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30/10/2006 - 13:57

Sun, Sun, Sun, The Elected (Sub Pop)
Preço em média (importado): R$ 48
O Rilo Kiley parece ser uma das bandas obscuras mais legais dos quatro primeiros anos desta década. Após lançar três discos elogiados pela imprensa independente, o grupo tirou férias se dividindo em dois elogiados trabalhos: a vocalista, guitarrista e tecladista Jenny Lewis juntou-se as irmãs Chandra e Leigh Watson (as Watson Twins), e se cercou de amigos (Connor Oberst, dos Bright Eyes; Ben Gibbard do Postal Service e também do Death Cab for Cutie) para lançar o ótimo “Fur Rabbit Coat” (que ganhou edição nacional via Trama). Agora é a vez de Blake Sennett, guitarrista e co-vocalista da banda colocar na praça o segundo álbum de seu projeto paralelo, The Elected. O disco se chama “Sun, Sun, Sun”, e é tão bonito que chega a corar a pele.
Enquanto Jenny Lewis se afunda mais no country de raiz (sem negar o acento pop), Blake Sennet aposta no folk atolado de guitarras acústicas, banjo e violões para contar suas histórias de amor e de corações partidos. Com bateria marcante e guitarra stell, Sennet termina “Would You Come With Me” dizendo que ele só irá pelo caminho certo se ela vier com ele. “Fireflies In A Steel Mill” é suave, e o banjo dá um clima melancólico para a canção, com o piano conduzindo a história de amor. “Nós somos como os lugares que você nunca viu / Você leu sobre eles, e sabe que os amaria / É por isso que você se apaixonou por mim”, diz a letra. “Not Going Home” lembra – e muito – o clima mágico do Wilco. Na letra, o cara vê uma árvore, e lembra de sua casa, distante. “Às vezes você não pode ir para casa / Às vezes você já está lá / Quando eu olho, estou lá”.
Entre as canções lindas de “Sun, Sun, Sun” ainda podem ser inclusas a faixa título (ao violão), a maravilhosa “Did Me Good” (com um delicioso arranjo de orgão e cordas) e a totalmente alt-country “The Bank And Trust” (parceria de Sennet com Jenny Lewys, que ainda assina “Fireflies In A Steel Mill” e faz backings em “It Was Love”). Na verdade, o disco todo merece a sua atenção. Lançado em janeiro nos Estados Unidos, pela Sub Pop, “Sun, Sun, Sun” seria uma ótima pedida para futuros lançamentos da Trama no Brasil. Por enquanto é possível ouvir a banda no My Space. Estão lá duas músicas de “Sun, Sun, Sun” e mais duas de “My First”, primeiro lançamento do The Elected, em 2003. As quatro para download.
My Space do The Elected
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26/10/2006 - 08:33

Não, caro leitor, Leonard Cohen não está em carne e osso em São Paulo. Seria um milagre grande demais mesmo para os deuses da música pop. Cohen chega a São Paulo através do documentário “Leonard Cohen – I’m Your Man”, dirigido por Lian Lunson e lançado no mercado estrangeiro em 2005. É um dos destaques da 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo na categoria ‘música’, e é pouco provável que entre em circuito comercial. Por isso, as três exibições do longa na capital paulista, nos próximos dias, devem ser tomadas como obrigatórias para fãs da música pop que realmente vale a pena.
Mais do que um documentário, “Leonard Cohen – I’m Your Man” é um documento histórico que lança luz sobre um dos artistas mais influentes da música contemporânea. Em 98 minutos de projeção, o diretor Lian Lunson divide a obra em dois prismas: uma longa, divertida e inspirada entrevista com o próprio Cohen (hoje, com 72 anos) e um show tributo a ele realizado em Sidney, que reuniu nomes como Nick Cave, Jarvis Cocker (Pulp), Beth Orton, Rufus Wainwright e Antony (sem, os Johnsons).
A edição junta com inteligência as duas fontes, muito embora a primeira seja superior a segunda na grande maioria das cenas. Cohen conta como foi o começo de sua jornada poética no Canadá, ilumina a mudança de ares que o levou até Nova York, declama trechos de letras de canções, fala da inspiração de algumas delas, sobre sua vida em um mosteiro, sobre a árdua tarefa de ser escritor, e nega o confete fácil. Quando algum dos entrevistados diz que sua voz é magnifica, ele despista: “Eu canto sempre no mesmo tom”. Sua fala conduz o documentário, e é o ponto alto do longa.
“Foi a irmã de um amigo que me mostrou um disco dele. Era aquele ‘Songs Of Love & Hate’, e foi um choque. Eu era jovem, e aquele disco, saber da existência dele, me fez me sentir diferente. Me fez sentir algo… me fez sentir especial. Mudou tudo. Eu não era como os babacas detestáveis da minha cidade”, conta Nick Cave, que fez questão de abrir seu primeiro registro solo (acompanhado pelos Bad Seeds) em 1984 com uma canção de Cohen, “Avalanche”. No show especial, Cave homenageia Cohen com uma interpretação magnifica da faixa título, e ainda acompanha Perla Batalla e Julie Christensen em uma bonita versão de “Suzanne”, primeiro sucesso do poeta, de 1967.
Entre os bons momentos do show estão a ótima interpretação de Jarvis Cocker para a ótima “I Can’t Forget”, que já havia sido coverizada pelo Pixies, no tributo mais famoso registrado ao bardo canadense, “I’m Your Fan”, que reunia gente como R.E.M., Ian McCulloch (Echo & The Bunnymen), John Cale (Velvet Underground), e Lloyd Cole. Porém, enquanto a “I Can’t Forget” de Franck Blanck e cia acelerava e perdia o encanto do ótimo refrão, Cocker cadencia a letra e o arranjo permite até maneirismos do cantor. Excelente.
O compositor Rufus Wainwright quase escorrega no exagero de afetação, mas acaba convencendo tanto por suas interpretações quanto por seu depoimento. “Eu era amigo da filha de Leonard. E um dia ela me convidou para ir a casa deles. Fiquei nervoso, mas fui. Chegando lá, dei de cara com Leonard fazendo ovos mexidos na cozinha, de roupão. Conversamos um pouco, e foi normal. Ele saiu da cozinha, e quando voltou estava em um daqueles ternos Armani impecáveis. Então caiu a ficha: ‘Meu deus, estou frente a frente com Leonard Cohen’. Foi emocionante”, relembra o cantor no filme. No show, Rufus canta duas boas versões para “Everybody Knows” e “Chelsea Hotel Nº 2″.
Cohen diverte o público ao contar que nunca se sentiu bem de jeans e camiseta, preferindo desde jovem o terno. É famosa a história – que não está no filme – de que o poeta teria ficado magoado por ter sido preterido pelos beats, que não o convidaram para fazer parte da turma. Cohen acredita que a culpa foi de seu terno bem cortado e de seu visual alinhado, totalmente diferente do visual desleixado dos beats. Em outro momento, o bardo relembra as conturbadas gravações de “Death of a Ladie’s Man”, produzido pelo gênio genioso Phil Spector, e que conta com Bob Dylan fazendo backing vocal em uma música, “Don’t Go Home With Your Hard-On”. Diz Cohen: “Eu não estava satisfeito com o resultado das canções. Eu estava numa fase em que não me via como cantor. Mas o disco saiu e acabou fazendo sucesso, agradando ao pessoal do movimento da época… como é mesmo o nome… são tantos movimentos… ahhh, punk. Eles gostaram e o disco fez sucesso”.
Cohen ainda fala sobre sua fama de conquistador (“Ela me ajudou a manter a cabeça no lugar em todas as milhares de noites que dormi sozinho”), sobre budismo (“Fiquei cinco meses em um mosteiro, estava muito frio, e então fugi com uma mulher. Deixei um recado para o mestre explicando a situação”, conta ele, mostrando o hilário recado) e sobre voltar, um dia, a fazer shows. Com nove livros lançados (sete de poesia e dois romances) e onze álbuns (o mais recente, “Dear Heather”, foi lançado em 2004), Leonard Cohen está entre os artistas mais influentes do mundo devido a força com que sua música bateu em gente como Michael Stipe (R.E.M.), Nick Cave, Morrissey, Ian McCulloch (Echo & The Bunnymen), Renato Russo (que gravou uma versão de “Hey, That’s No Way To Say Goodbye”, registrada no CD póstumo “O Último Solo”), Jeff Buckley (que gravou “Hallelujah” em “Grace”, o álbum que definiu a música pop para o novo milênio) e… The Edge e Bono, do U2, que protagonizam o único deslize do documentário, interpretando uma constrangedora versão de “Tower of Song”, único momento em que Cohen aparece cantando no filme.
Apesar da escorrega no final, a grandiosidade de Leonard Cohen torna imprescindível para um fã de música pop assistir “Leonard Cohen – I’m Your Man”, e rivaliza em importância com a presença de Patti Smith (esta, em carne e osso) no Brasil, para shows no Tim Festival. Se pudéssemos resumir a música pop em cinco letristas/poetas, Leonard Cohen e Patti Smith teriam lugares dourados com placas com seus nomes em seus assentos (escolha, você, os outros três). Não é só por isso, claro, que “Leonard Cohen – I’m Your Man” é obrigatório, mas você precisa descobrir o resto com seus olhos e ouvidos. A música pop nunca mais será a mesma depois deste olhar.
“Leonard Cohen – I’m Your Man” na 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
Dia 27 às 18h30 no Frei Caneca Unibanco Artplex 4
Dia 30 às 14h20 no Frei Caneca Unibanco Artplex 3
Dia 02 às 15h10 no Reserva Cultural
Confira Nick Cave interpretando “I’m Your Man”
Ps1: Aqui mais um trecho do documentário, e aqui o trailer oficial.
Ps2: Perguntei certa vez: “Ian McCulloch, quais as suas cinco músicas preferidas de todos os tempos?”. E ele respondeu:
“Changes”, David Bowie.
“Pale Blue Eyes”, Velvet Underground
“I Just Can’t Help Believe”, Elvis Presley
“Summer Wind”, Frank Sinatra
“Famous Blue Raincoat”, Leonard Cohen
Ps3: Semana vem pretendo contar como foram os shows de Patti Smith… no Rio de Janeiro e em Curitiba.
Ps4: Direto de Blumenau (valeu, Dary), o Stuart é a banda perfeita para a ressaca emo que estamos vivendo. “Honestidade Não Enche a Barriga”, primeiro álbum oficial dos caras, é punk rock indie com boas doses de cinismo, ironia e boas sacadas. Infelizmente, a versão de “Um Bom Motivo”, de Wander Wildner, apaga um pouco a original do Stuart, mas o bardo sulista deixa tudo em casa ao ajudar nos vocais de “Postes Feios”. Além destas duas músicas, a banda liberou “Punk Falido” e “Sem Valor Pra Nós Dois” no site oficial.
MP3: Um Bom Motivo (botão direito, salvar como)
MP3: Punk Falido (botão direito, salvar como)
Ps5: Fiz um pequeno comentário na Calmantes sobre o lance “Rolling Stone x Bizz” e isso bastou para que alguns e-mails baixassem na minha caixa postal. O assunto vai ser pauta, prometo. Por enquanto posso dizer que curti a reportagem com o Killers na Rolling Stone e a discoteca básica assinada pelo Alex Antunes na Bizz. Mas as duas matérias de capa (Gisele e Renato) não se justificam…
Ps6: Entrevistas legais para se ler no Scream & Yell:
Jonas Lopes conversou com o jazzista Dave Douglas. Aqui.
André Azenha ouviu palavras sábias de Fred Zero Quatro. Aqui.
Manoel Magalhães bateu um papo com Thomas Pappon, do Fellini. Aqui.
Ps7: Para fechar, como esta é a última coluna do mês, o meu TOP 100 vira TOP 150…
INTERNACIONAL
01 – Return To Cookie Mountain, Tv On The Radio 06/07
02 – Modern Times, Bob Dylan NACIONAL
03 – We Shall Overcome/The Seeger Sessions, Bruce Springsteen NACIONAL
04 – Living With War, Neil Young NACIONAL
05 – Broken Boy Soldier, Raconteurs NACIONAL
06 – Subtitulo, Josh Rouse 21/03
07 – Powder Burns, Twilight Singers 16/05
08 – Gulag Orkestar, Beirut 09/05
09 – Sun Sun Sun, The Elected 24/01
10 – The Crane Wife, The Decemberists 03/10
11 – Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, Arctic Monkeys NACIONAL
12 – Fast Man / Raider Man, Frank Black NACIONAL
13 – At War With The Mystics, Flaming Lips NACIONAL
14 – Ringleader of The Tormentors, Morrissey NACIONAL
15 – My Secret is My Silence, Roddy Woomble 29/08
16 – The Great Eastern, James Dean Bradfield 25/07
17 – Nineteeneighties, Grant Lee Phillips 27/06
18 – Waterloo to Anywhere, Dirty Pretty Things 11/05
19 – Pieces Of The People We Love, The Rapture 12/09
20 – Sorry I Made You Cry, The Czars 13/02
21 – The Greatest, Cat Power 24/01
22 – Eyes Open, Snow Patrol NACIONAL
23 – Through The Windowpane, Guillemots10/07
24 – Puzzles Like You, Mojave 3 06/06
25 – Everything All The Time , Band Of Horses 21/03
26 – The Drift, Scott Walker 06/06
27 – Civillian, Boy Kill Boy 16/05
28 – Peeping Tom, Peeping Tom 30/05
29- The Information, Beck 03/10
30 -Sam’s Town, The Killers 03/10
31 – Destroyers Rubies, Destroyer 21/02
32 – Riot City Blues, Primal Scream NACIONAL
33 – Hundred Miles Off, The Walkmen 23/05
34 – Friendly Fire, Sean Lennon – 03/10
35 – Inside in/Inside Out, The Kooks 21/02
36 – Rather Ripped, Sonic Youth NACIONAL
37 – Élan Vital , Pretty Girls Make Graves 11/04
38 – With Love And Squalor, We Are Scientists 10/01
39 – Ballad of the Broken Seas, Isobel Campbell and Mark Lanegan 07/03
40 – Without Feathers, The Stills 09/05
41 – Peregrine, The Appleseed Cast 21/03
42 – 3121, Prince NACIONAL
43 – The Avalanche, Sufjan Stevens 24/06
44 – Impeach My Bush, Peaches 11/07
45 – Tired Of Hanging Around, The Zutons 17/04
46 – Under a Billion Suns, Mudhoney 07/03
47 – Dying To Say This To You, The Sounds 21/03
48 – 5.55, Charlotte Gainsbourg 10/10
49 -Under The Iron Sea, Keane NACIONAL
50 – Meds, Placebo NACIONAL
51 – The Loon, Tapes ‘n Tapes 04/04
52 – Victory for the Comic Muse, Divine Comedy 18/06
53 – Keys To the World, Richard Ashcroft NACIONAL
54 – Alright Still, Lily Allen NACIONAL
55 -Convicts, You Am I 20/06
56 – It’s Never Been Like That , Phoenix23/05
57 – St. Elsewhere, Gnarls Barkley 09/05
58 – Film School, Film School 24/01
59 – Making Dens, Mystery Jets 07/03
60 – You in Reverse, Build To Spill 11/04
61 – Love And Other Planets , Adem 04/05
62 – Garden Ruin, Calexico 11/04
63 – Fear Is On Our Side, I Love You But I’ve Chosen Darkness 07/03
64 – Let’s Get Out of This Country, Camera Obscura 05/06
65 Chulahoma EP, The Black Keys 02/05
66 – Carnavas, Silversun Pickups 25/07
67 – Hind Hind Legs, The Lovely Feathers 18/04
68 – We Are The Pipettes, The Pipettes 17/06
69 – Be Your Own Pet, Be Your Own Pet 13/03
70 – Bring it Back, Mates of State 21/03
71 – The Obliterati, Mission Of Burma 23/05
72 – Pearl Jam, Pearl Jam NACIONAL
73 – Mr. Beast , Mogwai 06/03
74 – Wow Twist, DAT Politics 18/04
75 – From A Compound Eye , Robert Pollard 24/01
76 – Ships, Danielson 09/05
77 – Comfort of Strangers, Beth Orton 07/02
78 – The Life Pursuit, Belle & Sebastian NACIONAL
79 – First Impressions Of Earth, Strokes NACIONAL
80 – Show Your Bones, Yeah Yeah Yeahs NACIONAL
81 – Enemies Like This, Radio 4 16/05
82 – Wolfmother, Wolfmother NACIONAL
83 – Simpatico, Charlatans 02/05
84 – Uninvited, Like The Clouds, The Church 18/04
85 – My Dark Places, The Television Personalities21/03
86 – Espers II, Espers 16/05
87 -Give Me a Wall, !Forward Russia! 15/06
88 – News & Tributes, The Futureheads 13/06
89 – A City by the Light Divided, Thursday 02/05
90 – Below The Branches, Kelley Stoltz 07/02
91 – The Gun Album, Minus 5 07/02
92 – Black Holes And Revelations, Muse 11/07
93 – The Garden, Zero 7 06/06
94 – The Million Colour Revolution, The Pinker Tones 07/02
95 – Death By Sexy, Eagles of Death Metal 11/04
96 – Fictions, Jane Birkin 27/03
97 – A Blessing And A Curse, Drive By Truckers 18/04
98 – Bitter Tea, The Fiery Furnaces 18/04
99 – Monsieur Gainsbourg Revisited, Varios NACIONAL
100 – The Eraser, Thom Yorke
101 – Shearwater – Palo Santo 09/05
102 – The Black Magic Show, Elefant NACIONAL
103 – Under the Covers Vol. 1, Matthew Sweet & Susanna Hoffs 18/04
104 – Empire, Kasabian 19/09
105 – Vision Valley, The Vines 04/04
106 – Declare A New State, The Submarines 20/06
107 – Bande a Part , Nouvelle Vague 27/06
108 – Flat-Pack Philosophy, Buzzcooks NACIONAL
109 – Born Again in the U.S.A., Loose Fur 21/03
110 – How We Operate, Gomez 02/05
111 – The Brave and the Bold, Tortoise & Bonnie Price Billy 24/01
112 – You See Colours, The Delays 06/03 (UK)
113 – Love Travels at Illegal Speeds, Graham Coxon 14/03
114 – Fab Four Suture, Stereolab 07/03
115 – Back to the Web, Elf Power 25/04
116 – In Colour, The Concretes 04/04
117 – The Corner Of Miles And Gil, Shack 27/06
118 – Keep Breathing, The Durutti Column 07/03
119 – Just Like the Fambly Cat, Grandaddy 09/05
120 – The Stars Look Different From Down Here, Cosmic Rough Riders 23/05
121 – Classics, Ratatat 22/08
122 – Walkabout, Najwa (2006) 01/01
123 Versions , Thievery Corporation 16/05
124 – The Rose Has Teeth in the Mouth of a Beast, Matmos 09/05
125 – Stadium, Arcadium, Red Hot Chilli Peppers NACIONAL
126- Silent Shout, The Knife 25/07
127 – Drum’s Not Dead, The Liars 21/03
128 – The Hardest Way To Make An Easy Living, The Streets NACIONAL4
129 – Scale, Matthew Herbert 07/03
130 – Socialize, Metal Hearts 21/02
NACIONAL
01 – La Re-Vuelta, Los Pirata
02 – Manifesto 1/2 171, De Leve
03 – O Homem Espuma, Mombojó
04 – Outro Futuro, Leoni
05 – Ce, Caetano Veloso
06 – Carioca, Chico Buarque
07 – Prot(o), Prot(o)
08 – Onde Os Anjos Não Ousam Pisar, Nasi
09 – Carrossel, Skank
10 – Objeto Direto, Trissônicos
11 – Honestidade Não Enche a Barriga, Stuart
12 – Infinito Particular / Universo Ao Meu Redor, Marisa Monte
13 – Seu Minuto, Meu Segundo, Gram
14 – Sim e Não, Nando Reis
15 – Duberia, Radiola Santa Rosa
16 – Bogary, Cascadura
17 – Aos Farsantes com Carinho, Pelebrói Não Sei
18 – Homem-Inimigo-Homem, Ratos de Porão
19 – Por um Rock and Roll Mais Alcoólatra e Inconseqüente, Rock Rocket
20 – Noisecoregroovecocoenvenenado, Zeferina Bomba
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23/10/2006 - 09:00

Outro Futuro, Leoni (Warner)
Preço em média: R$ 20
O Brasil tem pouquíssimos artistas que praticam o pop perfeito, um tipo de canção que gruda no inconsciente e fica por ali dias e dias até fazer casa na memória. Existem muitos cantores e bandas que conseguem – num fragmento de tempo – criar uma canção perfeita, e passam anos e anos tentando recria-la, em vão. Em um momento em que a música brasileira atravessa um caos de falta de criatividade, Leoni se firma como artífice pop de primeira grandeza com “Outro Futuro”, seu terceiro trabalho solo composto apenas de inéditas.
Após pagar as contas com o passado exorcizando demônios nos projetos “Áudio-Retrato” (2005) e “Leoni Ao Vivo” (2005), que recriavam sucessos do compositor ao lado de Cazuza (“Exagerado”), com os Heróis da Resistência (“Duble de Corpo”, “Só Pro Meu Prazer”) e Kid Abelha (banda que ele mesmo formou no começo dos anos 80, e foi responsável por praticamente 100% do repertório dos dois primeiros álbuns, incluindo “Fixação”, “Lágrimas e Chuva” e “Como Eu Quero”), Leoni viu a luz do sucesso brilhar novamente.
Agora, o compositor retorna recriando o pop perfeito com 13 canções (11 delas completamente inéditas) essencialmente acústicas, que destacam arranjos delicados que pedem não mais que dois violões, baixo e um quarteto de cordas. Porém, mais do que sua vocação acústica, “Outro Futuro” brilha pela maneira direta que o compositor disseca o amor. “Já está ficando escuro meu amor / Melhor sair daqui enquanto é tempo”, diz a faixa título em formato de soneto. “Sempre Por Querer”, parceria de Leoni com Alvin L., despe a inocência romântica: “Se agora eu cato a alma pelos cantos / A culpa não foi sua eu te garanto / Eu sei você não vai querer saber: A gente sempre sofre / A gente sofre sempre por querer”.
“Quem, Além de Você?” risca as linhas de um fim de romance, mesma temática da desiludida, bonita e quase brega “50 Receitas” (“O que me dá raiva são as flores e os dias de sol / São os seus beijos e o que eu tinha sonhado pra nós”). A letra de “40 Dias no Espaço” traz um dos versos mais bonitos do disco: “Se tudo passa depressa / Só o que é novo interessa”. Só quem sofreu pode valorizar o amor e escrever algo como “Delicadeza e doçura / Não fazem muito sucesso / Nem alegrias de bolso / E nem amor que deu certo // Fiz uma lista sem fim/ De como sem perceber / Você me deixa / Imensamente feliz” (da canção “Lado Z”) ou escorregar docemente no piegas como em “Soneto do Teu Corpo” (parceira com Paulinho Moska). O álbum ainda traz parcerias com Frejat (“A Chave da Porta da Frente”) e Cris Braun (“Saudade de Você”).
Site Oficial de Leoni
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19/10/2006 - 12:21

Deve ser divertido para Charles Thompson IV ser Black Francis e, ao mesmo tempo, Frank Black. Líder responsável por uma das bandas mais influentes (se não for “a” mais influente) da música pop nos últimos 20 anos, o Pixies, Frank Black viu seu sonho de guitarras barulhentas, linha de baixo chicletuda e letras malucas durar apenas cinco anos.
Foram cinco anos praticamente perfeitos, que fizeram Bob Mould (Husker Dü) morrer de inveja, David Bowie se derramar em elogios, Dave Grohl declarar paixão eterna e um tal de Kurt Cobain se inspirar para compor um dos hinos dos anos 90: “Smells Like Teen Spirit”. Já está cravado na história do rock o testemunho de Cobain: “Eu estava querendo compor no estilo Pixies”.
Só que isso tudo aconteceu a dezenas de milhares de anos. Nas últimas notícias da música pop, um território em que reinam os 15 minutos proféticos de Andy Warhol, Frank Black era apenas um gordinho com uma guitarra e com um bando de pistoleiros às suas costas, que decidiu reunir o Pixies em 2004 para ganhar uma grana, pagar as contas atrasadas e fazer um monte de gente feliz ao redor do mundo.
Por outro lado, Black exercia uma carreira solo prolífica, e conforme foi lançando um disco atrás do outro (já são seis só nesta década, o mais recente, duplo), o cantor foi redescobrindo a música popular norte-americana de raiz, balizado pelo country, pelo folk e pela soul music.
Para tornar esse “passeio” algo mais, ahñ, original, Frank Black se cercou de músicos de estúdio que trabalharam em selos como a Motown e a Stax, além de músicos que fizeram parte do time de Phil Spector. São gente como Steve Cropper, co-autor de “In the Midnight Hour”, sucesso de Wilson Pickett, o batera Jim Keltner (responsável pelas baquetas no projeto Traveling Wilburys, de Bob Dylan, George Harrison , Roy Orbison e Tom Petty), Tom Peterson (Cheap Trick) e Simon Kirke (Bad Company), além do produtor Jon Tiven (Wilson Pickett, B.B. King), entre muitos outros.
Este encontro de feras em várias sessões em Nashville, a primeira antes mesmo da turnê de reunião dos Pixies, em 2004, resultou em três discos. “Honeycomb”, o primeiro, chegou ao Brasil via Deck Disc, com um ano de atraso. O segundo, duplo, “Fast Man / Raider Man”, chegou às lojas norte-americanas em junho, e acaba de ganhar edição nacional (também pela Deck Disc) e apresenta mais 27 canções das sessões de Nashville.
Não há nestes três registros algo como o grito esganiçado, as letras surreais ou a tempestade instrumental dos velhos tempos do Pixies. Black Francis se transformou definitivamente em Frank Black e, aos 41 anos, alcança a maturidade instrumental que já vinha marcando registros como “Black Letter Day” (2002) e “Show Me Your Tears” (2003). Ao contrário da urgência do som do Pixies, que segurava o ouvinte pelo pescoço pedindo atenção, o que ele faz em sua carreira solo é para ser apreciado com calma e atenção. É mais profundo e atemporal. Charles Thompson IV, pelo jeito, está gostando mais de ser Frank Black do que Black Francis.
*******
Ps1: E o Pixies? Frank Black continua tocando com o Pixies, mas disco novo está fora de cogitação. E não é por culpa dele. Segundo o músico, alguém na banda não topa gravar material novo. “Não vou dizer quem ela é”, contou a Billboard. Como só existe uma “ela” na banda, a baixista Kim Deal, já dá para imaginar quem não quer gravar um disco novo do Pixies, né.
Ps2: Ressaca.
Ps3: “Sun, Sun, Sun”, do The Elected, virou obrigação diária por aqui. Discaço. Tem quatro músicas para download no My Space da banda
Ps4: Fabio, Affonso e Maikol: os brindes ainda não foram, mas estão indo.
Ps5: O Vanguart fez um show excelente no CB, sábado passado. O lugar estava fervendo – calor mesmo – e mesmo assim foi muuuuito divertido. Pippetes, Klaxons, Rapture (o disco novo virou febre aqui em casa) na pista. Na noite passada, festa da ‘firma’, discotecagem rápida ao lado da chefe e Franz, White Stripes, Blur, Blondie, Hot Chip, Beck & Beatles na pista. Divertidíssimo.
Ps6: A próxima discotecagem é domingo, no projeto 2em1, edição especial 3em1: Karine Alexandrino, Seychelles e Lulina no palco, Marcelo Costa (ops) e o queridíssimo Bruno Saito (Ilustrada/Folha de São Paulo) nas pick-ups. Vou deixar de lado os rocks barulhentos e tentar me concentrar num repertório mais classudo. O 2em1 acontece no domingo, a partir das 19h, no Coppola Music, Rua Girassol, 323, Vila Madalena, São Paulo. Emails para show@2emum.com.br garantem o nome na lista e a entrada por R$ 12,50.
Ps7: Na semana que vem, está coluna aporta no Rio de Janeiro para conferir as noites de sexta e sábado no Tim Festival. No domingo, Tim em São Paulo. E na terça, noitada em Curitiba. A gente se esbarra agora ou no Black Rebel Motorcycle Club em São Paulo, em dezembro?
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16/10/2006 - 09:00

The Crane Wife, The Decemberistis (Capitol)
Preço em média (importado): R$ 48
“Castaways and Cutouts’ (2002), “Her Majesty” (2003) e “Picaresque” (2005) passaram batido pelas lojas brasileiras, mas não pelo público antenado, que reconheceu no Decemberists uma formação pop de qualidade mágica e surpreendente. Lançado dia 03 de outubro nos Estados Unidos, “The Crane Wife”, quarto disco do grupo de Portland, é o primeiro álbum da banda por uma mega gravadora (o que pode resultar em edição nacional), e continua com a saga do compositor Colin Meloy em busca da canção pop perfeita (ele já criou algumas dezenas delas nos discos passados, e continua compondo como se estivesse esculpindo diamantes).
Meloy e comparsas partem do folk para construirem suas pop songs. Em “The Crane Wife”, essa regra continua intacta, mas abre possibilidade para novas pulsações. Neste grupo estão a balançante “The Perfect Crime Number 2″ (com levada funky), a densa, semi-arrastada e pesada “When the War Came” (que fala sobre mentiras do governo para justificar a guerra), e a longa e experimental “The Island, Come and See / The Landlord’s Daughter / You’ll Not Feel TheDrowning”, épico dividido em três partes cujo ápice, no segundo, traz o interlocutor contando que a filha do poderoso dono das terras clamava por liberdade oferecendo a ele todo o ouro e prata para que ele a libertasse. “Não quero ouro, não quero prata, quero apenas seus lábios doces”, finaliza o segundo ato.
Tirando essas três faixas, “The Crane Wife” se divide em pop songs cantaroláveis e folk cru com base em voz e violão. Do primeiro time é possível destacar a belíssima “Yankee Bayonet (I Will be Home Then)”, dueto de Meloy com a cantora folk Laura Veirs; além de “O Valencia” (com bumbo à frente e um bonito riff de guitarra) e “Summersong”. Dos folks, “Shankill Butchers” pula direto do CD para o colo do ouvinte contando a história de um serial killer que assusta uma cidade. A faixa título, outro épico dividido em três partes (cuja terceria, separada, abre o álbum), é outro grande momento de um dos dez grandes álbuns de rock de 2006.
Ps. Colin Meloy já lançou, em carreira solo, dois EPs, um apenas com canções de Morrissey e outro com músicas da cantora folk irlandesa Shirley Collins. “Colin Meloy Sings Morrissey” (2005) e “Colin Meloy Sings Shirley Collins” (2006) são álbuns que merecem serem ouvidos. Se quiser, vá direto na emocional versão do cantor do Decemberists para a sublime “Everyday Is Like Sunday”. Ela te levará às outras…
Download: Baixe “O Valencia” é mais três músicas no My Space do Decemberistis
Download: Baixe “Jack The Ripper” e mais três músicas no My Space de Colin Meloy
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12/10/2006 - 09:00

Cerca de três anos atrás, o jornalista Lúcio Ribeiro teve uma sacada bacana: São Paulo estava fervilhando de shows e festas, mas não tinha um guia que mapeasse esse cenário. Nascia, assim, o Guia Out, uma revista de bolso distribuída gratuitamente que, além de indicar as baladas e os shows, também trazia entrevistas, resenhas e participações de gente como Álvaro Pereira Jr, Marcelo Orozco, Paulo Cesar Martin, Fábio Massari, Thiago Ney, André Barcinski, Kid Vinil, Thales de Menezes, Paulo Terron e Marcelo Costa. :o) O Guia durou sete divertidos exemplares, e renasceu na Popload, a coluna do Lúcio aqui no iG.
Agora o espaço começa a tomar forma, e o que segue abaixo são dez entrevistinhas rápidas que fiz com bandas que estão chacoalhando os locais de shows. Tudo já foi publicado tanto no Guia Out quanto no blog Calmantes com Champagne, mas eu queria reunir tudo num local só, até para ter um panorama dessa leva de bandas que anda fazendo shows pelo país. Junto, separei uma música de cada banda para que você, leitor, conheça. Se gostar, tem o link também do site do artista, com muito mais coisas para se ouvir (e muito pra se baixar).
Tem o folk nervoso dos curitibanos do Bad Folk – que querem ser Johnny Clash; o pop britânico do pessoal do Gram; os inclassificáveis Jumbo Elektro; os moleques strokeanos do Motpop; a nova fase dos paulistas do Pullovers e d’Os Telepatas; o pop de garagem dos curitibanos do Terminal Guadalupe; o pop folk dos cuiabanos do Vanguart; o terceiro mundo festivo de Wado e Realismo Fantástico; e o punk brega botequeiro fora da lei de Mr. Wander Wildner. Tem de tudo um pouco. Leia, baixe (botão direito e ’salvar como’ no que for pra baixar), ouça (um clique no que for pra ouvir). E curta o feriado. Semana que vem nos vemos.
Bad Folks
Três perguntas para Cassiano, guitarrista/vocalista do Bad Folks
1) Qual é a do Bad Folks? O que rola nos shows da banda?
Nosso negócio é o seguinte: imagine se os Replacements fossem brasileiros com panca de punks mexicanos tentando soar como os Pogues depois de um estágio no deserto com o Captain Beefheart. Simplificando: freak folk rock para bares barulhentos. Nos shows você não deve conseguir ficar parado.
2) Andaram me falando que o Bad Folks é o Wilco brasileiro. Procede?
É uma honra ser comparado com o Wilco, mas, pretensões à parte, na verdade gostaríamos mesmo de sermos comparados com o Johnny Cash ou com o The Clash. Inclusive misturamos ‘Wrong’ em Boyo’ do Clash e ‘Folsom Prison Blues’ do Johnny Cash numa mesma versão. É isso que queremos ser: o Johnny Clash.
3) Qual a melhor banda atual: Los Pirata, Vanguart ou Bad Folks?
Gostamos muito das três. Se eu não fosse um Bad Folk provavelmente ficaria entre o Los Pirata e o Bad Folks. Mas como sou um Bad Folk, tenho que ser fiel ao nome da banda e não vou falar que alguma outra banda é melhor que a gente nunca. Nem pior. O Vanguart é muito bom. Eles são Good Folks. E estamos no mesmo barco do Los Pirata. Com uma ou mais garrafas de rum.
http://www.myspace.com/badfolks
Ouça: If You Wanna Say Something
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Gram
Três perguntas para Marco Loschiavo, guitarrista do Gram:
1) Vocês estão lançando “Seu Minuto, Meu Segundo”, segundo CD. Qual a diferença da banda hoje para aquela que ficou conhecida com “Você Pode Ir Na Janela” em 2003?
Hoje somos uma banda um pouco mais experiente, madura e certa do que quer produzir musicalmente e artísticamente. Hoje temos um DualDisc (CD+DVD), e esse trabalho reflete nosso amadurecimento musical e nossa aptidão pelo audiovisual. No DualDisc tivemos a oportunidade de trabalhar com profissionais experientes, em estúdios de primeira, sem se preocupar com tempo. Trabalhamos bastante com pós produção de arranjos, o que não foi possível no primeiro disco por falta de tempo e experiência. Pudemos explorar a arte do encarte (produzida pelo Sérgio, vocalista) e a parte em vídeos, com bastante animação Stop-Motion, animação com gráficos e interferências (eu que fiz), uma excelente edição por Lígia Ramos e um emocionante vídeo com fotos de shows que contam um pouco da nossa trajetória.
2) Como estão soando as músicas novas no palco?
Os shows tem sido muito legais! Sentir as músicas ao vivo é diferente, outra pegada, mais peso. Os nossos fãs tem gostado e aos poucos estamos ficando mais a vontade ao toca-las.
3) O que uma pessoa que não conhece o som de vocês encontra nos shows?
Quem for no nosso show irá encontrar uma banda nova com um disco novo, com repertório novo, com muita vontade de tocar, se divertindo, fazendo o que ama e fãs dividindo o mérito pelo show. Tem sido sempre assim, Gram + Público = Coro e diversão garantida.
http://gram.mosva.com.br/
Ouça: Antes do Fim
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Jumbo Elektro
Três perguntas para Frito Sampler, do Jumbo Elektro
1) Vocês estão meio sumidos da mídia? Se perderam na ilha de Lost?
Realizamos algumas aparições esporádicas, como fantasmas, que aparecem uma hora aqui, e outra ali. Um integrante da banda realmente está perdido na Ilha de Lost depois que ele fez um corte de cabelo parecido com o do Santoro numa peluqueria paquistanesa. Isso realmente aconteceu em Barcelona, temos tudo filmado, carimbado e avaliado. Aliás, uma coisa que temos feito com freqüência são pequenos filmes que pretendemos depois compilar num documentário. Viajamos para Barcelona em Abril desse ano, e lá filmamos a balada sem parar, foram mais de 12 fitas, muita coisa Mojica e Medieval.
2) Como vocês definiriam uma apresentação ao vivo do Jumbo Elektro?
As apresentações do Jumbo são regadas a som alto no PA e performances digamos “inusitadas”. Usamos extintor de incêndio, biribas, e recentemente traques. Encontrei uma caixa de traque perdida aqui em casa. Os shows do Jumbo são muitas vezes catárticos, loucos, e cada vez mais partimos para isso, no bom estilo Frank Zappa. Por outro lado, nossas novas canções são mais sérias, mais maduras, pode-se dizer. Outra coisa que acontece nos shows é aprontar alguma com um membro da banda que se distraiu com algo, que não pôde passar o som, ai ele sofre uma punição no meio da apresentação, isso tem acontecido com freqüência.
3) Quando sai o novo Best Of? Músicas novas podem aparecer em shows a qualquer momento?
O novo Best Of sai no ano que vem (2007), já estamos com quase tudo pronto para gravar.
http://www.jumboelektro.com.br/
Baixe: Freak Cat
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Moptop
Três perguntas para o Moptop:
1) O sonho do disco próprio se realizou. Vocês gostaram do resultado final?
Gostaríamos de ter tido mais tempo para mixar, mas tirando isso gostamos muito do resultado final. O disco está equilibrado, bom de se escutar e apresenta bem o caminho que buscamos como banda. Em termos de sonoridade, gostamos muito da nossa demo, mas queríamos fugir um pouco da estética lo-fi presente nela.
2) O que muda do CD para o show? O que vocês aprontam no palco?
Rola umas coreografias tipo Beyoncé… brincadeira. O show é mais pesado que o disco e o andamento das musicas um pouco mais acelerado. O disco é mais correto que o show. Embora não sejamos uma banda de improviso, o show é mais caótico e tocamos várias musicas nossas que não entraram no CD.
3) Assim como os grandes lançamentos gringos, o CD de vocês já está na web. Vocês são contra ou a favor da troca de MP3?
Totalmente a favor. Queremos que as pessoas escutem nossa música da forma que for. Ainda acredito no formato CD e acho que quem realmente curte a banda em algum momento vai comprar um CD nosso. Somos contra a pirataria física… é um absurdo outra pessoa lucrar com a musica que fazemos. Quem quiser conhecer nossas musicas através da internet entrem em http://www.moptop.com.br/hotsite.
http://www.moptop.com.br/
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Pullovers
Três perguntas para Luiz Aiello, do Pullovers:
1) Vocês já liberaram, neste ano, quatro músicas inéditas. Algum CD em vista?
CD, por enquanto, não… Temos um EP (5 músicas) que funciona como uma espécie de “demo” das nossas primeiras músicas em português e é vendido em show, mas nesta nova fase (em português) estamos preferindo gravar e ir colocando na Internet ao invés de fazer um álbum “fechado” pra ser vendido em loja. É cada vez mais nítido que assim (myspace, tramavirtual), o alcance do trampo é muito maior. Lily Allen e zilhões de outros artistas que o digam.
2) Como está funcionando a nova formação no palco? E no show, rolam canções dos CDs anteriores?
Até agora fizemos só cerca de 10 shows com a nova formação, mas parece que já foram 100. Estamos tão à vontade que parece mesa de bar. E não rolam não canções dos cds anteriores, em inglês. Pode parecer paradoxal a gente ter continuado com o nome de Pullovers e não tocar as antigas, mas não é. É que não dá pra misturar alhos com bugalhos. O nome continua porque as músicas continuam com características (principalmente melódicas) do Pullovers em inglês, principalmente porque era eu que compunha antes, mas achamos melhor separar bem as duas fases e “recomeçar do zero”. Além do que já estamos com umas 15 canções em português, o repertório de um show.
3) Todas as canções são de amor? O amor verdadeiro não tem vista para o mar?
No fundo, todas as canções são de amor, e sou eu que estou dizendo, não o Roberto Carlos (apesar disto parecer frase dele). Porque, seja qual for o tema da música (política, whisky, amor), no fundo sempre rola aquela vontade íntima do compositor de fazer bonito pra alguém, seja uma musa ou o mundo inteiro. Já o “amor verdadeiro não ter vista para o mar” é uma metáfora que eu usei pra afirmar a nossa identidade paulistana. Porque, se é pra escrever e cantar em português, quer dizer, falar as coisas na nossa língua, na lata e dando a cara pra bater, vamos fazer isto do nosso jeito (paulistano), com a nossa maneira de dizer os “r” e os “s” e tendo orgulho disto. Amamos a música de todos os cantos do Brasil, mas a gente acha que chegou a hora de uma banda de São Paulo se afirmar paulista como as bandas do mangue beat se orgulhavam de se afirmar pernambucanas, coisa que faziam os Mutantes nos anos 60 e o Ira! nos anos 80 (e até hoje). É que paulista é tímido e travado por natureza, já nasce pedindo “desculpa pelo incômodo”, então ou canta em inglês ou parece ter vergonha do seu sotaque… A gente não. Mas é claro que a gente gosta e também “se rende” ao resto do Brasil, como em “1932 (C.P.)” o cara paulista se rende à menina carioca.
http://www.myspace.com/pullovers
Ouça: 1932
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Os Telepatas
Três perguntas para Fabs, guitarrista d’Os Telepatas
1) Como você definiria o som d’Os Telepatas?
O elo perdido entre o Belchior e o Grandaddy. Ou o elo perdido entre o Guilherme Arantes e o Wilco. Ou entre o Walter Franco e o Sonic Youth.
2) Nos próximos dias vocês vão fazer shows na capital e no interior. Como vão ser essas apresentações?
Serão ótimas pra gente porque vamos colocar na estrada as músicas novas que estamos trabalhando pro disco, que começaremos a gravar em Novembro. Temos ensaiado tanto e trabalhado tanto em cima delas que ter a resposta inédita do público vai ser bom pra gente. O som da banda ganhou novas direções e a hora de ver pra onde elas nos levaram é agora.
3) Vocês vão dividir o palco com outras bandas neste shows: Monokini no interior, e Blue Afternoon em São Paulo. O que vocês acham deles?
Gosto do caminho do som do Monokini, que mantém laço estreito com sonoridades brasileiras. O Blue Afternoon é a melhor referência de música introspectiva que temos em São Paulo. Uma cidade que tem uma pilha de gente querendo tocar a 200 por hora. Ás vezes o maior barulho tá acontecendo bem baixinho.
http://myspace.com/ostelepatas
Ouça: Vegas Special
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Terminal Guadalupe
Três perguntas para Dary Jr, do Terminal Guadalupe
1) Vocês se definem como pop de garagem. O que é isso?
Distorção, mas não o tempo todo. Microfonia, mas sem ser gratuita. Melodia, mas nem sempre com refrão. Velocidade, mas com freadas bruscas. O texto pega carona para tratar de temas espinhosos, geralmente ligados ao dia-a-dia. É o pop que estuda o establishment. Ou rock nacional praticado pela banda mais brasiliense de Curitiba. A definição é servida ao gosto do freguês.
2) O TG traz vários elementos dos anos 80 e 90 no som, mas isso em estúdio. Como soa a banda ao vivo?
O Allan (guitarra) fica ensandecido nos shows e torna as apresentações viscerais. Eu tento seguir o pique dele, mas as minhas pilhas não são alcalinas. Eh, eh, eh. O Rubens (baixo) toca com classe, é praticamente um jazzman. Já o Fabiano (bateria) é aquele craque que também joga para o time, sabe? Enfim, nossos shows são para quebrar tudo, mas dá para ficar paradinho e prestar atenção nas letras. Diria que, ao vivo, o Terminal Guadalupe parece uma banda punk que toca mais de três acordes.
3) Disco novo pra quando? As músicas novas já estão pintando nos shows?
Duas perguntas, uma resposta: já! A gravação começa na próxima sexta-feira, dia 13. Sorte, né? Vamos “acampar” na Toca do Bandido por quase um mês. O culpado é o produtor musical Tomás Magno, que veio até nós e “se convidou” para trabalhar com o Terminal Guadalupe. Foi providencial. Ele fez a pré-produção aqui mesmo, em Curitiba. Agora, vamos todos para o Rio de Janeiro, onde também devemos conversar com o pessoal das gravadoras. Algumas das músicas novas têm sido tocadas nos shows e refletem bem a história de cada um dos integrantes. Fomos buscar referências no frescor dos nossos primeiros trabalhos com outras bandas. Assim, podem esperar algo que lembre bons momentos de grupos como Jully et Joe, Íris, Poléxia (do primeiro EP) e lorena foi embora…, claro. O disco vai se chamar “A Marcha dos Invisíveis” e será lançado no começo de 2007.
Site: http://www.terminalguadalupe.com.br
Baixe: Torres Gêmeas
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Vanguart
Três perguntinhas para Helio Flanders, do Vanguart
1) Vocês são uma das bandas mais elogiadas/comentadas na atualidade no circuito independente. Tem gente que diz que vocês são porta-vozes de geração. Como vocês lidam com isso? Qual é a do Vanguart?
Confesso que não sabemos lidar muito bem com isso. É bacana, claro, mas muitas vezes acho que isso acaba atrapalhando, mas a gente toma bastante cuidado. Quando a crítica sobre nós é muito boa, a gente prefere não acreditar.
2) Há muita diferença do Vanguart de estúdio para o Vanguart no palco? O que acontece ao vivo?
Acho que ao vivo ficamos um pouco mais rock, algo que a gente acaba não sendo muito em estúdio, e isso acaba trazendo sensações novas dentro das cançoes, o que é ótimo. Algumas ganham mais raiva, outras mais pressa etc.
3) Clipe na MTV, shows por todos os cantos do País, mas… quando sai o CD?
Shows por todos os cantos do pais, é por isso que o disco não saiu ainda. Heheh, mas estamos em fase final de mixagem e assim que possível ele estará na praça, com bastante coisa inédita. Vai sair, acreditem!
Site: http://www.vanguart.net
Baixe: Semáforo
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Wado
1) Wado, como será o repertório deste show? Músicas novas?
No show rola um laboratório do disco novo, além de um passeio pelo repertório dos três discos lançados. Esse laboratório é uma estética nova que estamos buscando para o Terceiro Mundo Festivo, nosso quarto parto já em gestação. Eestamos testando umas 5 ou 6 músicas novas e o retorno aos samplers e beats via mpc.
2) O disco novo já tem nome?
Tem o nome provisório de Terceiro Mundo Festivo e trata do uso da eletrônica pelo terceiro mundo, de como as adversidades formularam uns métodos e sonoridades específicas.
3) Me dá um motivo para o pessoal ver Wado e Realismo Fantástico.
Música terceiro-mundista sem ranços nem vícios, canções bonitas e batidas pra provocar as ancas.
Site: http://www.wado.com.br
Ouça: Ontem Eu Sambei
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Wander Wildner
Três perguntas para Wander Wildner:
1) Qual a tônica deste show? O que você apresenta neste “Um Amor Melhor”?
Eu apresento as mais variadas formas de amor. Um novo mundo, muito além do que Roberto Carlos poderia supor.
2) Como é o esquema no Mão Santa? É um Bar Novo?
O dono do bar é um amigo gaúcho, companheiro de teatro. Ele abriu o bar no ano passado e até então eu não tinha ido conhecer, pensando se tratar de um buteco. Mas quando eu fui eu me surpreendi, o bar é muito legal, e é realmente o que eu queria, um lugar maior que o Café Camalehon, na Vila Madalena. A princípío tenho marcado todas as terças de outubro e tocarei sozinho com meu novo violão de nylon, a la Willie Nelson total.
3) Além deste show “mensal”, por onde você estará tocando em outubro?
Confira a agenda no site www.wanderwildner.com.br
Site: http://www.wanderwildner.com.br
Ouça: Fora da Lei
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Ps1: No sábado divido as pick-ups do CLube Belfiori com o André, da Velvet CDs. Vai ser a mesma discotecagem festeira de sempre. E no palco, Vanguart. Boa pedida, viu:
FESTA ROCK’N ROLL DINER, no CB (SP)
Shows: Vanguart & Garotas Suecas
DJs: Focka, Marcelo Costa (Scream & Yell/Guia Out) e André Fiori (Velvet CDs)
A partir das 21h
$15
Avenida Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda, São Paulo
Tel: (11) 3666.8971
Ps2: Falando em shows, na madrugada de quinta assisti ao show do Jumbo Elektro, o pior de todos os shows que vi da banda. Mesmo assim foi bastante divertido. Algumas músicas novas já credenciam o novo CD do grupo, que deverá ver a luz do laser só em 2007, mas o clima de festas de amigos imperou no Stúdio SP. Mais falastrão do que o normal, Tatá Aeroplano ‘tocou’ extintor de incêndio e jogou traques no teto do local. Saiu em defesa da Bidê ou Balde no caso “E Por Que Não?”, convocou todos a assistirem “Estamira” e “Cinemas, Aspirinas e Urubus”, além de distribuir bis para a platéia… no bis do show. Ao final, o grupo chamou ao palco o maluco Felipe Flip, que cantou com a banda a ininteligível “Eu Não Sou Chico Buarque”, um dos melhores refrões que ouvi neste ano. Bem divertido.
Ps3: Ainda tenho algumas Out impressas aqui em casa. Alguém se interessa pela ‘coleção completa’? Tem coisas bacanas ali. Qualquer coisa, já sabe: mcosta@ig.com é o email. Aliás, falando em coisas bacanas, muuuuuita gente escreveu, ligou e até pediu pessoalmente o vinil de “Nevermind”, do Nirvana. E acredita que não sei onde é que ele foi parar? Sério. No fim, quem se deu bem foi o amigo Carlos Freitas, da Impop, que acabou ganhando o vinil do álbum “Between The Buttons”, dos Stones. A capa é tão linda…
Ps4: O amigo jornalista Tiago Agostini colocou os curitibanos do Charme Chulo na parede. Confira a entrevista aqui. A banda está disponibilizando cinco músicas novas para download no site oficial. Abaixo linko as minhas duas preferidas:
MP3: Mazzaropi Incriminado
MP3: Piada Cruel
Ps5: “Tribunal Surdo”, o novo álbum do Violins, de Goiânia, terá 14 músicas, e não trará nenhuma das canções que a banda disponibilizou no site nos últimos meses. Pérolas como “Gênio Incompreendido”, “A Canção Pobre” e “Mulher Bomba” vão permanecer em versões demo. Baixe duas das melhores canções de 2006, que não vão ser lançadas oficialmente.
MP3: Gênio Incompreendido
MP3: A Canção Pobre
Ps6: Por aqui, os dias estão se dividindo entre Leoni, Roddy Woomble e um show solo do Jeff Tweedy. Me surpreendi mesmo com o novo do Beck, achei o do Rapture legal, o do Kasabian uma porcaria, o do Albert Hammond Jr interessante e o novo EP de Ben Kweller ótimo. Neste momento, Justin Timberlake no som. Semana que vem dou um parecer…
Ps7: Não vi “Estamira”, mas o Tatá foi a segunda pessoa que falou entusiasmadamente do filme. Vamos assistir?
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09/10/2006 - 08:27

My Secret Is My Silence, Roddy Woomble (Pure Records)
Preço(importado): em média R$ 48
Mais de 250 álbuns lançados apenas neste ano se amontoam brigando por um espaço para audição na correria do dia-a-dia. Leitores perguntam: Qual o prazer em ouvir tanta coisa? O prazer, caríssimos, é esbarrar – no meio de tantos bons álbuns e alguns outros esquecíveis – com uma pequena obra prima de delicadeza e sensibilidade como este “My Secret Is My Silence”, primeiro disco solo de Roddy Woomble, vocalista e guitarrista da banda escocesa Idlewild. Formado na segunda metade dos anos 90, o Idlewild soava – nos primeiros discos – como um Smiths passado pelo furacão grunge, nada que chamasse tanta atenção até o quarteto parir “The Remote Part”, terceiro disco da carreira da banda, e sinal de maturidade e bom gosto musical dos escoceses. “American English”, um dos singles do álbum, dava o recado: As boas canções não foram escritas para você / Elas nunca serão sobre você.
Então o peso da idade bateu. Roddy chegou aos 30 anos, achou que era hora de ser pessoal e pariu um conjunto de canções que, segundo ele em seu site oficial, não caberiam no Idlewild, mas são parte dele. O resultado é “My Secret Is My Silence”, um disco em que a música popular escocesa encontra o folk, se apaixona, tem um caso de amor, e rende onze canções emocionais. Segundo o autor, “My Secret Is My Silence” é um disco que versa sobre os espaços entre palavras, a língua do silêncio, que é algo que se vê muito na Escócia, particularmente com os povos mais velhos nas montanhas. É sobre o que nós não dizemos. Sonoridades celtas, melodias de fazendeiros, o country que se junta ao alternativo. Para quem não se lembra, um dos grandes discos desta década, “Yankee Hotel Foxtrot” do Wilco, também versava sobre a comunicação entre as pessoas. Saudável coincidência.
Desta forma, “I Came From The Mountain” abre o álbum escorrendo lirismo. A acelerada “As Still As I Watch Your Grave” é comandada por flauta, acordeom e violino. A belíssima faixa título fala de prédios que foram construídos com sangue e chuva enquanto “Act IV” conta a história de um rapaz que escreve uma peça cujo quarto ato – planejadamente – parte o coração da amada, e “If I Could Name Any Name” praticamente resume todo o pensamento de Roddy transformado num maravilhoso dueto com a cantora folk Kate Rusby. Em “Waverley Steps”, quem brilha é Karine Polwart, outra folk singer. Um dos motivos de “My Secret is My Silence” soar mágico é a boa companhia de que se cercou o líder do Idlewild, gravando o disco em duas semanas acompanhado dos conterrâneos do Sons and Daughters (o baterista David Gow e a baixista Ailidh Lennon, esposa de Roddy) e do violino de John McCusker (produtor do álbum, e marido de Kate Rusby), entre outros.
Site Oficial
Ouça e baixe duas músicas no My Space de Roddy Woomble
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05/10/2006 - 08:41

A minha primeira vez foi assim: em março de 1991 eu havia deixado o quartel, após 400 dias de serviço militar obrigatório (um ano, um mês e quatro dias). No segundo semestre de 91 eu já estava no mercado de trabalho, batalhando no novíssimo Taubaté Shopping Center. Era um trabalho sossegado e bem remunerado cujo expediente ditava que eu deveria ficar andando pelos corredores do shopping visando coordenar uma equipe de auditores de lojas. Aconteceu numa destas caminhadas. Um amigo – que trabalhava em uma loja de discos – identificou o riff seco e a bateria galopante pelas caixinhas de som ambiente do shopping, e disse: “Essa é a banda nova que eu tinha comentado com você: Nirvana”. Após alguns segundos de tentativa de entender o que saia pelos minúsculos e quase inaudíveis alto-falantes, minha deixa foi a seguinte: “Putz, mais uma banda saqueando o túmulo punk”. Amigos (as), essa foi a primeira vez que ouvi “Smells Like a Teen Spirit”.
O episódio acima explica muito da minha personalidade na época (e que ainda mantenho um pouco hoje), um hippie punk que detestava Queen, bandas farofa e todos aqueles que saqueavam o passado em busca de alguns trocados. No entanto, o Nirvana era diferente, mas não tinha como descobrir isso com alguns segundos de “Smells Like a Teen Spirit” na rádio Metropolitana, certo? Naquela época não havia Internet em larga escala como existe hoje, os lançamentos ainda eram priorizados em vinil com uma pequena tiragem em CD e só quem tinha boa memória poderia lembrar das resenhas curtas e bem sacadas de “Bleach” e “Nevermind” na seção Zona Franca, da revista Bizz, uma página após os lançamentos que tentava destacar material importado que raramente chegava às prateleiras brasileiras.
Apesar de “Bleach” ser de 1989, o Nirvana era uma tremenda novidade em 1991. Todo mundo aguardava o disco novo do Faith No More, que após o sensacional “The Real Thing”, saiu em turnê, entrou em colapso, lançou um disco ao vivo no Brixton Academy e deu um tempo da mídia. Na virada da década todo mundo apitava: o Faith No More é o som dos anos 90. Mas Mike Patton perdeu o bonde, ou melhor, foi atropelado por “Nevermind” (e, zuzu bem, por “Blood Sugar Sex Magik”, do Red Hot Chili Peppers, que foi lançado no mesmo dia de “Nevermind”, e tinha um saborzinho Faith No More no som).
“Nevermind” foi lançado no dia 24 de setembro de 1991, ou seja, quinze anos atrás. Não parece tanto tempo, sabe. Ainda me lembro de André Barcinski retratando o fenômeno em seu livro Barulho, que teve trechos publicados em três edições da revista Bizz na época. “Cheguei nos Estados Unidos no dia 24 de setembro, dia do lançamento de Nevermind. O LP começou a vender como água. A cada dia que passava, o Nirvana ficava 35 mil discos mais famoso. Um mês depois (…) eles tinham se tornado pop stars, prestes a tirar Michael Jackson do topo da parada da Billboard”. Em sua resenha na Bizz, André Forastieri respondia a questão se valia a pena investir uma grana no álbum. “Vale, vale, vale. Compre três, dê um para o seu amor e outro para o seu melhor amigo”.
Tudo que aconteceu após “Nevermind” estourar virou patrimônio público. Kurt Cobain pirou com a fama, manchou um dos tetos de sua casa com seus miolos e o rock perdeu um de seus últimos mártires. Livros dissecaram a história da banda. Filmes contaram a trajetória do trio. Na esteira, Eddie Vedder jogou o Pearl Jam de lado visando desviar a banda do trono de herdeiros do grunge, e a coroa de capital da música pop saiu de Seattle para voltar a Londres, com Blur e Oasis se estapeando no topo das paradas e no caderno de fofocas das revistas de música. Dave Grohl trocou as baquetas pelas palhetas e formou o Foo Fighters (que deve voltar ao Brasil em 2007 abrindo para o The Who). O trem da música seguiu seu rumo, mas quem pensa que “Nevermind” ficou para trás está muito enganado. “Nevermind” é, ainda hoje, um disco atual e sensacional.
Do riff seco do hino “Smells Like a Teen Spirit” (que mesmo tendo tocado muito ainda arrepia), passando pela bronca pop guitarreira de “In Bloom” (cuja letra escancarava: “Ele é o cara que canta todas as nossas músicas / E ele gosta de cantar junto / Mas ele não sabe o que significa”), da mentirosa “Come As You Are” (sim, ele tinha uma arma), da sensacional “Breed”, da tensa e densa “Lithium”, da pervertida “Polly”, da demolidora “Territorial Pissings”, da romântica (e minha preferida) “Drain You”, até chegar ao trio final de patadas formado por “Lounge Act”, “Stay Away” e “On a Plain” (outra das preferidas da casa). Para baixar os panos, uma canção quase sussurada (e bastante lírica): “Something In The Way”. Na virada dos 90 para o 00 questionei amigos zineiros, jornalistas famosos e alguns músicos sobre qual seria o melhor disco da década de 90. A resposta foi quase unânime, com “Nevermind” vencendo a votação com 163 pontos (“Ok Computer”, do Radiohead, ficou em segundo, com 105,5).
Ok, então você vira e me pergunta: “Mas Mac, você está querendo dizer o que com tudo isso? Que ‘Nevermind’ é um disco sensacional? Pô, eu já sabia”. Perae, perae, perae: sabia mesmo? Comecei a matutar a idéia de escrever sobre o Nirvana uns dois meses atrás, quando uma amiga – após conferir via Last.FM o que eu andava ouvindo no meu computador – comentou com ironia: “Puxa, eu não sabia que você gostava de Nirvana. Foi mal aê”. Até então, eu achava que Nirvana era quase uma unanimidade na história da música pop. Que desde os velhinhos (como eu) que odiaram o show deles no Hollywood Rock, mas receberam como uma tijolada o anúncio da morte de Kurt, passando pela molecada que veste camisetas do Nirvana (…e gosta de cantar junto / mas não sabe o que significa…), por personagens de livros de Nick Hornby e por todo mundo que adora rock sujo, tosco e barulhento, eu achava que todos entendiam, gostavam e valorizavam a importância do Nirvana. Não é bem assim, e essa coluna se fez necessária. “Nevermind”, 15 anos. Parece que foi ontem…
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Promoção
Fábio Shiraga e Affonso Uchoa são os donos dos kits sorteados na semana passada. Ou seja, eles vão receber em casa o clipe independente de 2006 segundo o VMB, “Doce Ilusão”, do Banzé, em uma versão single que ainda traz a faixa “Eu Sou Melhor Que Você” com participação especial do Nasi. O Affonso ainda fica com o EP “Before Vallegrand” do Vanguart e o Fábio ganha um exemplar da Rock Life número 8.
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Ps1: O especial Melhores Discos dos Anos 90 contou com votos dos músicos Wander Wildner e Fernanda Takai (Pato Fu), dos jornalistas Lúcio Ribeiro, José Flávio Júnior, Thales de Menezes, Marcelo Orozco e Carlos Eduardo Lima, do escritor André Takeda, do produtor Carlos Eduardo Miranda e muitos outros amigos. Se o Nirvana ganhou em disco internacional, qual o melhor disco nacional da década de 90? Confere tudo aqui.
Ps2: Ecoa por estes lados “Objeto Direto”, primeiro disco do Trissônicos. Formado em Goiânia, o trio não inventa: faz rock simples, pesado e… poético. Lançado pela Monstro Discos, o álbum traz uma belíssimo trabalho gráfico, e vale a visita no site oficial, cujo convite não deve ser recusado: “Por que não divulgar o que é nosso? Baixe ‘Objeto Direto’ completo”. Vai lá, são treze músicas. Abaixo, duas para você ter uma idéia do som (clica com o botão esquerdo e ’salvar destino como’).
MP3: Dor, Trissônicos
MP3: Filosofia de Bar, Trissônicos
Ps3: “As Flechas”, faixa título do single dos sergipanos da Rockassetes, grudou por aqui. Lançado selo virtual Senhor F, a música peca apenas por ultrapassar um tiquinho o limite de tempo do bom pop. Mesmo assim, é uma bela amostra do som do trio, que faz um rock retrô que transpira inocência (a faixa título) e inconformismo juvenil (na divertida “Sogra Boa é Aquela Com a Boca de Aranha”). No site oficial é possível baixar as três músicas do single “Flechas”, e ainda o EP “Sistema Nervoso”.
MP3: As Flechas, Rockassetes
MP3: Sogra Boa é Aquela Com a Boca de Aranha, Rockassetes
Ps4: “The Information”, novo do Beck, me surpreendeu. Discaço. Não traz nada de novo, muito pelo contrário, algumas músicas até me lembraram melodias antigas. Mas gostei, viu.
Ps5: Mexendo nas minhas coisas percebi que tenho dois vinis “Nevermind”. Alguém quer um? É uma das capas mais bonitas do rock.
Ps6: “Marcelo Costa é uma lenda entre blogueiros e zineiros. Editor do site Scream & Yell, um dos fenômenos da história dos zines no Brasil, ele concedeu uma divertida entrevista a Revista Bula. Com respostas telegráficas e certeiras, falou sobre música, cinema e internet com uma auto-estima que parece ser inquebrantável”. :o) Leia a entrevista.
Palinha
Bula: Pagode pode ser considerado uma distribuição de renda, como o futebol?
Mac: Claro, assim como o senado e a câmara federal
Bula: Artesanato é arte?
Mac: Qualquer coisa hoje em dia é arte, menos Woody Allen.
Bula: Funk Quebra Barraco é música?
Mac: Nem funk quebra barraco nem rolê de bonde. São a mesma coisa: nada. Mas o mundo precisa do nada para ocupar o tempo na falta de algo melhor.
Ps7: Em um comment da coluna passada, alguém reclamava: “Não tem nenhum disco nacional no seu Top 100?”. Respondi que era um Top 100 Internacional, e que eu iria sofrer para fazer um Top 20 Nacional. E sofri, e não consegui. Também, pudera. No meu Top de canções nacionais de 2006, o primeiro lugar é para um single do Vanguart (que nem álbum tem), o segundo é para uma versão demo de uma canção de “Adelante” (nome provisório), novo álbum do Terminal Guadalupe (sem previsão de lançamento), o quinto é um single do Supercordas, o sexto é uma faixa inédita postada pelo Violins em seu site oficial; e a sétima é um EP liberado pelo Pullovers no Trama Virtual. Ou seja: canções novas de discos novos, quase nada. Sei que preciso ouvir o segundo disco do Gram e as estréias do Moptop e do Zeferina Bomba, mas ainda acho que 2006 está sendo um ano péssimo para a música brasileira. Dos quinze álbuns que cito abaixo, alguns preciso ouvir melhor, e se ouvir melhor é bem possível que eles não estejam em uma próxima lista…
01. O Homem Espuma, Mombojó
02. La Re-Vuelta, Los Pirata
03. Manifesto 1/2 171, De Leve
04. Ce, Caetano Veloso
05. Carioca, Chico Buarque
06. Prot(o), Prot(o)
07. Outro Futuro, Leoni
08. Onde Os Anjos Não Ousam Pisar, Nasi
09. Carrossel, Skank
10. Objeto Direto, Trissônicos
11. Duberia, Radiola Santa Rosa
12. Infinito Particular / Universo Ao Meu Redor, Marisa Monte
13. Sim e Não, Nando Reis
14. Bogary, Cascadura
15. Aos Farsantes com Carinho, Pelebrói Não Sei
16. Homem-Inimigo-Homem, Ratos de Porão
17. Por um Rock and Roll Mais Alcoólatra e Inconseqüente, Rock Rocket
*Eu tinha esquecido do Cascadura e do Nasi… (06/10)
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02/10/2006 - 07:54

La Re-Vuelta, do Los Pirata (Independente)
Preço – Em média, R$ 20
Três anos após sacudir a cena de San Pablo e do Brazil com o ótimo “En Una Onda Neo-Punque”, o Los Pirata retorna com “La Re-Vuelta”, um álbum menos tosco, mais barulhento, e ainda melhor que seu antecessor. Segundo o release, o trio formado por Jesús Sanchez (baixo e voz), Loco Sosa (bateria e voz) e Paco Garcia (guitarra e voz) passou três anos procurando UFOs, andando de bicicleta e tendo filhos. Ele esquece de mencionar que a banda passou esse tempo todo fazendo shows, apresentando hits como “Nada”, “Paloma”, “Maldito Verano” e “A Mim Me Gustan Las Hamburguesas” ao lado de praticamente todo o repertório de “La Re-Vuelta”.
O tempo na estrada (tocando e procurando extra-terrestres) serviu para deixar as “novas canções” tão afiadas que a banda ousou inserir novos elementos na mistura de “música rock, rápida, bolero, música latina e MPB mexicana (sic)”, como definiu o trio seu próprio som em entrevista a este colunista, dois anos atrás. Agora, além de surf music acelerada, blues rascante, rock pré-Elvis e trilha sonora de desenho animado (ou de um filme de Quentin Tarantino) com letras em “portunhol” e muita ironia, há ecos de disco music e electro no som da banda, tudo no jeitão Los Pirata de ser, claro.
O barulho guitarreiro dá o tom do disco em faixas ótimas como “Beverly-Krishna” – a porrada pseudo-auto-biografica que abre o disco dizendo Já fui junkie, Beverly-Krishna hare hare / Soy neo-punque, yôga verggie male male – “La Telepatia”, a matadora cover de “Blackbird” (Beatles), a safada versão de “Fire” (Hendrix sarreado por Guilhermoso Wild Chicken, um cara que toca vestido de frango nos shows) e a sacada política “A República de Los Bananas” – que crava: Es un pueblo estúpido sin fuerza, sin garra, sin gana / Así es la democracia en la republica de los bananas.
O grande momento do álbum (e do rock feito no Brasil em 2006) é “Lospi Gospel”, que traz batida disco, barulhinhos executados por Tatá Aeroplano (do Jumbo Elektro, que também marca presença em “Macca”) e uma letra surrealmente genial que une portunhol tosco com inglês de filme de Holywood: Paul is dead, ahora John is dead, George también is dead, ma Ringo no!!! Elvis está muerto, pero Jesus ressucito. É ouvir e sair cantando uma das melhores músicas de 2006.
Site Oficial da banda
Download:
Lospi Gospel
A República de Los Bananas
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