Arquivo da Categoria Crítica de moda
18/01/2009 - 15:35

Nos desfiles do Rio, o uso do moletom virou piada interna no lounge da Vogue. Isso porque nove entre dez grifes do Fashion Rio escolheram o material como matéria-prima para pelo menos alguma peça de suas coleções. Paula Merlo, nossa produtora e jornalista, vinha sempre dos backstages cantando: “Adivinha qual é o tecido da coleção? Adivinha! Adivinha!”. Era sempre moletom. Enfim, tudo isso pra dizer que não é todo mundo, definitivamente, que consegue pegar um tecido tão básico e trabalhar de forma tão nova e criativa. A equipe de estilo da Osklen, encabeçada por Juliana Suassuna, definitivamente, sabe fazer isso. Além de ser quase toda de moletom, a coleção, intitulada Rising (momento de crise, futuro nascendo), tem ainda mais um “dificultor”: a cartela é micra, composta de preto e cinza. Mesmo assim, nada disso impede que a Osklen crie uma coleção forte e cheia de personalidade. Boring? Longe disso. No lugar de cores e novos tecidos, estão as texturas. Tem moletom tricotado (criando volumes), resinado (com brilho), texturizado com microesferas (lembra areia), nervurado (a saia parece plissada, é linda), selado (adeus costuras), dublado (mais encorpado, dá um bom volume às peças). Até os tênis (best-sellers absolutos da grife) são deste material. Eu, que passo fins-de-semanas inteiros com meus muitos moletons, vou poder incluir algumas (várias) peças da Osklen no meu guarda-roupa… da semana! Adorei.
(foto: erikapalomino.com.br)
Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, SPFW
Tags: Osklen
15/01/2009 - 23:58

“Estou em busca de uma consumidora mais jovem”, me disse Marcela Virzi ao passar aqui no lounge depois do desfile, inspirado na arquitetura contemporânea e no trabalho do artista Matthew Barney. Minha resposta? Acertou em cheio. Os looks finais, com vestidos tricolores com recortes gráficos e detalhes em lamé, foram dos mais acertados até agora neste Fashion Rio. Tem a pegada oitentista da temporada, sem se levar muito a sério, e devem estampar editoriais das principais revistas de moda Brasil afora. Menos “jovem” (ou mais careta, leia como quiser), o começo da apresentação peca pela repetição, mas, mesmo assim, traz boas peças para o guarda-roupa de sua fiel consumidora, que vai limpar seu estilo neste inverno, se livrando dos excessos de outras estações.
(fotos: erikapalomino.com.br)
Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, Fashion Rio
Tags: Virzi
15/01/2009 - 23:55

E lá vem mais um étnico nas passarelas deste fashion rio, que estou chamando de “World Fashion Rio” – uma brincadeira com o termo world music, já que, além dos anos 80, um étnico sem passaporte definido tem aparecido por aqui (já vimos Índia, China, índios, caubóis…). No Cantão, esse mix traz referências dos índios apache, dass bombachas gaúchas, dos índios brasileiros, numa coleção ora deliciosa (vide o vestido que fecha o desfile, em Michele Alves), ora muito literal (difícil separar peças de alguns looks sem ficar fantasiada de indiazinha). Mesmo assim, ponto para o Cantão, que agrada em cheio a consumidora jovem, que adora uma gracinha na hora de se vestir.
(fotos: erikapalomino.com.br)
Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, Fashion Rio
Tags: Cantão
15/01/2009 - 23:54

Claudia Simões tem mais de 30 anos de moda, mas acaba de estrear no Fashion Rio. A maturidade criativa e comercial e o conhecimento de sua clientela ficam claros no primeiro desfile da estilista carioca, desenvolvido em parceria com Luciano Canale, da Sta. Ephigênia. Inspirada nos azulejos portugueses, a coleção é um closet pronto para a working woman atual. Bons tops estampados, camisas lisas, saias retas, calças de alfaiataria (jurei que ia tentar não falar mais das carrot, mas é impossível). Sempre num mix bem equilibrado entre peças lisas (o azul klein é lindo, lindo) e estampadas com motivos “azulejais” (rs). São bons também os maxicolares de quadradinhos de madeira, que garantem pitada extra de charme aos looks.
(fotos: erikapalomino.com.br. Xe, ponho geralmente uma só porque a internet aqui é muito lenta, então dois looks = tempo dobrado… Mas, em sua homenagem, seguem os dois looks!)
Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, Fashion Rio
Tags: Claudia Simões
15/01/2009 - 12:55

É a primeira vez que a marca carioca trabalha com a alfaiataria e é justamente dela que saem os melhores momentos do inverno da grife, intitulado “rock realeza” e inspirado em uma princesa transgressora. O look de abertura, todo em nude, é chique, despojado e altamente desejável – as carrot pants, já hit absoluto da temporada, estão nele. Os vestidinhos estampados e românticos que são marca-registrada da Extra estão ali também, mas é um gostoso mix and match de outras peças que faz a diferença agora. Bermudas, camisas sequinhas, casaquetos, tops justos. A fiel consumidora da marca vai ter mais opções para se vestir bem nesse inverno – e são tão boas que a grife não precisava, definitivamente, ter levado para a passarela o macacão-paletó desenhado muito recentemente por Stella McCartney (essa, sim, a mãe da nova alfaiataria). Inseguranças nacionais à parte, a coleção tem tudo para vender bastante nas lojas da Extra Brasil afora.
Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, Fashion Rio
Tags: Maria Bonita Extra
15/01/2009 - 12:49

A grife que faz os vestidos de festa de dez entre dez descoladas cariocas partiu dos vitrais das igrejas góticas para criar seu inverno. De lá saem uma estampa e, principalmente, as cores da coleção: preto, branco, amarelo ovo, azul royal, azul petróleo. A referência, entretanto, é desnecessária, uma vez que vestidos de festa são vestidos de festa e ponto. O que faz a diferença aqui é a mescla da atitude transgressora (o styling, com olhos pretos e cabelos bagunçados, é crucial) com elementos luxuosos que fazem uma peça ser, enfim, “para a noite”. Tecidos nobres (tafetá de seda, por exemplo), detalhes de peso (drapeados em peças justíssimas), visual luxo. A coleção é forte, mas peca pelo exagerado perfume 80 (ombros marcados, coloridos metalizados, tubinhos colantes ou saias amplas). A moda agora olha para aquela época, mas pede uma releitura mais light. Algumas gotas apenas teriam dado o toque necessário. Novidade: a Filhas de Gaia nunca feito longos. O preto usado por Leticia Birkheuer, apesar de já muito visto por aí, funciona na passarela – ou red carpet? – carioca.
(fotos: erikapalomino.com.br)
Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, Fashion Rio
Tags: Filhas de Gaia
15/01/2009 - 12:46

Vamos combinar que se inspirar em um estilista não é a melhor maneira de começar uma coleção, a não ser que ele já esteja no passado da moda. Mesmo assim, Valentino (ok, ele se aposentou recentemente, mas mesmo assim…) é a principal referência do inverno da Tessuti, que busca no trabalho do criador italiano os vestidos longos e esvoaçantes, as saias texturizadas, o vermelho intenso, os laços e as flores. Apesar do tema complicado, a coleção é forte, elegante, conversa perfeitamente com a consumidora da grife. A primeira parte do desfile, com looks monocromáticos em preto, mescla a austeridade do momento (são tempos de crise, afinal) com a sensualidade que a moda pede. As jóias usadas por cima das peças funcionam bem como brilho único e poderoso nas produções, adicionando luxo a peças clássicas como saias-lápis, camisas sequinhas e vestidos rendados.
(fotos: erikapalomino.com.br)
Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, Fashion Rio
Tags: Tessuti
13/01/2009 - 12:15

Desde que fui ao ateliê do estilista pernambucano, em Recife, e pude ver, ao vivo, seu processo de criação, que sou fã incondicional de Melk Zda (eu sei, já disse, você já sabe… não custa refrescar a memória). Ele é dos poucos criadores que conheço que de fato… cria. Contraditório? Nem um pouco. Muitos estilistas de hoje tem um faro muito mais comercial que criativo – e, atenção, isso não é ruim, não, é só diferente do que Melk e uns poucos ainda fazem. Ele fica lá, no mundinho dele, desenhando, testando, pensando, tentando. Esse processo, aliás, tem jogado mais contra que a favor de Melk ultimamente (ele perdeu a sócia investidora, quase não vende suas peças e rala, mas rala MUITO pra levantar um desfile na semana de moda carioca). O fato é que suas coleções são sempre muito fortes e ele já conseguiu imprimir sua marca registrada (as texturas, nervuras, volumes) na moda. Para o próximo inverno, esse trabalho vem inspirado no Chapeleiro Maluco, de Alice no País das Maravilhas – o que não quer dizer muito, já que para um bom criador, meia referência basta (traduzindo: nada ali é óbvio). Senti falta de uma única coisa: as peças são ricas e detalhadas demais para serem vistas de tão longe. Uma passarela mais fininha resolveria o problema.
Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, Fashion Rio
Tags: Melk Zda
13/01/2009 - 12:11

Quem já teve nas mãos uma Vogue brasileira da década de 80, quando Regina Guerreiro era editora de moda, viveu um déjà vu durante o desfile da TNG, ontem à noite, aqui no Rio. A jornalista, “consultant at large” (adoro esse título) da grife de Tito Bessa recorreu a todos os truques de styling da época para fazer a apresentação. Looks em ton sur ton (primeiro a leva de azuis, depois a de brancos, por último a de neutros), meias-calças e leggings coloridas, luvinhas de couro levadas pelas modelos nas mãos (sem estarem vestidas). Até a clássica brincadeira de vestir várias jaquetas juntas, triplicando golas e mangas, estava lá. Uma aula de moda focada na década que Regina conhece tão bem. Mas e a coleção? Ah… um pouco de tudo, como sempre. Jeanswear (agora lavado, manchado), malharia (bons maxipulls, moletons), até alfaiataria (meio sozinha, aliás… alguém reparou em um único modelo de terno e gravata, meio perido na passarela?). Sem grandes novidades, mas correta – deve vender bem para o público da grife, que, pena, não tem idéia de quem é a Diaba em si.
Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, Fashion Rio
Tags: Regina Guerreiro, TNG, Vogue
13/01/2009 - 12:10

São as flores que inspiram Alessa. Rosas, cravos, antúrios. Mas o jardim de inverno da estilista ficou confuso. A coleção vem poluída demais (veludo molhado com cetim com transparências com meia de flores com sapatos masculinos rendados… ufa), sem foco definido (é levinha como nos vestidos de cetim com estampa localizada de rosas, ou pesada como nos looks com roupão de veludo listrado?). O aplique de paetês com imagens de rosas é o melhor da apresentação, mas acabou perdido no meio de tantos elementos.
Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, Fashion Rio, Sem categoria
Tags: Alessa
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