RESUMÃO DE TERÇA: O QUE HÁ COM NOSSA MODA JOVEM?
Terça foi o dia da moda jovem aqui na Bienal. Tivemos Carlota Joakina, 2nd Floor, Triton e Cavalera, no line up (a Colcci, , que foi no domingo, vai entrar no bolo). Minha questão é a seguinte: nossa moda jovem está em crise e precisa de reforço. Tomo a liberdade de fazer essa crítica porque “entrei na moda” pelas mãos de Brenda Fucuta, diretora de redação da Capricho, em 2000 (sem muita certeza da data certa, perdi a carteira de trabalho!). Antes disso, ainda no colegial (como chama agora, mesmo?), quando entrava nos desfiles sem convite e ficava no standing feliz da vida, era fascinada pela estética da Zapping. Supertual para a época, falava diretamente com o público – quem se lembra do desfile no supermercado? Era tudo o que eu queria usar na época. O tempo passou, a Zapping sumiu (não preciso nem comentar a tentatia de revival, nas mãos do grupo I´m). Ficaram Triton, Cavalera. Ambas, até muito recentemente, mostravam uma moda de passarela divertida e traduziam nas lojas tudo aquilo que seria devorado pelos consumidores em foco. Fechei o dia de ontem meio cabisbaixa com o que vi. A Triton, que acaba de sair das mãos de Tufi Duek para cair no colo do grupo AMC, perdeu o brilho. Foi-se o charme, o glamour e a energia imputados por Tufi, ficou uma moda fantasiosa demais. Até que com boas peças, mas com styling confuso, pesado. Será que é isso mesmo que as meninas e meninos querem vestir? Na Cavalera, o ótimo tema do boi-bumbá de Parintins se perdeu pelo mesmo motivo: looks heavy, exagerados. Não vejo nenhum “zóvem” que eu conheço naquelas roupas. Ok, no fim, o que vale são os jeans (e são bons, de fato. Nesse ponto, Turco sabe o que faz), mas mesmo assim, a imagem final não convence. Até a Carlota, que deveria ter um papel mais cool, despojado, perdeu o tom. Looks desconectados, peças-fantasia, desejo abafado. Uma sapatilha fofa aqui, um vestidinho bom ali. Mas falta desejo. Me surpreendi percebendo que a melhor coleção jovem da estação foi a da Colcci, que sempre criticamos tanto. Limparam, sofisticaram, trabalharam. E melhoraram muito. O jeans escuro é bem bom, a sequência de vestidos coquetel de neoprene do fim são ótimos. E, no meio da crise (a jovem, não a financeira), sabe quem virou o jogo na temporada? A 2nd Floor, que veio assumindo esse posto aos poucos, já que a proposta inicial era conversar com os muderrnos, não com a garotada. Entrando pela tangente, trouxe uma moda fresca, cheia de peças tem-que-ter da vida real: maxipulls delícia, vestidinhos de alfaiataria, camisas estampadas, as carrots da vez. No ponto. “Zóvens” não são crianças. Não precisam de fantasias. Precisam de roupas boas, desejáveis e cheias de estilo. Alguém se habilita?
Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, SPFW, Styling Tags: 2nd Floor, Carlota Joakina, Cavalera, Cocci, moda jovem, Triton
Acho que querem fazer dos jovens uns adultos muito sem graça. Vejo cada coleção sexy… sem lugar. Lembro com saudade do ’supermercado de estilos’ da zapping, de uma coleção da triton que tinha como inspiração os anos 70, jackson five… tanta coisa bacana…
.será que em plena época de crise, eles focaram o escapismo?
.bj.
Ah eu gosato de ver imagens…
Apesar de ter gostado do desfile da Triton, assino em baixo!
Adoro seu blog mas é a primeira vez que conto. Concordo muuuuito com esse post, senti que alguém conseguiu colocar em palavras o que eu tava sentindo. Eu adorei a coleção da 2nd floor, foi a unica que me fez realmente fazer uma wish list mental, de coisas que quero ter na próxima estação. Bjs e parabens
Bem, sempre achei a Cavalera exagerada, mas gostava. Era bem fã da Triton, nas achava que tinha crescido e a marca ficou para trás… Fora isso, Colcci “num dá”…
gostei mto deste post!!!! Mto bem escrito.
eu ate que consegui ver uma pecinha aqui e outra ali que eu consideraria usar das coleções mostradas no Rio. Mas as de São Paulo….pelo amor de deus!!! a coleção da Cavalera é uma piada de mau-gosto com o pobre do Festival de Parintins. Triton? sinceramente, tem que ter um parafuso a menos pra sair na rua vestida daquele jeito. Huis Clos? Meh! Reinaldo Lourenço? muito brilho e pouca inspiração… ate a internet da MP esta se recusando a postar as fotos. coincidência?
[...] Aêêêêêê! Já não era sem tempo de ver cores no fim do túnel. Achei a cartela de cores das “marcas jovens” que desfilaram até agora um tanto quanto fechada, para não dizer sombria. Será que é o efeito do filme “Crepúsculo”, a nova febre entre a galera? Será que foi a crise mundial que fez os empresários apostarem suas fichas só no preto, no branco e no cinza? Também acabei lendo um post muito bem escrito pela Maria Prata em seu Blog que trata justamente da questão das “marcas jovens”. Clica aqui pra ler… [...]
Maria,
Seus textos são ótimos e suas críticas necessárias. É a única jornalista que fala com bom senso, com boa argumentação a realidade.
Beijos
Simone
Maria querida,
Será que este glamour todo não seria para atrair as pattys $$$$ ?
Não sou jovem, mas me visto como. Trabalho com moda, pouca coisa me despertou desejo.
As coleções eram melhores por que seu design era voltado para o exclusivo e de vanguarda, não era todo mundo da “panelinha” que vestia um jeans Colcci ou tinha uma camiseta Zapping, acho que hoje em dia a democratização e as melhores condições financeiras do brasileiro impulsionam as marcas a focarem na parte comercial, que chega às araras, a qualidade estética e até de idéia mesmo foram prejudicas. E as vendas dessas marcas têm mais a ver com boa publicidade do que desfiles na temporada. O que é uma pena.
Nossa falar q a Colcci era a mais jovem ae vc pegou pesado…o q eram as producoes mulher fruta da Gisele,e o conjuntinho branco??mais cafona impossivel,nem no Bom Retiro…e a anquinha no jeans no final??e o cabelo chapinha??caraca tem de receber mta grana pra desfilar aquele lixo…os meninos ate tinham uma coisa ou outra interessante…podemos ficar com o jovem cult europeu da Osklen,e alguma coisa Do Estilista,Second Floor e etc de melhor nessa temporada…mas conto nos dedos das maos ,as colecoes interessantes nao so no quesito jovens como em geral…sinceramente nao entendo ,tanto estudo,viagens,patrocinio,pra na hora H fazer aquelas porcarias…qtos trukeiros de plantao…muito lixooooo….e o pior q a imprensa nao tem coragem de perder a mamata do ano seguinte e se recusam a falar mal…realmente como assisti numa palestra ,o futuro do Brasil e´Belfort Roxo…triste pensar desta forma mas pura verdade…
CONTESTAÇÃO!!!
é isso postura jovem, Protesto, inconformismo, a esperança no NOVO, sem Polianismo ou Drama. O incômodo sempre foi ao ser humano, força transformadora.
É o q lemos aki na polêmica nota dessa jovem e não vendida editora, parabéns… Siga assim.
… Pena para as marcas que compram estéticas e creditos de prazos vencidos.
… Dó daqueles que não entendem o Povo Brasileiro, suas mulheres e jovens, tao pouco nossa alma de vocação TROPICAL.
Oi Maria,
Muito interessante seu ponto de vista e análise. Aliás, a mais bacana que li sobre a moda jovem apresentada na SPFW. Aproveito pra convidar você a visitar o Blog 284, cheio de inspirações sobre e para a cultura jovem,
Bj,
Ana
Concordo pelnamente!
Você nao é a unica pensando assim!
O jovem de hoje não encontra mais uma marca que se identifique!
É, realmente, quando passo pelas vitrines pouca coisa me agrada, e por morar em SC, pra ser mas precisa em Rio do Sul (cidade não tão pequena, mas com um ar de interior.Acho que você já deve ter ouvido falar dela, pois tenho a leve impressão de ter lido uma matéria sobre você na revista Sucesso, daqui mesmo)não tem tanta diversidade de marcas nas lojas, que são multimarcas, e que vendem as peças mais feinhas e provavelmente de ponta de estoque, a única que é da marca mesmo, adivinha , é a da colcci! Um horror! Passo pela loja e fico abismada e sem entender de, como as pessoas(da minha idade, 14, 15, 16)podem achar aquilo de bom gosto!( tirando alguns jeans, que são até bons e bonitos). A minha sorte é que viajo bastante até, e vou pra SP capital, e não ligo para que os outros acham ou deixam de achar das minhas roupas! Um dia desses vesti um boyfriend jacket, ou sei lá qual é o nome, e só faltou jogarem ovos em mim!Ainda bem que só faltam mais três intermináveis anos pra acabar o colégio, depois vou pra SP fazer faculdade ou quem sabe até fora do país! E gostaria de saber, que tipo de faculdade e qual você fez pra chegar nessa sua profissão( você é editora de moda da Vogue, não?), porque não sei o que devo fazer se é moda ou jornalismo, ou moda e uma espealização em jornalismo( se é que isso existe), e sei que é quero trabalhar na industria da moda, pois descobri a magia do cartão de crédito, da bolsa Chanel de minha mãe e de livros( com mais de 10 linhas em cada página e sem ilustrações)aos 8 anos. Por favor, me
responda assim que puder! Obriaga, Ayla N. P.
esquece, não precisa me responder, só agora li seu perfil.
Caracas, li e reli o post. pra ser bem sincera não tenho gabarito pra falar de moda, só de beleza, mas concorco com vc em muitas coisas, não só na moda jovem. Infelizmente não tive a oportunidade de assistir os desfiles nas salas, mas assisti no telão da Bienal e também na sala de imprensa, me decepcionei com muitas roupas fantasias que vi lá.
Sei que é desfile, todos sabemos que cada marca tem uma proposta, mas mesmo assim, teve mta coisa que não deu pra engolir. Sorry.
beijos Maria