Quatro sucessos para 60 fracassos
O site Filme B, que reúne os números mais confiáveis sobre o cinema brasileiro, divulgou o ranking de público dos filmes nacionais em 2006 (para assinantes, aqui).
O primeiro dado que salta aos olhos é o grande número de lançamentos: 64 filmes brasileiros entraram em cartaz neste ano. Essa seria uma boa notícia, se as produções tivessem encontrado seu público. Não foi o caso.
A maioria absoluta dos filmes teve público abaixo do esperado. “Zuzu Angel”, por exemplo, ficou em terceiro lugar com respeitáveis 774 mil espectadores, mas a previsão era de algo entre 1 milhão e 2 milhões.
Nada menos que 32 filmes – ou metade dos lançamentos – ficou abaixo da linha de 10 mil espectadores. Cinco deles (“Um craque chamado Divino”, “Outra memória”, “O dia em que o Brasil esteve aqui”, “Mensageiras da luz – Parteiras da Amazônia” e “A oitava cor do arco-íris”) nem chegaram a mil.
A rigor, houve quatro histórias de sucesso no cinema nacional em 2006. “Se eu fosse você”, comédia de Daniel Filho produzida pela Globo Filmes, liderou o ranking com 3,64 milhões de espectadores, puxada pela popularidade televisiva de seus astros Tony Ramos e Glória Pires. “Wood & Stock: Sexo, orégano e rock’n'roll” conseguiu um público de 45 mil pessoas, número respeitável para uma animação nacional independente.
“Estamira” atraiu 37 mil espectadores, resultado surpreendente para um documentário sobre uma catadora de lixo esquizofrênica, mas que pode ser explicado em parte pelo grande sucesso do filme junto a psicólogos e psiquiatras. E “Acredite! Um espírito baixou em mim” foi um fenômeno local em Minas Gerais, onde registrou a grande maioria dos 30 mil ingressos vendidos.
A discrepância entre o grande número produções e o fraco desempenho da maioria dos filmes indica que os problemas do cinema brasileiro continuaram em 2006 – principalmente na área de distribuição e lançamento.
Boa parte desses filmes foi jogada nos cinemas sem qualquer tipo de planejamento para encontrar seu público. Muitos poderiam ter sido feitos para a TV ou o mercado de DVD. Para o cinema brasileiro ter um ano melhor em 2007, essas questões precisam ser enfrentadas com urgência.
Como esta é a última nota do ano, aproveito para desejar um ótimo ano a todos os leitores. Obrigado pela leitura e pelos comentários. Espero que a gente se encontre de novo aqui em 2007.
