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28/12/2006 - 00:01

O ano do YouTube e das sem-calcinha

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Para quem passou o ano diante do computador, 2006 foi marcado por duas grandes explosões. A primeira, claro, foi a do YouTube. O site de compartilhamento de vídeos promoveu uma revolução na maneira como nos relacionamos com o mundo das imagens. Em vez da atitude passiva do espectador diante do aparelho de TV, a possibilidade de escolher o que, quando e quantas vezes ver.

Vídeos na internet são quase tão velhos quanto a própria internet. A novidade apresentada pelo YouTube foi a idéia de congregá-los em um mesmo espaço, de criar uma comunidade em torno das imagens na rede, de dar a mesma importância a um trecho pirateado de um filme de sucesso e ao curta realizado por um jovem aspirante a cineasta.

Impulsionado pela popularização da banda larga no mundo todo, o site promoveu finalmente a tão decantada integração entre TV e internet. No espaço de um ano, passou de um experimento de dois moleques a um negócio de US$ 1,65 bilhão (preço pelo qual foi comprado pelo Google). O YouTube foi a Cinderela de 2006.

A outra grande explosão do ano foi a da obsessão com as celebridades. Não foi uma revolução como a do YouTube, mas uma evolução (em um sentido estritamente quantitativo), o auge de um processo que vem se desenrolando há décadas. Nunca a imprensa escrita, falada, televisionada e internetada se ocupou de tantos pormenores insignificantes das vidas dos famosos.

Um colega aqui de NoMínimo defendeu a tese de que as coisas são assim já há alguns anos. Cheguei a cogitar a idéia de que não foi o mundo que mudou, eu é que fiquei mais tempo navegando na internet. Mas a leitura de algumas das manchetes de hoje em sites de celebridades me devolveu à dura realidade: “Sobrinha de Zezé di Camargo e Luciano comemora aniversário em bufê”; “Ana Beatriz Barros muda o visual no MG Hair”; “Guilhermina Guinle se entusiasma com curso de cinema”.

Nessa seara de notícias insignificantes, a grande tendência de 2006 foi a das mulheres sem calcinha. Entre as brasileiras, Juliana Paes, Luana Piovani, Adriane Galisteu. Das internacionais, Britney Spears, Paris Hilton e Lindsay Lohan.

De certa forma, os outros sucessos de escândalo do ano foram pequenas variações sobre o tema das mulheres que mostraram mais do que deveriam: o vídeo de Cicarelli na praia com o namorado, o piercing de Karina Bacchi, Danielle Winits com vestido transparente que deixava a calcinha à mostra, o filme pornô de Gretchen e assim por diante.

Todas elas seguiram a máxima de Vampeta (o filósofo que disse que os clubes cariocas fingiam que pagavam, e os jogadores fingiam que jogavam). As famosas fingiram ser surpreendidas pelos fotógrafos, estes fingiram não perceber qual era a delas, e nós fingimos nossa melhor indignação. Este foi o verdadeiro pacto social de 2006.

A tendência atingiu seu clímax na truqueira foto de Karina Bacchi com o baixinho da Kaiser que ganhou a capa da “Caras”. A imagem revoltou alguns amigos mais crédulos, incorformados com o mau gosto da moça. Eles só respiraram aliviados quando viram os dois na nova campanha da cervejaria.

Além dos meios habituais, a cultura da celebridade foi impulsionada por outro fator em 2006: justamente o YouTube. O site permitiu que os momentos de infâmia dos famosos fossem repetidos à exaustão. Cicarelli na praia, Fernando Vanucci grogue na TV, o bambu de Silvio Santos foram alguns dos grandes sucessos da rede em 2006 e acabaram invadindo também os programas de fofocas na TV, que perceberam o potencial de escândalo proporcionado pelo site.

A união do YouTube com a obessão pelos famosos foi o casamento mais bombástico do ano: uma explosão amplificou a outra. Meu grande desejo para 2007 é que os dois se separem mais rapidamente que Suzana Vieira e seu marido barraqueiro – para que o site cumpra seu papel na democratização das imagens, em vez de virar mais uma ferramenta para sua banalização.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:

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23 comentários para “O ano do YouTube e das sem-calcinha”

  1. Cicarelli na praia pode ser considerado momentos de infâmia?

    sei ´não…. como diria Caetano: me deixa gozar, me deixa gozar !! ;)

    quem nunca teve a fantasia ou quem nunca fez que atire a primeira pedra, sendo famoso ou não hehehe

  2. Somebody disse:

    … pra mim, a exibição da intimidade continua sendo coisa de gente barraqueira, sem educação, do tipo que bate-boca com o namorado em qualquer lugar… é gente que não tem limite entre o que é público e o que é privado… é gente que se equivale aos políticos ladrões que passam a mão na grana pública, porque também sofrem do mesmo mal: o de não terem limites entre o público e o privado… e a imprensa ficar repercutindo a intimidade alheia é muito mais que coisa de gente que fica tomando conta da vida dos outros… é ficar ensinando às pessoas essa ausência de limites entre uma esfera e outra… é por isso que esse país é uma roubalheira só… a esmagadora maioria compartilha da mesma visão estrutural de mundo… e quando não se tem mais limites para nada, não se pode esperar nada além da degradação moral e ética… o pior é que é isso que faz sucesso… é incrível como as pessoas ainda reclamam da moral dos políticos… ou essa gente é muito cínica, ou muito inconsciente…

  3. Da Janela disse:

    Acho que o casamento “infame” entre o You Tube e a “tara” que se tem de mostrar o privado, veio para ficar. Nãoi adianta espernear pois, há um componente humano indissociável, juntamente com uma ferramenta moderna, que dá vasão a essa “tara”.

  4. Jurandir Brito disse:

    Os valores realmente estão mudando,através da mídia vemos endeusando as loiras,siliconadas,mulheres com bunda de fora,sem calcinhas outras mostrando e etc. até o estereótipo das Brasileiras mudaram têm que ser LOIRAÇAS,as Bazucas tipo as mulatas do Sargentelli morreram e as Pessoas que devem estar em evidencia no País ninguem conhece.

  5. Waldemir disse:

    Deixem as meninas mostrarem o que e bonito…..quem nao gostou??? Acho que vcs estao morrendo de inveja…..

  6. Mr. GHOST disse:

    Nunca o mundo foi tão obcecado por celebridades, com seu recheio de pastel de vento e sua consistência de holografia…

  7. Slogan de Campanha disse:

    Deixa a mulherada arejar!

  8. BA disse:

    desde que não seja a sua a ficar disponível à visitação pública, né, slogan…
    :-)

  9. Jack the Ripper disse:

    Quanto as “sem-calcinha” só posso dizer que são pseudo-celebridades desprezíveis. Na total ausência de talento para qualquer coisa, e gula interminável por flashes de paparazzi, elas se jogam num vale tudo lamentável.

    Mas, como a imprensa que as cobre é igualmente medíocre, então cria-se o círculo vicioso da fama.

    Mas, falta um elo para completar essa cadeia. Qual será?

    Acertou quem respondeu que são as pessoas que compram revistas do tipo CARAS, QUEM, e assiste programas como Superpop, Charme, TV Fama e outras aberrações. Isso só para ficar nas boçais celebridades nacionais.

    Deprimente!

  10. carlos disse:

    so vi leitura, nao vi as imgens das sem calcinha!!!!!

  11. Porco Chovinista disse:

    O ano nem terminou e ainda há mais uma ‘história’ do tipo fenda quente.
    Temos agora a miss Nevada (USA). Perdeu a coroa mas engatou bonita nas meninas.
    E olha que pela performance merecia a coroa e o cetro real.
    http://www.tmz.com/photos/miss-nevada/114733/

  12. Vaginildo disse:

    Primeiro, invasão de privacidade;
    depois, evasão da privacidade;
    agora, evasão da vulva…

    VAZA TUDO!

  13. Francisco disse:

    E a ausência de calcinhas se uniu à ausência de talento e conteúdo significante para a mídia explorar. Karina Bacchi, de pouco em pouco, vai se tornando a nossa Paris Hilton. Quem sabe sua sex tape não vaze em 2007…

  14. Gisele Lemper disse:

    Muito legal, amigo. Vou repassar, claro… Um abraço da leitora do DF no feliz ano novo. ;-)

  15. fernanda disse:

    não faltou coisa tosca este ano…a internet revelou muita coisa que até um tempo atrás seria impossível de ser vista….

    Esqueceu-se do barraco do Dado Dolabela na MTV que só saiu agora?

    A Karina Bacchi com sua jogada anti-marketing só mostrou como ela consegue ser tosca. Quem acredita nela, acredita em papai noel, mensaleiros, coelhinho da páscoa…

  16. Carol Hungria disse:

    Muito bacana esse texto. E eu poderia jurar que ninguém seria capaz de (ainda) escrever algo bacana sobre a Bacchi, Sem-Calcinha, Baixinho da Kaiser, Paris fazendo qualquer coisa… foram as overdoses do ano.

  17. Fernando disse:

    Cambada de filhos da puta. Estão censurando as pessoas. Seus merdas, viados, e por aí vai.

  18. Fernando 2 disse:

    Um aviso, só estão sendo publicada as mensagens que são de interesse do colunista. Estão cortando um monte de mensagens alegando que são de conteúdo duvidoso.
    Podem apagar esta mensagem, seus viados e filhos duma puta.

  19. Guilherme Rosa disse:

    Mto bom!
    chega de banalização e de endeusar celebridades (artistas jamais) que não são muito mais inteligentes do que uma porta.

  20. observer disse:

    Me sensuraram também sobre a notícia da Juliana Paes.
    Esse jornalistazinho medíocre sensurou uma notícia verdadeira e por isso, não merece credibilidade nenhuma quanto aos seus artigos.
    Quero informar que eu tenho o filme porno da Juliana Paes e não tenho medo de sofrer menhuma acussação pois tenho a prova.

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