A biografia autorizada de Cristo
Depois de passar alguns meses fora, Maria volta para casa grávida. Seu marido José naturalmente fica desconfiado – assim como a família dela e os vizinhos. Maria tente se justificar: foi obra de Deus. A princípio, a explicação não convence ninguém.
Por um breve momento, parece que “Jesus – A História do Nascimento”, que estréia hoje no Brasil, irá reimaginar a história bíblica de Maria e José como um blasfemo drama doméstico de Nelson Rodrigues. Mas “Jesus” não busca polêmica (o que é bom), nem tem nenhuma imaginação (o que é obviamente um desastre). Na cena seguinte, José sonha com o arcanjo Gabriel, que lhe confirma que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo, e aceita a gravidez de Maria.
A partir daí, o filme desperdiça seu único foco de originalidade e conforma-se em ser uma versão chapa-branca da história mais conhecida do mundo, muito mais preocupada em agradar o Vaticano do que em entreter os espectadores ( um projeto bem-sucedido, a julgar por reportagem do “New York Times”, sobre a boa recepção do filme entre os cardeais católicos).
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Qual o sentido de resgatar o velho gênero do filme bíblico no século 21? Há um motivo comercial – como provam os sucessos de “A Paixão de Cristo” e “Crônicas de Nárnia”. Talvez exista algum sentido religioso, um interesse de usar o alcance do cinema para propagar a fé cristã, mas é difícil julgar a intenção dos realizadores. Com certeza, não existe nenhuma justificativa cinematográfica para um filme como “Jesus – A história do nascimento”.
“A Paixão” de Mel Gibson tinha muitos defeitos. Era sádico, grotesco, cruel com os judeus. Mas ao menos possuía uma visão própria da religião. Já “Jesus” não ambiciona ser nada além de uma ilustração fiel e algo solone dos Evangelhos de Lucas e Mateus, a biografia autorizada (pelo Vaticano) de Cristo.
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Você já conhece a trama de “Jesus”. É a velha e boa história de Natal: Maria (Keisha Castle-Hughes, de “Encantadora de baleias”, grávida na vida real aos 16 anos) concebe o filho de Deus, sob a proteção de seu marido José (Oscar Isaac) e a perseguição do rei Herodes (Ciaran Hinds). Os três reis magos aparecem como alívio cômico. Não tem a mínima graça. Mas ao menos é uma tentativa.
De resto, “Jesus” parece uma versão superproduzida das velhas peças escolares sobre o Natal, com uma dramaturgia rala, atuações pomposas e uma direção sem vida. Nesse aspecto, o filme pode ser considerado uma regressão em relação aos filmes bíblicos da Hollywood dos anos 40 e 50 – que ao menos tinham um apurado senso de espetáculo.
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É uma surpresa ver que o comportado “Jesus” foi dirigido por Catherine Hardwicke. Ela realizou antes “Aos treze” (2003) e “Os reis de Dogtown”, dois filmes sobre rebeldia juvenil que tinham alguns problemas (moralismo incluído), mas também bastante energia.
A cineasta segue a escola realista de “A Paixão de Cristo”, usando até mesmo a mesma locação italiana. Mas faltam-lhe o sadismo e a convicção de Gibson. Para fazer um filme religioso, é preciso um pouco de fé no material. O resultado apático do filme indica que não é o caso de Hardwicke.
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Quando se faz um filme realista sobre questões transcedentais, as mais estranhas perguntas vêm à mente. Um exemplo: no filme, Jesus nasce sem cordão umbilical; será que foi um equívoco de produção, um erro de continuidade ou já era assim no Novo Testamento (nesse caso Jesus não precisaria da placenta de Maria, sendo alimentado diretamente por Deus)? Algum bom cristão saberia responder?

Dentre todos, ainda fico com “A vida de Brian”, do Monty Python.
Nasci em Guaxupé, Sul de MG, aos 11 anos de idade fui trabalahar de lavrador. Aos 20 anos vim para SP. Estudei, trabalhei e me formei em Técnico em Mecânica, aos 28, me formei em Direito sendo aprovado na primeira oportunidade em que prestei o exame de ordem em SP.
Em tudo isto, pude perceber a mão e de Deus em miha vida sempre me dando forças para suportar as dificuldades. Enfim, minha fé em Cristo me fez vencer todas as dificuldades.
Mas fé, e fé, cada um tem a sua.
Pior que não ter fé é criticar os que creem em Deus.
Queiram ou não, o cristianismo, com a Igreja, carrega consigo o peso da História. Ele construiu uma cultura com valores altíssimos, que elevou o homem de selvagem e primitivo para o nível de pessoa, com toda a dignidade que isso representa. É duro manter-se no alto. A tentação da queda, da descida, do menor esforço, é grande. Os tempos modernos querem desconstruir o cristianismo, para livrar-se dos deveres morais, pensando, assim, viver uma forma de liberdade, que, ao contrário do que se pensa, tornará o homem escravo de seus instintos, provocando uma regressão ao primitivismo. Sinais disso já se vê por aí.
Quanto à virgindade de Maria, ela continuou virgem após o parto. O rompimento o hímen (se é que rompeu mesmo, uma vez que existe o chamado hímen complacente, que não se rompe), por si só, não caracteriza perda de virgindade. O virgem é aquele que nunca praticou o ato sexual. Sob o ponto de vista moral, nem mesmo o estupro – que é o ato sexual não consentido – pode descaracterizar a virgindade. Pois além do aspecto físico, existe o aspecto espiritual, místico. O virgem é aquele que está sempre diante de Deus, e faz a sua vontade. A virgindade de Maria, pois, além de física, era também espiritual, mística.
mais algum tempo e isto estara na mesma situaçaão que a mula sem cabeça, o papai noel, o saci perere, superticao , ignorancia, folclore.
Quando eu era criança, acreditava em Virgem Maria, Coelho da Páscoa e Papai Noel; hoje sou adulto e acredito em Hímen Complacente que não rompe facilmente, Capitalismo vendendo de pus a pais entre nascimentos e funerais, e em uma Grande Necessidade Humana de acreditar em fábulas em qualquer idade.
Queria ver um filme onde Jesus vira X-men e enfrenta o Apocalypse, já imaginaram os diálogos entre o Wolverine e Jesus? Ia ser histórico…
1- Quer dizer que o filme é fraco porque é fiel ao relato bíblico? Para Ricardo Calil, se o assunto é religião, a abordagem tem de ser subversiva. É a velha camisa de força da busca desesperada por originalidade aplicada à crítica de cinema. Não vejo vantagem nenhuma nisso, honestamente.
2- “A História do Nascimento” seria, para Calil, mais “chapa branca” do que “Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, construído, segundo o crítico, a partir de uma visão própria. Lamento informar a Calil, que parece não se lembrar muito bem das histórias bíblicas, mas o filme de Gibson é bem mais fiel às escrituras do que “A História do Nascimento”. Difícil imaginar o diretor de “Paixão” retratando Maria como uma garotinha espevitada, a sagrada família como uma união acidental mantida por conveniência e os três reis magos como três fanfarrões desocupados.
3- Vi o filme. Não é uma obra-prima, como “Paixão de Cristo”, mas é bem melhor do que Calil dá a entender. Muito melhor, inclusive, do que as melosas e arrastadas produções hollywoodianas nas quais o crítico vê “um apurado senso de espetáculo”.
Eu avisei lá em cima: discutir religião e futebol, acaba com a saúde e o tempo que poderia ser gasto produzindo algo.
Quem é religioso, acredita e ponto. Quem não é religioso, não acredita e ponto.
Até parece que um vai convencer o outro…
Quando a discussão chega ao hímen, não há mais o que acrescentar.
Como bom filho de macaco que sou (somos todos, viu gente, querendo ou não), só me ficou uma grande dúvida:
O que tem Crônicas de Nárnia a ver com isso? Adoro o filme e não sabia que era bíblico ou coisa do gênero. Alguém me esclarece, por favor?
Péricles: refletindo um pouco, dá pra notar que a história de Aslan n’As Crônicas de Nárnia nada mais é que uma releitura da história de Cristo. Perceba: o leão se sacrifica para depois ressucitar e redimir o mundo de Nárnia. Soou familiar, não?
Não por acaso, C. S. Lewis era um emérito carola, escreveu livros e mais livros de ensaios defendendo os valores cristãos e tal. Ao contrário do Tolkien, que mesmo sendo católico fervoroso, resolveu criar uma mitologia literária completamente pagã. Pelo menos na intenção, já que muita gente acha que um pouco de cristianismo acaba resvalando para O Senhor dos Anéis.
Alo gente – Graças a Deus somos livres para escrever oque pensamos e achamos.
Mas seria bom se olhassemos para oque Jesus disse:”Examinai as escrituras, porque cuidais ter nela a vida eterna e são elas que de mim testificam” – Boa leitura a todos e um feliaz Natal e Abençoado 2007.
Hahahahahahahaha
É muito engraçado ver cristãos falando de sua fé por meio de críticas ao darwinismo ou às descobertas da Física.
Hehehehehehehehe
Lembrei de um filme cristão que gostei: “A última tentação de Cristo” – mesmo tendo um final bem ortodoxo, carola mesmo, é uma maneira interessante e bem dirigida (na minha leiga opinião) de se contar a mesma história de maneira um pouquinho original.
Sobre o ‘Big Bang’ e os ‘filhos de macaco’, sugeriria estudar mais, pois o que vcs dizem apenas prova quão ignorantes são sobre estes assuntos.