal teve tempo para atenuar seu sotaque e chegou a uma interpretação sem nuances – o oposto de seu trabalho em “O céu de Suely”.
Por fim, a Globo preferiu omitir duas vezes o nome da Record ao citar “O fino da bossa”, que ajudou a catapultar Elis à fama nos anos 60. Foi uma atitude mesquinha e desnecessária – já que qualquer pessoa que conheça um pouco da história da MPB sabe qual emissora exibia o histórico programa.
Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:
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