01/07/2009 - 22:12

Não sei se foi a aura de bom moço de Kaká. Ou se foi o alvíssimo uniforme. Ou ainda o marketing competente do Real Madrid. Mas há algo de muito estranho nas imagens da apresentação do jogador brasileira ao clube espanhol ontem. Difícil encontrar o adjetivo certo para defini-las: artificiais, hiper-realistas, higienizadas, imaculadas… Em resumo, elas não parecem de um jogador da vida real, e sim do Fifa Soccer. É uma imagem nova do futebol, que não se parece em nada com a do imaginário da minha infância. A vida já imitou a arte, agora o futebol imita um videogame.
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28/06/2009 - 22:48
A melhor homenagem já feita a Michael Jackson vem das Filipinas. Em 2007, cerca de 1.500 presos do Centro de Detenção de Cebu dançaram a coreografia de “Thriller” como parte de um programa de reabilitação. O vídeo postado no YouTube, com 26 milhões de page views até agora, “explica” melhor Jacko do que todos os obituários que li.
Dica de Francis Vogner dos Reis
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27/06/2009 - 22:30
“A Erva do Rato” é um dos filmes mais acessíveis do cinema de Julio Bressane. Há nele uma trama clara, inspirada muito livremente em dois contos de Machado de Assis, e um humor que está longe de ser hermético. Um homem (Selton Mello) abriga uma mulher (Alessandra Negrini) em sua casa, os dois iniciam um jogo de sedução que é perturbado pela aparição de um rato no local. Mas, como de hábito na obra do cineasta, a trama é o menos importante. O fundamental é o tempo, a luz, a palavra - e como os três se relacionam. O tempo estendido de cada plano permite a fruição de cada enquadramento, de cada frase, de cada sentimento experimentado pelos personagens. O absoluto domínio do cineasta sobre esses elementos torna possível que o triângulo amoroso que se forma entre o homem, a mulher e o rato seja crível. Torna sensual uma sequencia de amor entre uma mulher e um rato. Torna aceitável que essa cena esteja em uma adaptação de Machado de Assis. “A Erva do Rato” comprova mais uma vez que Bressane está a alguns anos-luz da média dos cineastas brasileiros.
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25/06/2009 - 23:31
Neste momento, todas as facetas de Michael Jackson estão sendo esquadrinhadas pela imprensa: o cantor, o dançarino, a criança-prodígio, a aberração e assim por diante. Mas, como este é um blog de cinema e TV, é preciso afirmar o seguinte: nenhum músico na história foi tão importante para o desenvolvimento do audiovisual quanto ele.
Michael foi um pioneiro e um mestre de um formato essencial de nossos tempos: o videoclipe. Mas, curiosamente, ele nunca se rendeu à chamada estética do clipe, baseada na extrema fragmentação das imagens. Ao contrário, sua importância está em tentar aproximar essa jovem arte de seu parente mais velho, o cinema.
O melhor exemplo desse esforço é “Thriller”, o mais famoso clipe da história, em que Michael cria uma narrativa cinematográfica para sua música decalcada de velhos filmes de zumbi.
Michael não era apenas um cantor obcecado com a produção de imagens (no que só pode ser comparado a Madonna), como também tinha a sabedoria de se associar com alguns dos maiores cineastas de seu tempo: John Landis (”Thriller”), Martin Scorsese (”Bad”), Spike Lee (”They Don’t Care About Us”).
O resultado eram clipes que se alimentavam do cinema, encontravam uma linguagem própria e, ao fim, inspiravam outros clipes e até o cinema - num processo de retroalimentação dos mais significativos destes últimos 30 anos de cultura pop.
Os vídeos de Michael foram reverenciados, parodiados e atacados por nomes díspares como Weird Al Yankovic e Eminem. Isso só acontece quando se é referência. E Michael era - e ainda é - a essencial.
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24/06/2009 - 23:35
O site The Binary Bonsai desencavou uma pequena raridade para os fãs do responsável pela série de maior sucesso de cinema de todos os tempos. Ele mesmo, George Lucas, de “Star Wars”. Trata-se de uma entrevista de quase uma hora feita com Lucas em 1971, quando ele tinha 27 anos e havia acabado de lançar o longa universitário “THX 1138″. Na entrevista, ele se define como “um fabricante de brinquedos que realiza filmes” - definição que iria explicar em grande parte seu cinema posterior. Ele também mostra um certo desprezo pelo sistema de estúdios de Hollywood: “Fazer um filme é uma arte, vender um filme é um negócio. O problema é que eles não sabem vender filmes”. Seis anos depois, ele ensinaria o mundo a vender um filme. Já a questão da arte é um tanto mais complexa. De qualquer forma, vale tirar um tempinho para ver a entrevista.
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24/06/2009 - 00:43
Cinema é a projeção de 24 fotografias sequenciais por segundo que dá ao espectador a ilusão de movimento (ou pelo menos era antes do digital). No site Three Frames, três quadros de filmes diversos são isolados e exibidos em eterno loop. É só isso. E basta.



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22/06/2009 - 23:54
A eliminação de Théo Becker de “A Fazenda” foi um tanto anticlimática. Ele estava mais controlado que de hábito com seus colegas (embora nunca 100% normal), usou um argumento racional para seus surtos (um remédio para “secar” a gordura), posou de bom filho ao lado dos pais.
Mas houve no episódio de ontem pelo menos uma grande surpresa: “A Fazenda” foi invadida por pelo menos dois ninjas. A cena foi rápida, coisa de dois segundos. Mas foi o suficiente para reconhecer o tipo: roupa preta com capuz que deixa apenas os olhos à vista, uma arma letal na mão que parecia um grande chicote, movimentos rápidos e sorrateiros. Repare bem no vídeo abaixo. Eles aparecem em cena exatamente entre 9′27 e 9′29. Para quem não tem olhos de águia, recomendo pausar a cena bem nesse momento.
Agora lanço aos leitores um mistério: por que esses dois ninjas invadiram “A Fazenda”? Eu tenho uma suposição: preocupada com os surtos de Théo, a Record contratou-os para entrar em casa caso o eliminado decidisse pular no pescoço de Brito Jr. Mas talvez você tenha uma explicação melhor. Mãos à obra.
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20/06/2009 - 23:08
No filme “Rebobine, Por Favor”, dois personagens regravam, de forma caseira e com a ajuda de vizinhos, vários sucessos do cinema e alugam as novas versões em uma videolocadora de bairro. Na vida real, um sujeito de Nova York acaba de radicalizar a proposta do filme: Zachary Oberzan, 35 anos, adaptou ao cinema o romance “First Blood” (que originou o primeiro episódio da série “Rambo”) totalmente sozinho - o que significa dizer não apenas que ele roteirizou, dirigiu e montou o filme, como também interpretou todos os personagens. E não foi só: o filme teve como único cenário o apartamento de Zachary e seus 107 minutos sairam por um total de US$ 96.
A nova versão chama-se “Flooding with Love for the Kid” (algo como “Inundado de Amor pelo Garoto”), frase do romance original de David Morell, usada pelo xerife Will Teasle ao perceber que havia começado a gostar do seu inimigo John Rambo. Zachary levou oito meses para gravar o filme, e o cronograma foi ditado pelo tamanho do cabelo do protagonista: o ator-cineasta começou pelo final, quando Rambo estava com o cabelo mais comprido, e foi cortando aos poucos.
Zachary disse que decidiu fazer o filme por dois motivos. Primeiro, por acreditar que a produção protagonizada por Stallone não faz justiça ao romance (”ele transforma arte verdadeira em um circo”). Depois, para provar que o bom cinema não depende de dinheiro e estrelas. “O filme é um foda-se para o mundo da TV e do cinema que diz: ’só há um jeito de fazer filmes’.”
Exibido pela primeira vez em um bar de Nova York na semana passada para uma plateia de 12 pessoas, o filme foi recebido com risadas a princípio - por conta de cenas em que uma torneira aberta representava uma cachoeira ou em que uma torradeira fazia as vezes de rádio da polícia -, mas aos poucos o público se acostumou com a precariedade e terminou aplaudindo com entusiasmo. Ao final, como relata o jornal britânico “The Guardian”, uma espectadora tentou dar uma nota de US$ 10 ao cineasta. “Eu queria te pagar como se tivesse visto um filme. Na verdade, foi melhor que um filme!”
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18/06/2009 - 22:59
Reality show tem dessas coisas: de vez em quando surge um participante tão inverossímil, mas tão inverossímil, que ele só poderia ser um produto da vida real. Porque, se fosse na ficção, ninguém iria engolir. O caso, agora, só poderia ser Theo Becker, integrante de “A Fazenda”.
Ele talvez seja hoje o grande enigma da TV brasileira, um personagem impossível de classificar. Mas, se fôssemos recorrer ao nosso grande manancial de arquétipos (a novela das oito, no caso “Caminho das Ínidias”), seria possível dizer que Theo é uma mistura de Zeca (Duda Nagle) e Tarso (Bruno Gagliasso), entre o pitboy e o louco, entre o hormônio e a paranoia.
A entrada em cena de Theo no programa já foi antológica. Junto ao cachorro da família, os pais do ator declaram seu amor pelo filho, dizem como ele é especial. Theo rebate dizendo que vai sentir muita falta do cachorro e que o bicho foi abandonado depois que ele saiu da casa dos pais. Aí já era possível ver que ele era um personagem único. Mas ninguém poderia imaginar que ele seria tão único assim.
Em menos de um mês, ele protagonizou uma série momentos inacreditáveis, a maioria deles brigas com seus colegas. Theo conseguiu o que todo mundo imaginava ser impensável: fez Dado Dolabella parecer um diplomata britânico. Virou o personagem central não apenas do programa, como também de conversas de bar e mensagens do Twitter.
Todo mundo já tem o seu vídeo preferido de Theo no YouTube. Hoje, o meu é esse aí de baixo, em que ele conta como Deus lhe enviou um sinal por meio de um cavalo. Mas amanhã já pode ser outro, porque ele não cansa de nos surpreender.
Se ele for eliminado de “A Fazenda” neste domingo, o programa perderá grande parte de sua graça. Por isso, aqui vai meu apelo: a Record deveria fazer com Theo Becker o que Silvio Santos fez com Alexandre Frota. Ignore as regras, esqueça o público, dê um jeito de colocar o homem de volta. Antes que o tédio domine novamente a TV brasileira.
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