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30/05/2006 - 12:56

Morre Shohei Imamura, rebelde do cinema japonês

Shohei Imamura, que morreu hoje de câncer em Tóquio aos 79 anos, era um dos últimos rebeldes do cinema japonês. Ao lado de cineastas como Nagisa Oshima e Masahiro Shinoda, ele foi um dos fundadores da chamada “nouvelle vague” japonesa, que apresentou ao mundo uma visão mais moderna e radical da sociedade do país.

O cineasta foi assistente do grande Yasujiro Ozu, mas se rebelou contra o mestre ao se tornar diretor. Em contraposição ao cinema sutil e contemplativo de Ozu, Imamura construiu uma obra em torno de emoções primitivas e atitudes viscerais, que misturava aspectos realistas e fantásticos, geralmente focada nas classes baixas japonesas.

Com “A Balada de Narayama” (1983) e “A Enguia” (1997), ele se tornou um dos seis cineastas da história a receber duas vezes a Palma de Ouro no Festival de Cannes (os últimos a conseguir esse feito foram os irmãos Dardenne).

Ele não viajou a Cannes para receber a primeira estatueta porque preferiu dar prioridade a seus alunos da Escola de Cinema de Yokohama (ele foi professor de Takashi Miike, um dos jovens cineastas mais interessantes do Japão). O episódio dá uma pequena idéia dos valores de Imamura.

Entre seus 20 longas, destacam-se ainda “Doutor Akagi” (1998), “Minha vingança” (1979) e “A mulher inseto” (1963). O último filme dirigido por Imamura foi um curta para “11 de Setembro” (2002), filme de episódios sobre os atentados ao World Trade Center.

Em meio a cineastas até 50 anos mais novos, ele realizou o segmento com mais frescor e originalidade do longa, sobre um soldado japonês traumatizado pela guerra, que decide viver como uma cobra. O cinema vai ficar mais careta sem Imamura.

Autor: ricardo calil - Categoria(s): Posts Tags:

1 comentário para “Morre Shohei Imamura, rebelde do cinema japonês”

  1. Flávio disse:

    Em que pese a contribuição de Imamura, a premiação de A balada de Narayama foi uma das muitas aberreções que o Festival de Cannes produziu.

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