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01/12/2006 - 00:01

A biografia autorizada de Cristo

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Depois de passar alguns meses fora, Maria volta para casa grávida. Seu marido José naturalmente fica desconfiado – assim como a família dela e os vizinhos. Maria tente se justificar: foi obra de Deus. A princípio, a explicação não convence ninguém.

Por um breve momento, parece que “Jesus – A História do Nascimento”, que estréia hoje no Brasil, irá reimaginar a história bíblica de Maria e José como um blasfemo drama doméstico de Nelson Rodrigues. Mas “Jesus” não busca polêmica (o que é bom), nem tem nenhuma imaginação (o que é obviamente um desastre). Na cena seguinte, José sonha com o arcanjo Gabriel, que lhe confirma que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo, e aceita a gravidez de Maria.

A partir daí, o filme desperdiça seu único foco de originalidade e conforma-se em ser uma versão chapa-branca da história mais conhecida do mundo, muito mais preocupada em agradar o Vaticano do que em entreter os espectadores ( um projeto bem-sucedido, a julgar por reportagem do “New York Times”, sobre a boa recepção do filme entre os cardeais católicos).

* * *

Qual o sentido de resgatar o velho gênero do filme bíblico no século 21? Há um motivo comercial – como provam os sucessos de “A Paixão de Cristo” e “Crônicas de Nárnia”. Talvez exista algum sentido religioso, um interesse de usar o alcance do cinema para propagar a fé cristã, mas é difícil julgar a intenção dos realizadores. Com certeza, não existe nenhuma justificativa cinematográfica para um filme como “Jesus – A história do nascimento”.

“A Paixão” de Mel Gibson tinha muitos defeitos. Era sádico, grotesco, cruel com os judeus. Mas ao menos possuía uma visão própria da religião. Já “Jesus” não ambiciona ser nada além de uma ilustração fiel e algo solone dos Evangelhos de Lucas e Mateus, a biografia autorizada (pelo Vaticano) de Cristo.

* * *

Você já conhece a trama de “Jesus”. É a velha e boa história de Natal: Maria (Keisha Castle-Hughes, de “Encantadora de baleias”, grávida na vida real aos 16 anos) concebe o filho de Deus, sob a proteção de seu marido José (Oscar Isaac) e a perseguição do rei Herodes (Ciaran Hinds). Os três reis magos aparecem como alívio cômico. Não tem a mínima graça. Mas ao menos é uma tentativa.

De resto, “Jesus” parece uma versão superproduzida das velhas peças escolares sobre o Natal, com uma dramaturgia rala, atuações pomposas e uma direção sem vida. Nesse aspecto, o filme pode ser considerado uma regressão em relação aos filmes bíblicos da Hollywood dos anos 40 e 50 – que ao menos tinham um apurado senso de espetáculo.

* * *

É uma surpresa ver que o comportado “Jesus” foi dirigido por Catherine Hardwicke. Ela realizou antes “Aos treze” (2003) e “Os reis de Dogtown”, dois filmes sobre rebeldia juvenil que tinham alguns problemas (moralismo incluído), mas também bastante energia.

A cineasta segue a escola realista de “A Paixão de Cristo”, usando até mesmo a mesma locação italiana. Mas faltam-lhe o sadismo e a convicção de Gibson. Para fazer um filme religioso, é preciso um pouco de fé no material. O resultado apático do filme indica que não é o caso de Hardwicke.

* * *

Quando se faz um filme realista sobre questões transcedentais, as mais estranhas perguntas vêm à mente. Um exemplo: no filme, Jesus nasce sem cordão umbilical; será que foi um equívoco de produção, um erro de continuidade ou já era assim no Novo Testamento (nesse caso Jesus não precisaria da placenta de Maria, sendo alimentado diretamente por Deus)? Algum bom cristão saberia responder?

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:

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72 comentários para “A biografia autorizada de Cristo”

  1. edson disse:

    é claro que cristo nasceu como qualquer criança normal tinha placenta, mas quando se diz que ela foi gerado pelo Espirito Santo foi em todos os aspectos negar isto é erro grotesto ele precisa nascer sem pecado para resgatar a humanidade, tentar mudar o que a Biblia diz pra querer agradar o público é errada a Biblia nos conta como aconteceu .

  2. Fernando disse:

    O filme me leva a refletir sobre a exacerbada religiosidade no Brasil (assim como no resto do mundo). Vejam como exemplo as redes de TVs, rádios e outros meios de comunicação bombardeando a população com a pregação initerrupta. Sem contar que em cada esquina aparece uma igreja. Em nosso país o ateu é visto até com desconfiança, haja visto que nenhum político tem coragem de se declarar como tal, poir com certeza não se elegeria. Respeito a religiosidade pessoal de cada cidadão mas, tenho a impressão que tamanha religiosidade não está melhorando em nada nosso Brasil.
    Quanto a Jesus (se é que existiu mesmo) tenho uma dúvida: será que ele não era contra a religião e tal qual Guevara (que se tornou um ícone Pop e capitalista) se tornou um símbolo.
    Mas pensemos: a História nos mostra que a religião (notadamente a cristã) não melhorou em nada nosso planeta. Ao contrário.
    Boa tarde!

  3. Felipe disse:

    O que aconteceu com “A última tentação de Cristo”? Ou, por outro lado, “O Evangelho Segundo São Mateus”? Isso é que era cinema.

  4. Carlos disse:

    que tal discurtir-mos um pouco sobre tribulacionista ou aqueles que são cridos arrebatamento.

  5. Carlos disse:

    que outro do Mel

  6. Junior disse:

    Pena que tem tantas pessoas que acham que conhecem de tudo ou acham que entendem de tudo. Esse filme expressa a verdade mediante a palavra de Deus que é a Bíblia, como também a bíblia mostra que Maria (depois de Jesus) teve mais filhos(normalmente) com José. É só ler a bíblia !

  7. Fernando disse:

    Prezado Juba,
    Parabéns pela sua lucidez e ausência de superstição. Enquanto existir a ignorância e falta de Cultura, os atuais vendilhões de templos (como o genial Bispo Macedo que vende uma mercadoria que não existe) se enriquecerão e de quebra favorecerá os políticos e outros tapeadores e esse país será cada vez mais atrasado.
    Parabéns pelo exemplo. Pensar não doi e nem faz cair pragas do deus judaico-cristão.
    Boa tarde!

  8. José Roberto disse:

    Alex, você colocou de uma forma simples e adequada a questão.

  9. Deise Guelfi disse:

    Calil,
    Pegou pesado, hem? Fechamento de ouro.

  10. Respeito disse:

    Realmente pensar não doi, porém quando o pensamento se tranforma em atitudes ou palavras ai sim é que a ignorância é conhecida.
    Parabéns a você…

  11. Pedro disse:

    Que bom podermos expressar livremente nossa opinião!!! Creio sinceramente que Jesus é um espírito muitíssimo evoluído e que Maria esteve a serviço de Deus na concepção do “filho do homem”. Jesus foi verdadeiramente fiel à sua missão, e Maria foi realmente uma grande mãe. Sobre o filme, vamos aguardar pra conferir. Abraços.

  12. Rosely disse:

    Maria permaneu virgem antes, durante e depois do parto como a luz do sol que passa pelo vidro sem danificá-lo. Ela nao era qq mulher, qq mãe e nem tao pouco seu parto foi qq parto, porém deve ter tido cordao umbilical, ja que JESUS é verdadeiro DEUS mas foi verdadeiro homem. Lembremos que DEUS é o Criador e nao precisava nem de um parto pra que JESUS viesse ao mundo, portanto o cordão nao faria diferença nenhuma existindo ou não. pode tb ter sido um simples erro de continuidade como tantos filmes tem. Entendo que cada um tenha sua opinião, mas se um crítico detestou o filme assim como detestou o “A Paixão”, considero que o filme deve ser ótimo no aspecto evangélico, seguindo fielmente o que aconteceu, mas colocando a tecnologia e o cinema a serviço da fé, melhorando o que ja era bom. O Evangelho é riquíssimo e completo, nao precisa de “romances”, “mudanças” ou outras visões, é como contar com efeitos muito melhores uma história dita milhares de vezes. Se fôssemos fazer a biografia de um desses críticos (ótimos em filmes e péssimos em Evangelho), nao poderíamos ” romanciar” sua vida ou “mudar” sua história para nao dar o problema que toda minissérie global dá qdo muda isto ou aquilo das biografias…um comentarista inteligente, mas que conhece muito pouco sobre o assunto se torna um pouco infeliz com os que sabem, mesmo q elogiado pelos que nada sabem. Falta de criatividade para mim é ver ou ouvir sempre a mesma e velha história e continuar sempre com a mesma e velha vida! DEUS o abençoe, santo Natal e que a Santíssima VIrgem Maria o proteja.

  13. Alexandre Cassiano disse:

    Independente de gostarem ou não, acreditarem ou não, qualquer um que seja, quando vai estudar história é obrigado a ler duas silgas: a.C e d.C. Portanto, Gostando ou não Jesus Cristo dividiu a história do homem, divisão que acontece justamente em seu nascimento, que vem sendo tão questionado e ironizado por alguns. Li um comentário que a religião não tem feito muito bem ao mundo, e nesse ponto estou de pleno acordo, até mesmo porque, Jesus não veio trazer nenhuma religião, ou montar um partido político, mas sim cumprir com o propósito de Deus de salvar esse mundo. Como esse é um assunto espiritual e prático ao mesmo tempo, o ideal não é trazer mais discussão, mas se de repente você tem uma outra linha de pensamento, vá estudar sobre o assunto, e tente entender que tudo o que estão questionando é pura e tão somente a maior prova de amor que já foi demonstrada na face da Terra, onde a maior loucura que algum ser humano possa realizar jamais poderá se comparar a loucura da Salvação trazida por Jesus Cristo. Não vi o filme ainda, quanto a críticas, os críticos estão aí para isso, senão não teríam esse nome, e dessa forma o que importa mesmo é que depois desse nascimento, o mundo jamais foi o mesmo.

  14. Adriana Souza disse:

    Não compreendo porque os senhores criticam um filme sobre o nascimento de Jesus só por que este segue fielmente o que consta nos evangelhos. Agradaria-lhes se o filme fosse mais uma caricatura de mal gosto, como por exemplo “A Última Tentacão de Cristo”? Não consigo entender essa necessidade grotesca de degradar o que é tido por sagrado…
    Realmente senti-me aliviada quando soube que o tal filme bíblico é realmente isto: um filme bíblico…e não um tipo de ficcão psicótica doentia!
    Finalmente alguém teve a coragem de simplesmente contar a história como ela realmente ocorreu!

  15. observer disse:

    Fala serio!
    Basta percorrer um pedacinho do continente Africano para ser perguntar se realmente Deus existe.
    E vamos e convenhamos. Antes do início da era cristã, já existiam outras crenças e religiões bem mais avançadas nos quatro cantos do mundo. É só ter um pouco de bom censo e estudar(coisa que poucos que emitem opiniões aqui tem) para saber que não é o cristianismo a maior de todas as coisas deste mundo.

  16. Botelho Pinto disse:

    Rapidamente os comentários foram tomados pela fúria cega dos devotos, que acreditam piamente no que está escrito no primeiro do livros, quando nem quem o escreveu esperava que fosse interpretado dessa forma.

    Quanta tolerância. Logo taxaram que não acredita no criacionismo de “Filho de macaco”.

    Afinal, que tolerância é essa? Que ensinamento vocês tiram da biblía, se são os primeiros a encher as mãos com pedras e atirar?

    É muito fácil falar e rotular, não é mesmo, hipócritas?

  17. Valmir disse:

    Jesus, não se explica.
    Não se consegue explicar em Filmes.
    Se explicassem Ele não seria Deus.
    Jesus se vive.

  18. Paulo disse:

    Sao ridículos,mais uma vez certos comentarios…inclusive os de Ricardo Calil ….se assistiu ao filme, falou bobagem e se naõ assistiu tambem falou….A diretora do filme sequer é católica….

  19. Guilevy disse:

    Calil,

    Não será a apatia da cineasta um distanciamento premeditado?

    Citando um nobre poeta:

    “Vocês querem bacalhau?”
    Então tó…

  20. Guilevy disse:

    Paulo Osrevni,

    quer vender seu roteiro?
    Nem Mateus fez melhor…

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